Dados do ONS do dia 22/11: A reserva energética nos reservatórios do Sudeste era de 21%, 8,2% acima da "curva guia". Essa folga em termos energáticos é de aproximadamente 13.000 MWmes. A carga mensal da região sudeste e centro-oeste se situa no entorno de 22.000 MW. Portanto, a reserva estratégica para enfrentar o verão é de 13/22 de 1 mês, ou seja 17 dias. Que tal? Se o ILUMINA tivesse o espírito aventureiro do governo, apostador viciado, diria que essas metas terão que ser revistas logo, logo!
Todo esse perigo e do outro lado a revolta. Leiam as reportagens…
Cariocas obrigados a poupar 59% (JB 24/11)
Governo do Estado ameaça ir à Justiça contra ”tarifaço disfarçado” em meta de 7%, calculada com base no inverno
NICE DE PAULA
Esqueça os 7%. Para boa parte dos moradores do Rio, a economia de energia necessária para cumprir as metas de racionamento que começam a valer em dezembro terá que ir muito além. Cálculos do governo do estado mostram que uma típica família de classe média que possua dois aparelhos de ar-condicionado, terá de consumir até 59% menos energia do que no verão do ano passado. Se não fizer isso, a família cai na sobretaxa e a conta de luz sobe até 300%.
”Cada aparelho de ar-condicionado consome em média 250 quilowatts-hora-mês (kWhm). E ligar dois aparelhos desses no verão do Rio não é luxo nenhum”, diz o secretário estadual de Energia, Wagner Victer, que pediu ontem ao procurador-geral do Estado que estude medidas jurídicas que o governo estadual pode adotar contra o racionamento.
Calor forçado – Nas contas do secretário, o consumo médio de uma família de quatro pessoas estaria em torno de 400 kWhm no período de temperaturas mais amenas e chegaria a 900 kWhm durante o verão. O governo determinou uma redução de 7%, mas em relação ao consumo do inverno, o que significa que a nova cota da família hipotética ficaria em 372 Kwh/mês, ou 58,6% menos do que o consumo do último verão.
”Quem ultrapassar a meta, além do risco de corte, terá sobretaxa sobre o gasto que ultrapassar 200 kWhm. Como muita gente não vai conseguir, parece até que há tarifaço disfarçado”, avalia o secretário. Para justificar o aumento, ele mostra estudos que apontam que na média o consumo de energia nas Rio aumenta em média até 37% no verão.
Para o secretário, seria muito melhor que o governo tivesse mantido a meta em 20%, mas usado como base de comparação os meses de verão. Nesse caso, no mesmo exemplo, a nova meta de consumo seria fixada em 720 kWhm.
Sobretaxa – Como a sugestão não foi aceita pelo governo federal, o consumidor que mantivesse o gasto nessa faixa veria sua conta pular de R$ 81 para R$ 328. ”Por causa da sobretaxa, o aumento das tarifas pode passar de 300%”, explica Victer. Isso numa hipótese em que a ampliação do consumo fique em 125% – caso de uma família que passe a usar dois aparelhos de ar-condicionado diariamente, para fugir do calor do verão.
O secretário está tão inconformado com as as novas condições, que acredita que o próprio governo federal vá recuar das medidas. ”Não é possível, manter essas regras. O governo federal vai acabar reconhecendo”, diz.
A Light concorda com o cálculo de Victer. Entretanto, a companhia não tem estimativa de como vai se comportar o consumo do carioca durante o verão. Comparando-se os meses de janeiro, fevereiro e março deste ano com o inverno de 2000, o aumento no gasto de luz foi de 28%.
Consumo menor, conta maior (O DIA 24/11)
No verão, número de clientes com direito a bônus diminui, e o de sobretaxa tende a aumentar. Tarifa de energia terá novo reajuste
Luciene Braga
Consumo aproximado ou menor de energia, conta de luz igual ou maior no verão. As novas regras do racionamento darão uma pequena margem de gasto com a redução da meta para 7%, nas 27 cidades turísticas do Rio, e 12% nas restantes, mas as tarifas tendem a subir 26% 20,5%, do reajuste da Light, mais os esperados 4,5% de repasse das perdas das empresas de energia, que serão anunciados em breve pelo Governo.
