O Megaleilão pode ser uma mega renúncia à renda por parte do estado brasileiro. Independente do resultado, só o fato de que, numa singela oportunidade, se coloca em risco uma disputa sobre a renda do setor público pelos próximos 8 anos, já seria suficiente para ficarmos preocupados. Como sempre, são principalmente as empresas públicas que entram com o “rabo entre as pernas” nessa festa. Até o Banco Pactual sabe como a vantagem da energia velha de FURNAS foi anulada pelos discutíveis contratos e projetos que a empresa foi obrigada a assinar no passado. Até o Pactual já sabe calcular o custo do serviço para saber que o resultado desse leilão pode gerar rentabilidades injustas, porque, ou muito altasou muito baixas. O leilão de amanhã é apenas mais uma manifestação de uma freudiana relação da elite com o estado brasileiro que lá no seu subconsciente diz: O nosso estado não tem recursos, não tem eficiência, e não vale a pena recuperá-lo. Vamos arriscar deixá-lo ainda mais sem recursos!
Megaleilão vai movimentar R$ 120 bilhões em oito anos – Valor 6/12
Cláudia Schüffner Do Rio
O leilão de energia existente que será realizado amanhã “” />
Tanto rigor se explica. Em estudo do banco Pactual distribuído na semana passada, os analistas estimam que a soma total transacionada corresponderá a aproximadamente R$ 120 bilhões, medidos com base nas tarifas de janeiro de
Para se ter uma idéia do valor desses contratos, o governo arrecadou US$ 22 bilhões (R$ 59 bilhões), com a venda das empresas do grupo Telebrás. Já o leilão de energia “velha”, onde não será vendido nenhum ativo, poderá resultar em desembolsos anuais de R$ 15 bilhões. E esse montante não inclui os reajustes das tarifas, que serão corrigidas pelo IPCA .
O Pactual estima que a demanda das distribuidoras no leilão será de aproximadamente 22,9 mil MW, menos que a oferta estimada em 26,2 mil MW pelas geradoras. Com isso, haverá uma sobra de 3,3 mil MW de energia mais cara.
Quanto aos preços, o analista Pedro Batista, um dos autores do relatório, diz que se as empresas não fixarem um valor correto estarão comprometendo sua geração de caixa futura. Um bom exemplo é Furnas, controlada pela Eletrobrás. O preço médio atual dos contratos da geradora é de R$ 92,50. Maior comercializadora do país, Furnas adquire 40% da sua energia de outras usinas como Serra da Mesa, Cien e da Eletronuclear. “É uma pressão de custos muito grande e se ela vender muito abaixo terá prejuízo por oito anos”, alerta Batista.
Se é responsável sozinha por cerca de 27% da energia que será ofertada no leilão, Furnas tem ativos ainda não depreciados, como mostra o Pactual, contrariando opinião corrente de que a geração hídrica estatal já amortizou seus investimentos. No caso da Eletrobrás, apenas 34% dos ativos estão amortizados. Já nas suas subsidiárias, segundo o banco, esse percentual é de 31% em Furnas; 37% na Eletronorte; e 33% na Chesf. Com base nesses cálculos, o preço “justo” da energia de uma nova planta foi estimado em R$ 109 por MW.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) informou que 53 empresas se habilitaram para o leilão, sendo 35 compradoras e 18 vendedoras.