Se o planejamento do sistema elétrico brasileiro não tivesse sido a maior vítima da desconstrução da década de 90, nem o absurdo de térmicas sem combustível, nem o remédio amargo que está sendo imaginado como solução emergencial trariam perigo. Entretanto, como se sabe, já há tempos em que o sistema padece de um descompasso entre investimentos em transmissão e a ampliação do parque gerador. Apesar dos recentes investimentos em linhas novas, ainda não se tem a possibilidade de se tratar os sistemas Nordeste, Sudeste, Sul e Norte como único mercado. A solução de se utilizar as térmicas do sudeste para reservar mais água no Nordeste pressupõe a existência de um fluxo de energia de grande porte entre as duas regiões que a linha Norte – Sul ainda não suporta. Na realidade, ressente-se a perda da característica de monopólio natural que se abateu sobre o sistema. O tragicômico é que esse desmonte se fez em nome da quase endeusada concorrência que, até agora, tal como foi implantada, só trouxe aumento de tarifa.
Tão importante quanto a solução do problema físico é o impacto sobre os preços de curto prazo do MAE dessa decisão. Afinal, qual o preço de curto prazo que justificaria a super-utilização de térmicas do sudeste? Como justificar essa decisão com o MWh valendo R$ 18,00?
Problemas e custos do sistema depois da implantação do sistema mercantil…. Vale a pena tambem meditar esse assunto sob a ótica do critério de garantia e o custo do déficit.
Solução para despacho térmico no Nordeste está com Aneel, diz Petrobras
Acordo em análise no órgão regulador prevê transferência de energia termelétrica gerada na região Sudeste
Oldon Machado e Fábio Couto, da Agência CanalEnergia, Mercado Livre
5/10/2004
Está nas mãos da Agência Nacional de Energia Elétrica o parecer final sobre a proposta da Petrobras para garantir o fornecimento de energia pelas termelétricas da região Nordeste, que não podem ser despachadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico em decorrência da falta de gás natural. A solução proposta prevê a utilização das térmicas do Sudeste, cuja energia gerada seria transferida para o Nordeste através da malha de transmissão do sistema interligado.
A proposta, além de procurar resolver a pendência em torno da impossibilidade de utilização das termelétricas, também poderá funcionar como uma forma de poupar água dos reservatórios das hidrelétricas nordestinas. O diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, afirmou que a decisão de aprovar ou não o acordo depende do órgão regulador. Segundo ele, a idéia foi desenvolvida após diversos debates entre Petrobras, Aneel, ONS e Ministério de Minas e Energia.
“Fizemos a proposta formal à Aneel na semana passada, e aguardamos um posicionamento”, ressaltou Sauer, ao participar do Rio Oil & Gas, no Rio de Janeiro. A solução em análise na Aneel visa a garantir o lastro físico para as usinas Termopernambuco, Termoceará, Termofortaleza, Termobahia, Camaçari e Fafen (BA). Segundo o diretor, dos 22 milhões de metros cúbicos de gás importados diariamente da Bolívia, 6 milhões atendem às usinas da Petrobras em outras regiões do país.
O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Mario Santos, afirmou na semana passada que não há impeditivo técnico para que a Petrobras despache energia termelétrica do Sudeste para gerar lastro físico no Nordeste. O Sudeste, disse ele, está enviando 289 MW pela interligação com o Nordeste, quando a capacidade de envio permite despacho de 1 mil MW. “Estamos na melhor situação hidrológica dos últimos sete anos”, comemorou o diretor do ONS.
Caso a decisão seja adotada, o despacho da energia será equivalente à diferença entre o lastro físico reconhecido pela Aneel para as termelétricas e a soma da potência das usinas – aproximadamente 700 MW, segundo informou recentemenrte ao Portal CanalEnergia.com.br o diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo.