Consumo de energia ainda é baixo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O consumidor está economizando energia mesmo com o fim do racionamento. A redução no consumo após o racionamento chegou a 15,5% na região Nordeste no mês de março, comparado com março de 2001, quando as restrições ao consumo de energia ainda não estavam em vigor.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a economia espontânea de consumo em março ficou em 13,3%, comparado com o mesmo mês do ano anterior.
A redução no consumo ficou acima das expectativas do setor elétrico. Estimava-se uma redução de consumo próxima de 10% logo após o fim do racionamento. Até o final do ano, acreditava-se, a economia dos consumidores deveria provocar uma redução de 7% em relação ao que havia sido projetado como consumo antes do racionamento.
Houve aumento de consumo de energia se a comparação for feita entre os meses de fevereiro – até quando vigorou o racionamento – e março deste ano. Na região Nordeste, o aumento foi de 2,4% e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, de 7,1%. Os meses de fevereiro e março, no entanto, têm consumo diferente de energia por causa dos feriados de Carnaval.
De acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), em março de 2002 o consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste foi de 24.518 MW médios. No mesmo mês do ano passado, o consumo havia sido de 27.778 MW médios.
Na região Nordeste, em março deste ano foram consumidos 5.356 MW médios e, no mesmo mês do ano passado, o consumo foi de 6.186 MW médios.
Na região Sul, onde não houve racionamento de energia, a redução de consumo em março de 2002 comparado com março do ano passado foi de 3,4%. Entre fevereiro e março deste ano, houve aumento de consumo de 4,9%.
Reservatórios
Apesar do "veranico" – período de seca e calor na estação chuvosa-, o nível de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas continua acima do previsto pelo governo.
De acordo com o ONS, os reservatórios da região Nordeste estavam no domingo com 63,78% de sua capacidade -13,78 pontos percentuais acima do esperado. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios estavam com 70,14% -18,14 pontos percentuais acima do projetado.
Com os reservatórios mais cheios do que o esperado, não deverá haver uso da energia emergencial contratada pelo governo para evitar racionamentos até 2005. Desde março, no entanto, os consumidores estão pagando R$ 0,0049 por kWh/mês na conta de luz para que as usinas fiquem alugadas pelo governo e prontas para gerar energia, caso seja necessário suprir a demanda.
O custo com a geração emergencial será pago pelos consumidores mesmo com os reservatórios cheios o suficiente para atravessar o período seco (maio a novembro) sem risco de falta de energia. Se houvesse geração nessas usinas, os consumidores pagariam ainda mais.