Estado de São Paulo
Consumidor reprova serviços privatizados
91,2% da população paulistana acha que o governo falha no papel de fiscalizar
DENISE NEUMANN
O consumidor paulista está muito insatisfeito com os serviços públicos que foram privatizados e considera que o governo está falhando na fiscalização que deveria exercer sobre as empresas concessionárias. Para 91,2% dos paulistanos – quase totalidade da população -, o governo não tem fiscalizado com eficácia os serviços de energia elétrica, telecomunicações e concessões de estradas, segundo pesquisa InformEstado realizada na quinta e sexta-feira. Entre os grupos sociais entrevistados, a crítica ao governo foi unânime (100%) entre os aposentados e os empresários.
A pesquisa indicou, ainda, que 80% dos paulistanos consideraram justa a paralisação dos caminhoneiros e 85,8% não avaliam como justo o valor cobrado pelos pedágios nas estradas para veículos particulares.
Inconformados com a crise do DDD – que reduziu para menos de um terço as ligações interurbanas completadas no primeiro dia de operação do novo sistema, em 3 de julho -, 82% dos paulistanos reprovaram o serviço oferecido após a privatização da Telebrás.
A pesquisa indica que a população quer um governo mais ativo no novo papel que lhe cabe em uma sociedade desestatizada: acompanhar a operação privada dos serviços públicos e garantir que a venda das empresas estatais realmente traga os benefícios anunciados de melhoria e ampliação do serviço e redução do custo (incentivada pela concorrência).
A Rodovia Presidente Dutra foi privatizada em 1996. A primeira estrada estadual de São Paulo saiu das mãos do governo em 1998, enquanto o Sistema Telebrás foi vendido há um ano e a Eletropaulo, distribuidora de energia na capital paulista, passou para as mãos do setor privado há 15 meses.
A maioria dos paulistanos atribuiu ao governo a responsabilidade pelos problemas no novo sistema de telefonia de longa distância. Em uma pergunta que permitia resposta múltipla, 60% dos entrevistados disseram que a culpa era da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), enquanto 39,2% atribuíram a responsabilidade à Telefônica (operadora do Estado de São Paulo) e 32,8% apontaram a Embratel (operadora nacional) como culpada.
A insatisfação com os preços aparece nos pedágios: a população considera injusto o valor cobrado para transitar nas estradas paulistas. Nesse caso, pesa contra o consumidor a quase impossibilidade da concorrência. Diferentemente do que se espera no setor de telecomunicações, no qual até o fim do próximo ano o governo quer garantir a existência de dois prestadores de cada serviço de telefonia: fixa, celular e de longa distância.
Os resultados da pesquisa mostram muita uniformidade quando os dados são separados por idade, faixa de renda, sexo ou grupo social. Uma das maiores diferenças ocorreu na avaliação da greve dos caminhoneiros.
Enquanto 76% dos entrevistados com renda até cinco salários mínimos acharam o movimento justo, a aprovação cresce para 89,4% entre a população com renda entre 10 e 20 mínimos e fica em 82,5% entre aqueles que recebem mais de 20 mínimos.
A pesquisa ouviu 600 paulistanos nos dias 29 e 30 de julho, com faixa etária de 18 a 64 anos. As entrevistas foram feitas pessoalmente em cinco regiões da cidade.