O ILUMINA pergunta: Se tivermos racionamento, tem sentido continuarmos exportando a energia elétrica contida em cada tonelada de aluminio (14,8 MWh/ton)? Só em Janeiro exportou-se 70 mil toneladas! Grandes consumidores t …

O ILUMINA pergunta: Se tivermos racionamento, tem sentido continuarmos exportando a energia elétrica contida em cada tonelada de aluminio (14,8 MWh/ton)? Só em Janeiro exportou-se 70 mil toneladas!


Grandes consumidores temem perdas

Mesmo empresas auto-suficientes seriam atingidas no caso de racionamento


RENÉE PEREIRA


O risco de racionamento de energia elétrica tem preocupado os grandes consumidores do País, que temem uma queda na sua produção. Embora boa parte dessas empresas possuam meios próprios de gerar eletricidade, elas podem ser afetadas por um possível corte de energia, explica o presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), José Roberto Giannotti. "Algumas são auto-suficientes, outras não."


Hoje, cerca 7% da energia produzida no Brasil refere-se à autoprodução. Mas parte dessa energia tem origem hídrica, argumenta o empresário Antonio Ermírio de Moraes, do Grupo Votorantim. Isso significa que, dependendo da localização do reservatório que abastece a usina, a empresa poderá sofrer o mesmo mal que o resto do País.


Ermírio diz que, se houver racionamento, será inevitável não comprometer o crescimento da economia brasileira. A indústria de alumínio, por exemplo, explica o coordenador da comissão de energia elétrica da Associação Brasileira do Alumínio, Hélio Maldonado, consome 14,8 megawatt/hora para produzir uma tonelada de alumínio. "Se formos atingidos agora, teremos problemas para nos recurarmos", alerta.


O economista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) da área de planejamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Claudio Linhares Pires, explica que um possível racionamento também poderia afetar os trabalhadores. "Com a produção interrompida, as indústrias começariam a antecipar férias, por exemplo."


Independência ­ O medo de ficar sem energia tem incentivado algumas empresas a investir mais no setor de energia para consumo próprio. Maldonado comenta que a indústria de alumínio está investindo US$ 1,5 bilhão para construir novas usinas, mas todas são hidrelétricas. "As térmicas também serão instrumentos de investimentos, mas ainda depende de algumas resoluções do governo."


A Companhia Siderurgica Nacional (CSN) percebeu o risco de racionamento há cerca de três anos e hoje é auto-suficiente. Dos 380 MW consumidos, 238 MW vêm de sua termoelétrica. O restante tem origem hídrica. O diretor da empresa, José Roberto Ponte, trabalha com a hipótese de não ser afetado pelo racionamento. "Existem outras formas de diminuir o consumo de energia." Estado de São Paulo 23/3


ONS avalia água disponível nos reservatórios e torce por chuvas

Até o final deste mês, nível chegará no máximo a 38%. Esperava-se por 41,8%


BRASÍLIA ­ A falta de chuvas nas cabeceiras dos Rios Paranaíba e Grande, entre os Estados de Minas Gerais e Goiás, tem sido responsável pelo baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas da Região Sudeste do País.


Com isso, a Usina Hidrelétrica de Furnas (MG), o principal reservatório do Rio Grande, está com apenas 21,77% da capacidade de água. E a Usina Hidrelétrica Emborcação ­ na divisa de Minas Gerais e Goiás ­-, da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), tem só 30,88% do reservatório com água.


Diante deste quadro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) marcou reunião hoje, na sede da entidade, para avaliar a quantidade de água disponível, neste mês, nos reservatórios das usinas no território nacional. No início da semana foi constatado que os lagos das hidrelétricas estavam com 34,7% da capacidade ocupada por água.


Esperava-se chegar em 31 de março com 41,8% de água. A revisão de agora aponta para uma quantidade de água entre 36% e 38%. O ideal seria ter a marca de 49% no fim de maio.


"Para que a situação fique melhor será preciso chovernas cabeceiras dos rios", afirmou um técnico do governo. "Tem vindo muita água em locais que não ajudam a encher os reservatórios."


Transmissão ­ Para o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, é necessário construir mais linhas de transmissão para reduzir ainda mais os riscos de desabastecimento de energia. O linhão Norte-Sul 2, lembrou, levará energia de Tucuruí (PA) até o Distrito Federal. Mas só ficará pronto em março de 2003.


