Tudo é imposto…

É o óbvio! Se a meta do superávit primário continua intocada e se retira dessa conta os investimentos das estatais, outras atividades do chamado setor público terão que compensar o expurgo. Talvez se feche a conta com um pouco menos de saúde, educação, segurança, quem sabe? O que os analistas abaixo não reconhecem é que os recursos de investimentos das empresas públicas não são recursos do governo. SÃO DO CONSUMIDOR!!!! A tarifa de energia elétrica paga o consumo e tem que garantir a continuidade do suprimento, daí o investimento. É assim em qualquer parte do mundo. Tratar tudo como se fosse recurso do governo é assemelhar tarifa a imposto. Afinal, nossa subserviência já chegou ao ponto de não termos o direito de saber o que estamos pagando?



Para analistas, mudança de cálculo não resolve (Estado de São Paulo 28/04)

O problema não é a contabilidade do gasto, mas a capacidade da caixa do País





A mudança no cálculo do superávit primário para excluir os investimentos em infra-estrutura terá poucos resultados na economia, segundo especialistas.


“O problema não é a forma de cálculo, mas a capacidade de caixa que o País tem para pagar suas dívidas sem precisar de financiamento”, argumenta a presidente da Standard & Poor’s do Brasil, Regina Nunes. Para ela, essa fórmula proposta não altera as necessidades de capital do País, as receitas, os gastos e os pagamentos a serem feitos.


A economista da FGV-SP Eliana Cardoso, ex-assessora do FMI e do Banco Mundial, também não se entusiasmou com a idéia. Segundo ela, a dificuldade maior é que o País ainda não dispõe de uma âncora de confiabilidade. “A única forma pela qual o superávit fiscal permite uma redução da relação dívida-PIB é ter credibilidade para que o governo possa reduzir a taxa Selic.”


Eliana afirma que, se for analisado o comportamento do superávit primário e da dívida em relação ao PIB nos países que conseguiram efetivamente reduzir essa relação, como Itália, Grécia e Irlanda, o exemplo brasileiro não é animador. Ela lembrou que, durante algum tempo, esses países fizeram superávits primários cada vez maiores sem reduzir a relação dívida-PIB.


Passaram então a adotar forte austeridade fiscal, o que possibilitou a credibilidade em suas respectivas políticas monetárias. “A dívida só veio a cair no momento em que a taxa de juros real foi reduzida”, ressaltou. “No Brasil, é muito improvável que vejamos queda da relação dívida PIB antes que a taxa de juros real caia.”


Para a presidente da S&P, A mudança do cálculo não altera a visão de quem analisa riscos.”A S&P tem sua metodologia e não vai retirar os gastos com infra-estrutura quando calcular o caixa do País.” (Renée Pereira e Melchíades Cunha Júnior)

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