SANGRIA BRASILEIRA |
O aperto fiscal promovido pelo governo bateu recorde pelo segundo mês seguido. Em abril, União, Estados, municípios e estatais economizaram R$ 16,335 bilhões para pagar juros. Foi o valor mais alto registrado no país desde 1991, quando o Banco Central adotou a atual metodologia. O chamado “superávit” primário acumulado entre janeiro e abril ficou em R$ 44,012 bilhões, o equivalente a 7,26% do Produto Interno Bruto (PIB). Os valores superaram, com folga, a meta de R$ 33,780 bilhões fixada pelo Governo Federal para o período. Em 2005, o objetivo é fazer com que a economia do setor público chegue a R$ 83,850 bilhões, ou 4,25% do PIB. O dinheiro economizado em abril foi mais do que suficiente para cobrir os gastos de R$ 13,278 bilhões com encargos da dívida pública no período. Isso significa que, considerando todas as receitas e despesas – incluindo os juros – o setor público obteve, no mês passado, um saldo positivo de R$ 3,5057 bilhões. Foi o primeiro superávit nominal alcançado desde abril do ano passado. Os números do quadrimestre, no entanto, ficaram negativos. Entre janeiro e abril, os gastos com juros da dívida pública somaram R$ 51,183 bilhões, 24% maior que o registrado no primeiro quadrimestre de 2004. Como o “superávit” primário não foi suficiente para compensar essa despesa, União, Estado, municípios e estatais juntos, acabaram com um déficit nominal de R$ 7,171 bilhões. O IBGE divulgou ontem que, na comparação com o último trimestre de 2004, a agropecuária foi o único setor de atividade que cresceu, com 2,6%. Os demais apresentaram variações negativas: indústria (-1%) e serviços (-2%). O presidente do BNDES, Guido Mantega, advertiu que se a taxa de juros continuar subindo, irá comprometer a taxa de crescimento este ano. (Folha de S.Paulo/Globo On Line/Tribuna da Imprensa/AEPET Direto) Comentário O Brasil saiu do FMI mas continua a aplicar, até de forma mais severa, o receituário neoliberal. Os sinais negativos na economia já começaram a aparecer. A consequência mais imediata desse aperto é que se deixa de aplicar essa quantia economizada, em programas paradiminuir a enorme desigualdade social que existe no Brasil. Aliando esse fato com a manutenção e até aumento dos juros vê-se que o governo privilegia o capital em detrimento dos programasque ajudam o crescimento da economia e geram empregos. |