Cartas enviadas ao GLOBO em resposta ao artigo do Diretor de Desestatização José Luís Osório no Globo de 18/5/99 Furnas no Chile Enquanto o Diretor do BNDES fala das vantagens da cis&ati …



Cartas enviadas ao GLOBO em resposta ao artigo do Diretor de Desestatização José Luís Osório no Globo de 18/5/99



Furnas no Chile


Enquanto o Diretor do BNDES fala das vantagens da cisão e venda de Furnas, as notícias sobre os racionamentos diários no Chile começam a aparecer na imprensa e na Internet (www.ilumina.org.br). O modelo de reestrutração do setor elétrico chileno mostra seus pontos fracos em boa hora para nós brasileiros. As novas empresas de geração de lá não só não investiram na expansão do sistema, com também não gerenciaram adequadamente os recursos hídricos – agora botam a culpa em Deus que não trouxe água para gerar energia elétrica. Mas o governo chileno não está caindo na conversa e começa a intervir no setor, antes um exemplo de liberação às forças de mercado que dava certo. Um bom exemplo para mostrar que o caminho que se quer trilhar no nosso país será mais uma experiência de nossos economistas, sem comprovação prática de sucesso em lugar nenhum do mundo. A competição que baixa os preços e melhora a qualidade não se faz quando há carência de oferta, e esse é o nosso caso. Em vez de se preocupar em apressar a cisão de Furnas, o BNDES deve se deter e analisar o que está acontecendo no resto do mundo, sem ideologias, como se costuma argumentar.




Fabio Resende ­ Rio


Fábula Elétrica


Um engenheiro eletricista inglês ao visitar uma usina hidroelétrica brasileira fica intrigado ao saber que a energia gerada na usina não é igual a energia vendida. O engenheiro brasileiro que o acompanha explica que a energia comercializada não está sendo gerada só ali. Isso deixa o inglês desnorteado e surpreso: -Uma outra usina gera energia para vocês? – pergunta. O brasileiro explica: Uma parte da energia é gerada ali mesmo. Uma segunda parte é gerada em usinas no mesmo rio abaixo daquela. Uma terceira parte é gerada em outras usinas do sistema. O inglês fica tonto e não entende a razão dessa complexidade que certamente não existe na Inglaterra. O brasileiro explica que a razão disso está ligada ao tamanho dos reservatórios brasileiros e às diversidades hidrológicas das regiões distantes. O inglês faz uma cara ainda mais desconcertada pois a velha ilha não tem reservatórios muito menos regiões tão distantes. Quando o engenheiro brasileiro relata que uma linha de transmissão que interliga o Sudeste com Norte cria mais 600 MW médios o inglês pifa de vez. For god’s sake! ­ exclama! Uma linha que gera energia? Como? O engenheiro brasileiro explica que quanto mais interligado por linhas de transmissão, o sistema brasileiro gera mais energia simplesmente por aproveitar melhor a água, mesmo sem novas usinas. O inglês, reconhecendo estar diante de um complexo totalmente diferente de seu país, faz uma observação fantástica: Então, no Brasil, o sistema de transmissão deveria ser pago por esse aumento de energia! O brasileiro, surpreso com aquele súbito entendimento, e cheio de esperanças em impedir o desmonte desse sistema, propõe: -Será que o sr. poderia dizer isso lá no BNDES? O Diretor de Desestatização, José Luiz Osório, acaba de escrever um artigo no jornal onde mostra não ter entendido esse detalhe! Propõe a cisão de FURNAS resultando uma empresa de transmissão financeiramente inviável. O inglês então desanima o esperançoso engenheiro: I am sorry! O BNDES me contratou apenas para explicar o sistema inglês.


Roberto Pereira D’ Araujo

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