MP579 sepulta ideia de transformar Eletrobras numa Petrobras

 Declaração é de Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras, durante entrevista à rádio Câmara

 

Por Wagner Freire, com informações da Agência Câmara – Jornal da Energia 14/12

 

O ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, concedeu entrevista à rádio Câmara na manhã desta quinta-feira (13/12) e não poupou críticas a metodologia utilizada para se alcançar a tão sonhada redução nas tarifas de energia em 2013. Ele inclusive afirmou que a Medida Provisória 579 não resultará em grandes quedas na conta de luz. Por outro lado, a tarifa oferecida para operar e manter as usinas antigas reduzirá a receita do grupo Eletrobras em 70%, inviabilizando um antigo projeto, que era o de transformar a elétrica em uma equivalente a Petrobras.

 

“A intenção da MP é corretíssima. A energia brasileira é cara demais. A intenção é correta, mas a maneira de fazer, não. Eu discordo do cálculo que foi feito, no qual se baseou a decisão de reduzir as receitas das empresas, em particular, da Eletrobras” disse Pinguelli Rosa. “No início do governo Lula se discutiu, e eu participei disso, em tornar o papel da Eletrobras um fator dinâmico para o setor elétrico tal como a Petrobras é para o setor de combustível. Mas com a medida provisória, essa ideia fica sepultada.”

 

A crítica continua. “Se reduziu, nada mais nada menos, que 70% da receita do grupo Eletrobras, o que inviabiliza tal como é. Teremos uma outra Eletrobras. Eu tenho medo de que se reduza a uma empresa de negócio. Ou seja, de advogados e economistas que, ao meu ver, são incapazes de conduzir uma empresa elétrica, onde a questão essencial é técnica”, disse Pirnguelli, que também é diretor do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Ele conta que enviou uma carta à presidente Dilma opinando sobre a dificuldade que as elétricas teriam se as regras da MP não fossem mudadas.

 

“Em primeiro lugar, esse cálculo (das tarifas) tem que incluir o quanto é necessário para a performance no nível técnico necessitado dessas empresas e não um cálculo por usina. Essa história de cálculo por usina pode ser feita num país termelétrico. Nós continuamos um pouco influenciado pelo modelo inglês, que foi aquele seguido na reforma do governo Fernando Henrique Cardoso no setor elétrico, da privatização do setor.”

 

Pinguelli disse ainda que a redução de tarifa anunciada (20%) pelo governo é impossível de ser alcançada. “Em parte, porque Cemig, Copel e Cesp – que são muito importantes – não estão aderindo (à MP579).”

 

Além disso, segundo o ex-presidente da Eletrobras, o efeito do acionamento de térmicas a óleo neste ano para atender a demanda por energia também irá contribuir para estragar os planos do governo. “Usamos muito a geração térmica nesse ano por causa da estiagem”, disse ele, uma vez que a energia termelétrica é mais cara que a hidrelétrica e esse custo adicional será repassado às contas dos consumidores no próximo ano.

 

Pinguelli teme que a diminuição da receita das elétricas ainda resultem em menos investimentos na rede, impactando na qualidade e segurança do sistema elétrico brasileiro.

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