Agora o Dr. Paulo Ludmer, representante dos grandes consumidores de energia elétrica e antigo inimigo das empresas estatais, reclama dos preços das concessionárias privadas. Além disso está p …



Agora o Dr. Paulo Ludmer, representante dos grandes consumidores de energia elétrica e antigo inimigo das empresas estatais, reclama dos preços das concessionárias privadas. Além disso está preocupado com o racionamento que se vislumbra no futuro! Ué? O que estava errado em seus discursos anteriores????.



VEJA 11/06/99

Um choque elétrico

Reajuste de tarifa prejudica exportações e não afasta risco de blecaute


O aumento na tarifa de energia elétrica anunciado na semana passada terá um pequeno impacto sobre a inflação. "Estamos esperando uma inflação de 6% para este ano. Com o reajuste da energia elétrica, ela poderá chegar a 7%", diz Heron do Carmo, coordenador da pesquisa de preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Fipe, da Universidade de São Paulo. "Como os salários não estão sendo reajustados, o aumento vai pesar mais no bolso." A conta vai subir até 21% em São Paulo, em quatro parcelas ­ o maior reajuste registrado no país. Na Região Norte, o aumento médio será de 6%, no Nordeste 7%, no Centro-Oeste12% e nos Estados do Sul 11%. O maior prejuízo é de médio prazo e será sentido na saúde econômica do país. A elevação do custo de energia elétrica bate com força na lucratividade das empresas e na capacidade de competição do produto nacional. Já se espera uma queda de competitividade internacional de alumínio, aço, refratários e gases industriais brasileiros. São produtos cuja fabricação exige o uso de muita energia.


As concessionárias privadas de energia elétrica, que assumiram o controle das antigas estatais, têm garantido por contrato o reajuste anual das tarifas conforme a variação do IGPM, apurado pela Fundação GetúlioVargas. Ninguém discute sua legalidade, portanto. O que se questiona é sua oportunidade. "Numa economia em que tudo está sendo negociado livremente e em que as empresas relutam em elevar seus preços, já que o consumo está baixo e a competição difícil, as companhias energéticas conseguiram formar um cartel que dita preços", diz Paulo Ludmer, diretor executivo da Abrace, associação que reúne os grandes consumidores de energia elétrica do país. O problema é que o brasileiro está correndo o risco de ficar sem luz. O governo prevê que em setembro, na estação seca, novos blecautes podem perturbar a vida dos moradores da Região Sudeste. Para afastar o perigo de racionamento e de falta de energia elétrica, deveriam estar sendo investidos 8 bilhões de dólares por ano no setor. A marca brasileira dos últimos anos tem sido a metade do necessário. Com o reajuste da tarifa, que corrige uma defasagem de preço que cresceu cerca de 35% durante o Plano Real, espera-se que os investimentos aumentem.

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