Da mesma,forma, vários trechos, que levarão energia para as Regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, só entram em operação daqui a dois anos. "Estamos construindo as maiores rodovias de eletricidade do País", disse Abdo.


Investimentos ­ Falando sobre vários investimentos que serão colocados à disposição das empresas privadas, Abdo destacou que "estamos plantando este ano esta quantidade de energia para ser colhida no futuro". O parque de geração de energia contará, em 2001, com um acréscimo de 6000 MW, sendo 2500 MW vindos de 11 usinas térmicas. (R.C.) Estado de São Paulo 23/3


Agora, bastante atrasados, os sábios que comandam o setor, perceberam a importância do sistema de transmissão. Antes de ser destruido, o sistema de planejamento projetava as transmissões par e passo com a geração. Agora, separados, custarão mais caros para o consumidor.
Aneel faz leilão de linhas

Fábia Prates, De Brasília


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realiza no dia 12 de junho leilão para construção de mais 700 km de linhas de transmissão. Seu diretor, José Mário Abdo, admitiu ontem que a deficiência do sistema de transmissão é um agravante para o atual momento do setor elétrico, na iminência de uma crise por causa do baixo nível dos reservatórios.


O problema hoje se encontra no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. As regiões Sul e Norte poderiam mandar mais energia para onde há problemas, o que não acontece por falta de infra-estrutura para o transporte. "Com mais transmissão se faria intercâmbio maior de energia entre o Sul e o Sudeste. O risco seria menor." No ano passado foram licitados 3 mil km de linhas.


O edital para o leilão sai no dia 30. Os documentos de pré-qualificação devem ser entregues no dia 11 de maio. Serão licitadas as linhas Bateias-Jaguariaíva (137,1 KM), Ouro Preto 2-Vitória (370 km) e Itumbiara-Marimbondo (212 km) e demandarão investimentos de R$ 280 milhões. Valor Economico 23/3


O ILUMINA tem insistido nessa questão. Quem é responsável pela falta de investimentos que levou a essa situação?
Consumidor pode cobrar prejuízos

Geórgea Choucair


Procon alerta que as empresas terão que esclarecer os riscos, forma e horário do corte de energia para evitar problemas


Se o Brasil não se livrar do racionamento de energia nos próximos meses, as operadoras vão ter que caprichar no esclarecimento à população dos riscos da escassez de eletricidade. Caso contrário, os consumidores que se sentirem lesados ­ ou desinformados ­ com a falta de luz, vão poder exigir ressarcimento dos prejuízos, informam os Procons. "A principal questão é a publicidade. As empresas devem informar o consumidor com antecedência, pois, se houver danos, as pessoas poderão ser indenizadas", afirma Bruno Burgarelli, coordenador do Procon Municipal.


O coordenador do Procon da Assembléia, Délio Malheiros, afirma que o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) diz que os serviços públicos essenciais devem ser prestados de forma contínua. "É lógico que há imprevistos, da própria natureza, que não podem ser tratados de forma tão rigorosa", afirma. No entanto, diz, se houver paralisação com a energia, as companhias devem deixar claro à população dos dias e horários. "Para o consumidor não ter prejuízos, como a perda de alimentos na geladeira", observa Malheiros. Casas em desvantagem Segundo o conselheiro da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Áreas Nuclear e Térmica (Abdan), Ronaldo Fabrício, no caso de racionamento, as residências seriam as primeiras a sentir a escassez de energia. Isso porque o governo beneficiaria as áreas mais industrializadas para não prejudicar o crescimento econômico do País. "Mas o consumidor não pode ficar em desvantagem com relação às empresas. As residências devem ter tratamento, no mínimo, igual, pois pagam mais caro pelo quilowatt de energia", afirma Malheiros. O diretor titular do Departamento de Infra-estrutura da Fiesp, Pio Gavazzi, afirmou ontem que os efeitos de um eventual racionamento de energia sobre a produção industrial ainda não foram calculados. Segundo ele, o impacto vai depender da forma como será feito e em que montante, o que ainda não foi definido pelo governo. Para evitar o racionamento, os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste tinham de atingir 49% de sua capacidade até o final de abril, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), possibilidade considerada remota por Gavazzi. Hoje, o nível médio é de 34,7%. (Com agências) Estado de Minas 23/3


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