Quem tem razão Elio Gaspari ou Francisco Gros? Por que o gás boliviano é pago em dólares? urto de dólares, bem que o Governo poderia pensar em abrir a discussão da mudança da forma de pag …

Quem tem razão Elio Gaspari ou Francisco Gros?


Por que o gás boliviano é pago em dólares?

urto de dólares, bem que o Governo poderia pensar em abrir a discussão da mudança da forma de pagamento da energia que compra ao Paraguai e do gás que começou a comprar da Bolívia. Nos dois casos, cumprindo acordos internacionais, paga a mercadoria em dólares. A energia paraguaia de Itaipu custa US$ 350 milhões por ano. O gás sai por US$ 84 milhões e em 2007 deve chegar a US$ 300 milhões.


Duas razões fazem com que seja razoável comercializar uma mercadoria em dólares. Se o comprador não tem uma moeda confiável (o Brasil anterior ao real) ou se a mercadoria pode ser vendida em qualquer lugar (um anel de brilhante). A parte paraguaia da energia de Itaipu pode ser vendida num mercado muito restrito. Já o gás boliviano só pode ser vendido ao Brasil. Ou seja, vale o que o Brasil paga ou não vale nada.


Pagar esse gás em dólares é um absurdo. Primeiro, porque revela que o Governo brasileiro não tem confiança no real. Segundo, porque introduz no sistema de preços das matérias-primas um elemento de indexação sobre o qual o país não tem e jamais terá qualquer controle. Um metro cúbico de gás boliviano consumido por brasileiros poderá custar mais caro por conta de fatores que têm a ver com uma moeda cujo valor independe da economia dos países que fizeram a transação.


É justo que os bolivianos queiram receber em dólares, até para que possam usá-los para comprar mercadorias em outros países. É justo também que não estejam dispostos a rever um contrato assinado por negociadores brasileiros. Não é justo que a economia brasileira tenha que carregar uma anomalia por conta de burocratas que negociaram um preço para o gás, quando a única relação que têm com essa mercadoria está no uso dos isqueiros.


Em Itaipu o Brasil foi feito de gato e sapato pelo então ditador do pedaço, o paraguaio Alfredo Stroessner. Com a Bolívia foi burrada mesmo. Em vez de sair pelo mundo alugando embaixadas, o Itamaraty poderia começar a pedir as renegociações dessas faturas em dólar. Tanto a energia quanto o gás poderiam ser pagos em reais indexados ao câmbio. Poderia também ser discutido um outro sistema de indexação, acompanhado de um gatilho cambial que não criasse riscos para os paraguaios e os bolivianos. Há dezenas de fórmulas possíveis, mas até hoje ninguém falou nesse assunto, apesar de o sistema vigente ser o único que escorcha o Brasil e desmoraliza o real. Fonte Globo 29/10


Consumidor vai pagar por risco cambial de termelétricas, diz Gros

Rio, 25 – O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Francisco Gros, admitiu ontem a possibilidade de o consumidor de energia elétrica ter que pagar aumentos de custos da eletricidade produzida por usinas termelétricas por conta de futuras desvalorizações do real. "Em última instância, quem paga é o consumidor ou o contribuinte", disse Gros, após afirmar que uma das possíveis soluções para o impasse sobre prováveis aumentos de custos das termelétricas pode ser "algum tipo de repasse".


Essa solução já foi defendida pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, mas enfrentou forte resistência. A relação entre os custos das termelétricas que o governo pretende que o setor privado construa para evitar risco de blecaute nos próximos anos e a alta do dólar em relação ao real é que, segundo cálculos do BNDES, cerca de 70% dos custos das usinas serão em moeda estrangeira. Eles correspondem à compra do gás que vai mover as turbinas, que é importado, e à aquisição das próprias turbinas.


Para cobrir esses gastos, os interessados em fazer as termelétricas precisam se financiar no exterior, já que o BNDES só financia equipamentos nacionais. Para emprestar em dólares, os bancos querem que as termelétricas tenham receitas também em dólares. Na semana passada o ministro Tourinho disse que o BNDES estava estudando a criação de um fundo, com recursos dos próprios donos das futuras termelétricas, para cobrir as variações cambiais. Ontem, Gros disse que, por enquanto, o fundo não passa de "uma idéia". Gros disse que o BNDES, a Petrobras e a Eletrobrás estão juntando suas experiências para examinar uma saída para o impasse. Segundo ele, "por enquanto há mais dúvidas do que certezas no setor de termelétricas, com exceção dos projetos apoiados pela Petrobras. O presidente do BNDES acrescentou que as chuvas que têm caído nos últimos meses reduziram consideravelmente o risco de colapso no abastecimento de energia elétrica, dando ao país mais tempo para encontrar uma saída. Fonte: Folha Online


Como sempre Elio Gaspari acerta na mosca! A idéia da dolarização da tarifa das termelétricas é uma agressão ao bom senso e ao povo brasileiro.








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