O ILUMINA sugere tanto ao representante da Apinee quanto ao "experts" do Monitor Group, que deem uma olhada cuidadosa no que está ocorrendo na Colombia, que, como o Brasil tem predominância hidráulica e seguiu cegamente o receituário e adotou o sistema de mercado. Lá os investidores em usinas térmicas estão desmontando suas usinas e saindo do país. Assim que o El Nino estiver atuando o país passará de super oferta para uma situação de racionamento.
Nova eletricidade pode não ter compradores
Projetos que entram em operação em 2002 não terão consumidores, diz presidente da Apinee
EUGÊNIO MELLONI
Os novos projetos de geração de energia previstos para entrar em operação até dezembro de 2002 enfrentarão um problema totalmente inusitado, em período de racionamento. "Eles não deverão encontrar comprador para a nova eletricidade", afirma o conselheiro da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apinee), Sérgio Ennes.
Segundo ele, o mercado "está comprado" o que significa que os consumidores já fecharam contratos de fornecimento. Em alguns casos, esses contratos têm prazo de até cinco anos. "O mercado não vive uma falta de energia contratada. O que falta é água nas hidrelétricas", explicou o conselheiro da Apine.
Consumo – Ennes afirmou ainda que, com o racionamento em vigor, muitas empresas reduziram drasticamente o volume de energia consumida. E não deverão ampliá-lo aos níveis anteriores à crise, mesmo que a produção das usinas hidrelétricas retome os níveis normais no próximo ano, acrescentou. "Se o racionamento acabar, as empresas não vão ampliar o seu consumo em 25%", sentenciou.
Ele acredita que ninguém deverá correr o risco de contratar energia em um pico de alta, provocado pela escassez, e correr o risco de ver os preços caírem, quando a oferta for normalizada. Segundo Ennes, a falta de compradores já estaria atrasando o início de operações da termoelétrica Electrobolt, tocada em parceria pela Enron e pela Petrobrás, e da Macaé Merchant, da El Paso, além de outros projetos da Petrobrás.
Sobra – Na semana passada, Delcídio Gomes, diretor da Petrobrás, já havia manifestado preocupação com o problema, conforme noticiou a Agência Estado.
Gomes defendeu a aquisição da energia a ser produzida pelos novos projetos de geração pela Comercializadora Brasileira de Energia Elétrica (CBEE), a recém-criada estatal destinada a comercializar a energia emergencial.
Para Ennes, contudo, esta solução também transferiria para a CBEE o ‘mico’ de não encontrar compradores para a energia nova. "O governo correria também o risco de comprar a energia na alta e ter de vender a valores mais baixos", alertou. Ele lembrou que o governo da Califórnia teve prejuízos de US$ 10 bilhões, após ter interferido na crise energética, adquirindo energia na alta.
Segundo o conselheiro da Apinee, a melhor alternativa seria ratear o custo da energia pelo mecanismo de Encargos de Serviços do Sistema, "com a desvantagem de tornar menos transparente o mercado". Ou ainda dividir, compulsoriamente, o custo desta energia entre as distribuidoras, como já ocorre com Itaipu. (AE) Estadão 13/9
Reestruturação da Asmae exige mais tempo do que o previsto
Segundo consultoria, em dois meses só seria solucionada a parte operacional
RENÉE PEREIRA
Os dois meses previstos inicialmente para que o Monitor Group coloque ordem na Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (Asmae) deverá ser estendido, mesmo com a mudança do novo conselho administrativo da instituição no mês que vem. A princípio, o mandato da consultoria, que começou seu trabalho ontem, terminaria em 3 de novembro – a escolha da empresa para gerir a Asmae ocorreu em 3 de setembro.
Mas, segundo o sócio-diretor da empresa, Vitor Madeira, esse período não é suficiente para estabelecer o programa de reestruturação e saneamento da administradora. "Há necessidade de mais tempo para resolvermos todas as pendências." Segundo ele, nesse período apenas se consegue solucionar a parte operacional.
A nova gestora está sendo representada por um presidente e três diretores. O custo mensal da contratação será de R$ 500 mil. De acordo com as regras atuais, esse gasto terá de ser compatilhado entre os agentes do mercado, já que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) proibiu o repasse desses custos para a tarifas. O que se cogita no mercado é a criação de uma taxa sobre as transações realização no MAE para cobrir os custos. Isso, porém, só seria válido quando o mercado voltar a funcionar.
Segundo Madeira, o trabalho da empresa terá como principal objetivo dar credibilidade à Asmae. Por isso, o trabalho deverá se estender a algumas pendências que constam no relatório da Aneel. Mas ele lembra que a parte de fiscalização e apuração dos desvios de verbas continuará sob o comando da Kroll, empresa contratada para auditar as contas da administradora.
Todas as ações do Monitor Group deverão ter o aval do Conselho de Administração da Asmae, além de estarem de acordo com as determinações da Aneel. A missão da empresa será reorganizar e dar estrutura à Asmae.
"O maior desafio é entender o mercado e os contratos realizados entre os agentes", completa o sócio-diretor.
Contabilização – Quanto ao processo de contabilização das transações realizadas no MAE, Madeira diz não garantir que os registros sejam finalizados nesses dois meses. Segundo ele, existem algumas pendências que ainda precisam ser resolvidas, como, por exemplo, o Anexo 5. Uma das alternativas, diz, seria fechar a contabilização mesmo com esses problemas. Isso significaria, porém, que os registros correriam o risco de serem refeitos. A hipótese de fechar os registros sem a resolução do Anexo 5 já havia sido cogitada pelo presidente do Conselho do Mae (Comae), Lindolfo Paixão. "As discordâncias terão de ser resolvidas entre os agentes do mercado", diz Paixão.
O sócio-diretor do Monitor Group confirmou que as primeiras contabilizações referente ao período de julho de 1999 a agosto de 2000 saem esta semana.
Inicialmente, estava previsto para ser divulgado hoje, mas já foi mudado para amanhã, segundo Madeira. Segundo ele, a consultoria está avaliando todas as pendências observadas no processo de contabilização. Juntas, todas os problemas representam 1% do valor total da contabilização, diz. "Foram realizadas muitas contabilizações, mas nenhuma foi oficial", comenta. Estadão 13/9