O servidor público Flávio Azevedo Antunes, 32 anos, do Grajaú, consumiu 580 quilowatts/hora (kWh) em janeiro e pagou R$ 161 (R$ 0,27 por kWh). Desde o início do racionamento, cumpriu a meta de 226 kWh e passou a pagar R$ 57. Em janeiro, poderá gastar até 262 kWh. Com a tarifa atual (R$ 0,30), deverá pagar R$ 78. Aplicando o aumento de 4,5%, a conta sobe para R$ 81,51.
Mas Flávio prevê um problema maior que os R$ 24,51 a mais no orçamento. "Vou gastar mais, pagar sobretaxa e correr o risco de ser cortado. No Rio, não existe verão sem ar-condicionado", diz. Pelos seus cálculos, ligando apenas um dos aparelhos por oito horas, vai gastar mais 360 kWh, em média. O consumo deve chegar a 586 kWh, e a conta, com sobretaxa, a R$ 300,76 R$ 193,38 pela tarifa normal (R$ 0,33, o kWh para consumo superior a 300 kWh), mais R$ 104,76 de sobretaxa (R$ 48, referentes ao gasto na faixa entre 200 e 500 kWh; e R$ 56,76, acima de 500 kWh). Sem os 4,5%, que vão aliviar o déficit das empresas. Ao todo, poderá pagar R$ 314,26 95% a mais do que no início do ano.
Se a cobrança de sobretaxa e a ameaça dos cortes tendem a subir, o pagamento de bônus deve cair, porque vai diminuir o número de clientes com metas de até 225 kWh, garantidos pelo Governo. Nas cidades turísticas, quem tinha a meta cravada nesse limite, passará a ter cota de 261 kWh. Nos outros municípios, 247 kWh. Nas regiões com meta de 7%, quem tinha o limite de até 194 kWh continua com o prêmio garantido, já que se mantém na faixa de 225 kWh. Situação mais ingrata é a dos que tinham meta de 195 kWh: passam para o patamar de 226 kWh e a diferença de 31 kWh mal dá para religar o freezer.
Trabalhadores da Light em estado de greveDe acordo com o superintendente da Light, Ernesto Haikewitsch, as novas regras serão cobradas nas primeiras contas de janeiro. "Informaremos as metas nas contas que começarão a ser enviadas em dezembro", explica. Segundo ele, no verão passado, o consumo entre os clientes residenciais subiu 28%. E 63% deles gastaram até 225 kWh. Somente 37% dos consumidores tiveram contas superiores. Já os comerciais aumentaram os gastos em 19%. "Mas o cenário é imprevisível. Os hábitos mudaram", diz Haikewitsch .
E os cortes, que só vão atingir consumidores até 225 kWh, também estão ameaçados. Os funcionários da Light, em estado de greve desde quarta-feira, protestam contra a demissão de 250 trabalhadores da empresa.
Os prejuízos com o racionamento (JB 24/11)
Balanços mostram que economia de energia diminuiu receitas de distribuidoras e aumentou perdas no terceiro trimestre
ROBERTO CORDEIRO
BRASÍLIA – O racionamento de energia reduziu a receita das principais distribuidoras das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do país. Só a Light teve uma diminuição de 8,8% da receita bruta com a venda de eletricidade entre os meses de julho e setembro deste ano em comparação com o segundo trimestre de 2001. A distribuidora carioca amargou um prejuízo de R$ 322,62 milhões no terceiro trimestre. A Light contabilizou também uma redução global de 25,2% de energia faturada neste terceiro trimestre em relação a igual período do ano 2000. A Cerj, outra concessionária fluminense, até ontem não havia informado o desempenho financeiro à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A crise levou a Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) a determinar a redução de 20% no consumo de eletricidade. A medida teve impacto significativo nos caixas das concessionárias. As distribuidoras estão querendo repassar estas perdas para as tarifas de luz elétrica. Os critérios do reajuste devem ser divulgados dentro dos próximos dias pela GCE.
