O ILUMINA tem a dizer o seguinte: Ao contrário da informação que foi propalada no racionamento, essa situação de perigo no suprimento não chega sem aviso. Não dá para dizer que não sabia. Em 1997 os custos marginais de operação já estavam altos. Isso quer dizer que a partir daquele ano já se estava dependendo da boa vontade de São Pedro. Ele foi benevolente, pois, só perdeu a paciência em 2001. Então, ao invés de olhar o sinal vermelho, horizonte onde não haverá energia, que tal olhar o sinal amarelo? O ILUMINA, conscientes dos riscos das previsões, diz que o sinal amarelo acende lá pelo meio de 2006. Mantidas as atuais condições, o custo marginal de operação médio sobe bastante.
Especialistas vêem riscos não desprezíveis em 2008 (Valor 30/11/04)
Do Rio
Os riscos de a oferta de energia em 2008 e 2009 ser menor do que a demanda não são desprezíveis na opinião do ex-presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa. Mas ele é cauteloso, lembrando que se toda as obras licitadas ficarem prontas, assim como as usinas do Proinfa, haverá folga para além desse período. Até lá, segundo ele, as empresas terão que pensar em como vender energia até 2006.
O ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, diz ter notado que não existem grandes projetos de geração fora os empreendimentos dos auto-produtores, como Barra Grande, Foz do Chapecó e a própria Estreito, que têm apenas uma geradora como sócia, a Tractebel. “Só os auto-produtores estão investindo e imagino que os outros grandes projetos terão que ser feitos pelas estatais”, diz ele.
Segundo Pinguelli, que voltou à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a questão que mais deve preocupar no momento é o preço da energia nos próximos leilões. Para ele, o grande teste do novo modelo será o leilão de energia nova. “Ele é que vai garantir a expansão e o preço não pode afundar agora para não desestimular o investimento”, completa.
“O problema é que o otimismo da economia é o pessimismo elétrico. Quando a demanda cresce muito, é mais difícil atendê-la. E se o mercado de energia cresce lentamente, significa que a economia não vai bem”, conclui Pinguelli.
Já para o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), os riscos de faltar energia até o final da década não são desprezíveis. “Estamos com uma espada na cabeça. Se o PIB do Brasil crescer 4,5% a 5% por ano o consumo de energia elétrica crescerá entre 6% e 7%. Isso é preocupante, pois com as regras do jogo não vejo os investidores participando dos leilões de energia velha e nem de energia nova”, afirma.
Segundo Pires, se as usinas privadas atrasarem, o governo não terá tempo de colocar as estatais para investir. E daí, supõe Pires, talvez o governo Lula precise que a Petrobras invista fortemente em energia termoelétrica, como no governo passado. Mesmo assim, ele vê um outro inconveniente de risco. “Não vai ter gás para isso, porque não se terão construído os gasodutos”. (CS)