SINDICATO DOS ELETRICITÁRIOS DO CEARÁ
ACIDENTE DE TRABALHO MATA MAIS UM NA COELCE
Hoje (quinta-feira, 25/4), por volta das 8 horas, morreu mais um eletricitário por acidente de trabalho na Coelce (Companhia Energética do Ceará, controlada pelo grupo espanhol Endesa). Dione Júnior de Souza Dias trabalhava em uma rede elétrica de média tensão de 13.800 Volts, em Tauá-Ce e foi eletrocutado quando fazia a substituição de uma chave seccionadora em "linha viva". Ele tinha 21 anos e era empregado da empresa Endicon, que presta serviço para a Coelce.
Foi o segundo caso de acidente fatal envolvendo eletricitários neste mês. No dia 14/4 morreu Rodrigo Oliveira Ribeiro, em Cariús, quando o funcionário da Concitel (que presta serviço para a Coelce), trafegava em um caminhão da empresa.
Este ano, já ocorreram quatro mortes por acidentes de trabalho. Desde abril de 1998, quando a Coelce foi privatizada, já ocorreram 30 mortes por acidente de trabalho, incluindo as duas últimas. Além disso, quatro eletricitários se suicidaram no período.
O Sindeletro (Sindicato dos Eletricitários do Ceará) vem denunciando esse morticínio, por causas evitáveis, mas a direção da Coelce não toma as providências necessárias para evitar essas tragédias, que ceifam vidas e deixam famílias ao desamparo.
Entre as principais causas das mortes de trabalhadores na Coelce, o Sindeletro destaca:
1.. Grande número de demissões: desde a privatização, cerca de 1.500 empregados da Coelce foram para a rua. Os demitidos, geralmente, são os empregados mais experientes e qualificados.
2.. Política de terceirização indiscriminada, com a contratação de empresas não qualificadas.
3.. Trabalho por metas, submetendo os trabalhadores a pressão insuportável.
4.. Falta de treinamento adequado.
5.. Um fato novo tende a agravar ainda mais esta situação: a Coelce está oficializando às suas prestadoras o retorno do trabalho por produção.
O grupo Endesa tem como objetivo se transformar num mero escritório de arrecadação, gerenciando empreiteiras e apenas auferindo lucros, incapaz de sustar a seqüência de mortes.
O Sindeletro já fez, inúmeras vezes, e vai continuar fazendo, o seguinte alerta à sociedade e às autoridades: se essa situação não mudar, a fábrica de mortes vai continuar tirando a vida de trabalhadores cearenses.
Veja abaixo a relação dos trabalhadores eletricitários mortos após a privatização da Coelce, ocorrida em 02/04/1998.