Resultados – Os resultados financeiros das distribuidoras no terceiro trimestre de 2001 encaminhados à CVM refletem a redução do consumo de energia no país. Das 40 distribuidoras das regiões sob racionamento, oJornal do Brasil observou os desempenhos de oito concessionárias. No período, a Companhia Energética de Goiás (Celg) teve uma redução de receita de 20,85% na comparação com o trimestre anterior.
As três principais distribuidoras do Estado de São Paulo – Eletropaulo, Bandeirante e Elektro – tiveram diminuição de receita bruta de 12,58%; 12,73% e 5,66% respectivamente. A Escelsa, concessionária do Estado do Espírito Santo, contabilizou um prejuízo de R$ 126,66 milhões. Já a Coelba, da Bahia, teve prejuízo líquido de R$ 19,29 milhões. A Enersul, distribuidora do Mato Grosso do Sul, amargou perdas de R$ 25,68 milhões.
Na quinta-feira, quando governo anunciou redução das metas, índice ficou abaixo de 10%
JOSÉ RAMOS
BRASÍLIA – No mesmo dia em que o governo anunciava as novas regras do racionamento de energia, o País apresentou o pior resultado do programa iniciado em junho. Na quinta-feira, os índices de economia ficaram abaixo de 10%, tanto no Nordeste quanto no Sudeste e Centro-Oeste. Mesmo que as novas metas para dezembro, mais frouxas que as atuais, estivessem em vigor, somente as capitais e cidades turísticas do Sudeste e do Centro-Oeste estariam cumprindo os limites de consumo.
De acordo com o levantamento diário feito pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) referente ao dia 22, a economia média do Sudeste e Centro-Oeste foi de apenas 9,3%. Foram consumidos 22.868 megawatts (MW) médios de energia, quando o limite era de 20.165 MW médios. As metas para o próximo trimestre são de 7% nas cidades turísticas (que inclui as capitais) e de 12% nos demais municípios.
Com este resultado, a economia acumulada na região em novembro caiu para 16,9%, contra 17,3% em outubro, mantendo a tendência de queda que se verifica a cada mês. Apenas em julho, as Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste atingiram a meta de 20%. A média de economia do Sudeste nos meses de racionamento foi de 19% e no Nordeste de 17,3%.
Na Região Nordeste a situação foi ainda pior. A economia foi de apenas 8,5%, tendo sido gastos 5.185 MW médios, em vez dos 4.531 MW médios fixados para a região. Como os reservatórios nordestinos estão em situação mais grave que no restante do País, a meta de economia para o próximo trimestre será de 12% nas cidades turísticas e de 17% nas demais. Ou seja, alguns municípios podem estar economizando hoje metade que precisarão economizar, mesmo com as novas regras. Nessa região, a economia acumulada em novembro baixou para 12,9%, contra 13,9% em outubro.
Já no Norte do País, onde existe a menor preocupação com a falta d’água, a economia atingiu 18,5% , bem próxima à meta de 20%. Em dezembro os nortistas precisarão economizar apenas 5% em todas as cidades, mas o racionamento poderá acabar ainda em janeiro. A economia acumulada neste mês na região subiu para 19,4%, contra 18,9% no mês passado.
O governo, no entanto, mostra-se confiante que este quadro não ameaça o suprimento de energia até fevereiro, caso as chuvas sigam o ritmo projetado.
Na quinta-feira a afluência de água nos reservatórios das usinas das Regiões Sudeste e Centro-Oeste subiu para 88% da média histórica, dois pontos a mais que na véspera. Com isso, alcançou-se 13 pontos acima da curva-guia, que é o limite mínimo de segurança estabelecido pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE).
Mas no Nordeste continua chovendo apenas conforme o previsto. O presidente da GCE, Pedro Parente, alertou quinta-feira que o quadro do próximo ano dependerá das chuvas e da entrada em operação das novas usinas térmicas. (AE)
Novas metas causam revolta ( O DIA 24/11)
Diferença de índice, critérios de definição para cidades turísticas e cálculos no verão sobre consumo de energia do inverno criam polêmica
O anúncio de que a meta de racionamento de energia no estado será reduzida de 20% para 12%, na maioria das cidades, e 7%, para as consideradas turísticas, mas será mantido o cálculo com base na média dos meses de maio, junho e julho revoltou prefeitos, empresários e consumidores. A reclamação maior vem da Região dos Lagos, onde a população chega a triplicar nos meses de verão. "Teremos dificuldades", disse o secretário de Turismo de Cabo Frio, Carlos Victor Mendes.
