Porque o setor elétrico era estatal? Como se sabe o setor elétrico brasileiro nasceu privado. A partir de 1927 a Light e a Amforp dominavam a geração e distribuição de energia elétric …

Porque o setor elétrico era estatal?




Como se sabe o setor elétrico brasileiro nasceu privado. A partir de 1927 a Light e a Amforp dominavam a geração e distribuição de energia elétrica do país. Daquele ano, até 1960, os grupos estrangeiros e as empresas privadas nacionais, que dominavam o setor, instalaram uma capacidade total de apenas 4.800 MW (na verdade, cerca de 3.500 MW, pois os empreendimentos estatais, em várias regiões, somavam 1.300 MW). Até aquela época, praticamente tudo era importado, desde projetos básicos, até equipamentos eletromecânicos e sistemas de instrumentação e controle.




Além disso os investimentos dessas empresas eram insuficientes e é famoso o grande racionamento de energia ocorrido na década de 50. A partir da criação de FURNAS em 1957 o estado passou a desenvolver o setor em um ritmo compatível com o desenvolvimento que o país necessitava. Em 1964, foram ultimadas as negociações para a compra pelo governo brasileiro das concessionárias atuantes no Brasil do grupo Amforp. O negócio foi realizado em 14 de outubro e essas empresas passaram à condição de subsidiárias da Eletrobrás.




Ao final da década de 1970, todas as concessionárias do setor de energia elétrica tinham capital nacional, com acompra pelo governo brasileiro das ações da Light à multinacional Brascan Limited, em janeiro de 1979. Esta evolução induziu o desenvolvimento da tecnologia nacional nos campos da engenharia de centrais hidroelétricas; das indústrias de material elétrico e componentes mecânicos; da pesquisa em eletrotécnica e eletrônica de instrumentação e controle, etc.


Antes de 1960, como foi dito acima, o Brasil importava projetos, tecnologia e equipamentos, para centrais elétricas e linhas de transmissão. Hoje exporta-os, não só para países da América Latina e África, mas até para países desenvolvidos. Nesses 37 anos, o sistema elétrico brasileiro, que se caracterizava pela reduzida confiabilidade (altas taxas de interrupção) e qualidade deficiente (irregularidade de tensão e oscilação de freqüência), alçou-se à categoria de um dos mais avançados do mundo.


Além disso os estudos hidrológicos dos diversos rios brasileiros indicavam que a melhor forma de aproveitar o imenso potencial hidráulico das diversas bacias brasileiras seria o do desenvolvimento integrado e sob uma ótica global , onde o impacto de cada projeto sobre usinas existentes e sobre o sistema como um todo passou a ser considerado nas decisões de investimento. Toda uma teoria, praticamente inédita, pois só aplicável ao Brasil, foi desenvolvida no âmbito dos grupos de trabalho coordenados nacionalmente pela Eletrobrás. Aproximadamente 22% da energia disponível provêm da operação e planejamento integrados.

Essa intervenção do estado levou a capacidade instalada dos 5000 MW para os 62000 MW de hoje.


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