Ele avisou que pretende iniciar um movimento para convencer a Câmara de Gestão de Energia a mudar a base de cálculo para os meses de janeiro, fevereiro e março. A proposta já foi enviada ao ministro Pedro Parente, coordenador da Câmara, por representantes dos sete municípios da Região dos Lagos e pela Associação Comercial de Cabo Frio, mas até agora não conseguiram resposta positiva.
Mais revoltados ainda ficaram os prefeitos de São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Saquarema, que apesar de serem conhecidas pelas belezas de suas praias e lagoas e atraírem milhares de visitantes no verão, não foram incluídas na lista das turísticas. "É um absurdo Saquarema ficar de fora. No verão, nossa população, de 60 mil habitantes, triplica. Vai ser impossível economizar nos meses em que o nosso consumo é maior. Vamos fazer o que for preciso para reverter o quadro", disse o prefeito Antônio Peres.
Seu colega de Iguaba Grande, Rodolfo Pedrosa, já prevê queda no movimento de turistas. "Das 18 mil residências cadastradas pela prefeitura, 10 mil são de turistas. Muita gente recebeu metas de consumo absurdas, baseadas nos meses de inverno, quando as casas estavam fechadas, e pode não aparecer neste verão", afirmou.
Com o prefeito de São Pedro, Paulo Lobo, ele pretende encaminhar à Câmara de Gestão de Energia relatório propondo a inclusão das duas cidades na meta de 7% em caráter excepcional. "Não vamos aceitar esta diferença imposta pelo Governo, já que somos cidades quase irmãs. Quem vai sair mais prejudicado é o comércio e a rede hoteleira", disse Lobo.
O prefeito de Barra Mansa, Roosevelt Brasil (PSB), também não ficou satisfeito com as novas metas. Além do cálculo feito com base no consumo do inverno, ele não concorda com os índices diferenciados e acha que isso vai prejudicar sua cidade, pois os investidores vão preferir aquelas consideradas turísticas onde a redução deve ser de 7% , como as vizinhas Resende, Itatiaia e Volta Redonda.
Lojas vizinhas, mas cortes diferentes
A diferenciação determinada pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE) foi recebida com desconfiança pelos moradores da Baixada, principalmente nas áreas de divisa com o Rio. A partir de dezembro, moradores e empresários do Rio de Janeiro terão meta de corte de consumo de 7%, enquanto para os vizinhos da Baixada a redução terá que ficar em 12%.
"Achei péssima essa história de tarifas diferentes. Moro bem na divisa com o Rio e meu vizinho da esquina pode acabar pagando menos do que eu. Só espero não ser muito prejudicada com essa mudança toda", afirmou a secretária Vera de Santana Monteiro Rocha, 34 anos, moradora da Avenida Getúlio de Moura, em Olinda, Nilópolis, a 50 metros da divisa com o Rio.
O eletricista Oséias Mesquita Ramalho, 75, dono de uma pequena oficina na Rua Honório Ermeto, em São João de Meriti, na divisa com a carioca Pavuna, espera que as novas regras não afetem muito a sua vida e a dos seus clientes. "O racionamento não mudou muito o número de pedidos de consertos de aparelhos elétricos. Com as novas metas, não sei como vai ficar. Mesmo assim acho injusto ter que economizar mais que outras pessoas que moram pertinho", disse o eletricista.
Já o sapateiro Ubaldino Pimentel, 42, dono de uma loja na mesma rua de Oséias, mas do lado carioca, está tranqüilo. "Os consumidores fizeram o seu sacrifício, e o bônus ajudou muito a educar o povo. Não creio que as pessoas vão sentir muito as alterações agora", disse o sapateiro.
Hotel ultrapassa cota só no feriadão
Gerente do Caribe Park Hotel, na Praia do Forte, em Cabo Frio, Virgínia Gallo, não sabe mais o que fazer para economizar energia. Desde o início do racionamento, o hotel não atingiu a meta de 6 mil quilowatt. Com a redução da meta de consumo para 7%, a cota de energia para o hotel, que tem 130 apartamentos, passará para 6.975 kW. "A meta continua sendo calculada na baixa temporada. Parece piada tirar a média do consumo no inverno para uma cidade de verão", diz a gerente.
De acordo com ela, o consumo em janeiro do ano passado foi de 30 mil kW. Este mês, por causa dos feriados, o consumo chegou a 11.700 kW. "Pagamos sobretaxa e tememos o corte, mas não temos como economizar", garante Virgínia Gallo.
Distribuidoras esperam reajuste em dezembro (Estado de São Paulo 24/11)
Geradoras serão beneficiadas indiretamente, com pagamento de débitos
IRANY TEREZA
RIO – O reajuste nas tarifas das distribuidoras de energia elétrica poderá ser autorizado em dezembro e deverá ficar entre 5% e 10%, segundo fonte do setor elétrico que participa das negociações, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O reajuste para reduzir as perdas causadas pelo racionamento será autorizado só para as distribuidoras.
As geradoras serão beneficiadas por tabela, já que terão pagos os débitos das distribuidoras. O consumidor pagará a conta.
O diretor de Infra-Estrutura do BNDES, Octávio Castello Branco, que coordena as reuniões, não comentou a negociação. Ontem, ele se reuniu com representantes de geradoras e no início da semana que vem terá novos encontros com representantes do setor. O rombo causado pelo racionamento é de cerca de R$ 4 bilhões.
Segundo Castello Branco, nas próximas semanas será assinado o primeiro contrato para o funcionamento de uma usina móvel emergencial, que garantirá 40 megawatts de energia em 20 dias. Há 38 projetos aguardando aprovação:
três barcaças para o Nordeste e 35 contêineres que serão aterrados.
Segundo o diretor do BNDES, no próximo ano, mesmo que se repita o pior cenário da série histórica em relação ao clima, não haverá necessidade de corte de carga superior a 5%. (AE)
Desemprego sobe e salário cai, diz o IBGE (Folha 24/11)
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Sem contar influências sazonais (típicas de cada período), o desemprego cresceu de 6,3% em setembro para 6,9% em outubro -alta de 0,6 ponto percentual e a maior taxa do ano.
Outro sinal de piora do mercado de trabalho foi a queda no rendimento médio do trabalhador, de 5,3% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), o aumento do desemprego ocorreu por causa da entrada de mais pessoas no mercado de trabalho. A PEA (População Economicamente Ativa), que mede quem está trabalhando ou procurando emprego, cresceu 0,5% em outubro, (ou 83,6 mil pessoas) na comparação com o mês anterior.
Ao mesmo tempo, a não-PEA, que inclui estudantes, aposentados, donas-de-casa e pessoas que por desestímulo deixaram de procurar trabalho -os desalentados-, caiu na mesma proporção.
"Essas pessoas que estavam fora do mercado de trabalho entraram em outubro, sem serem absorvidas. Isso aumentou a pressão sobre o mercado", disse Shyrlene Ramos de Souza, economista do Departamento de Emprego do IBGE.
Para a economista especializada em trabalho Zeina Latif, da Tendências Consultoria, o medo de que o chefe da família possa ser demitido explica a entrada de mais pessoas no mercado de trabalho.
Esse receio, segundo Zeina, é reflexo da sensação de insegurança deflagrada com as ondas de greves e as demissões na Volkswagen, que havia dispensado 3.000 trabalhadores, mas negociou com o sindicato a redução da jornada e do salário para evitar parte das demissões.
A queda do rendimento também explica o aumento da PEA, segundo a economista. Na tentativa de compensar a diminuição dos ganhos, membros da família que antes não trabalhavam passaram a procurar trabalho, o que também pressionou o desemprego.
A renda do trabalhador está diminuindo desde janeiro deste ano. Em setembro, o rendimento ficou em R$ 746,35 -uma queda de 0,9% em relação a agosto.
Para Shyrlene, as pessoas podem ter se animado a procurar trabalho em outubro devido ao aumento de vagas temporárias no final do ano.
Segundo ela, o número de pessoas ocupadas (efetivamente trabalhando), que ficou estável em outubro, mostra que aquelas que resolveram procurar emprego não foram aproveitadas pelas empresas.