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Além da CPI dos Correios, avolumaram-se indícios de que em outras estatais, como IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), Furnas, Infraero e Eletronuclear, há loteamento político de cargos, tráfico de influência e favorecimentos de aliados do governo.
A revista “Veja” desta semana mostra como o corretor de seguros Henrique Brandão, amigo íntimo do líder do PTB na Câmara, deputado Roberto Jefferson (RJ), foi beneficiado por contratos milionários a partir de indicações das diretorias da Infraero e de Furnas junto ao IRB. O mesmo esquema de tráfico havia sido revelado na quinta-feira pela Folha em relação à Eletronuclear.
JB On Line 3/6
Ouvido como testemunha, Duarte negou ter deixado o cargo devido a pressões para que arrecadasse uma mesada mensal de R$ 400 mil para o PTB por meio de operações administrativas irregulares. A afirmação consta de reportagem publicada pela Veja há duas semanas. Segundo a revista, o corretor, falando em nome do deputado teria exigido pagamento da mesada. A Veja reafirmou as declarações e disse que a entrevista com Duarte foi gravada.
No depoimento, Duarte negou ter sofrido pressão de Jefferson ou de Brandão. Atribuiu sua opção por deixar o cargo a uma decisão pessoal. Funcionário de carreira do IRB, estava aposentado e discordava da condução dada ao instituto, de seguir como o detentor do monopólio de resseguros no mercado brasileiro.
Duarte disse que não há obrigatoriedade de realizar licitações para contratação de seguros e também que é direito da empresa segurada indicar o corretor de sua preferência. Assim, não caberia ao IRB e sim às seguradas a responsabilidade última por repassar negócios à Assurê de Brandão.
Como a contratação da Assurê pela Infraero, Eletronuclear e Furnas se tornou pública pela imprensa, os dirigentes responsáveis pelas operações nessas empresas serão os primeiros a depor. A PF pedirá à Controladoria Geral da União que faça uma auditoria nos contratos dessas empresas para verificar outras indicações suspeitas de corretoras.
Acompanhado de seu advogado José Araújo, Duarte deixou a sede da PF em Brasília sem dar declarações. Segundo Araújo, a reportagem é uma ”fantasia”. O advogado disse ainda que a mesada ”não existe, nunca houve esse debate. Não houve nenhum pedido direto a ele”. No depoimento, Duarte disse que o deputado pediu a ele que nomeasse dois funcionários para o IRB. O pedido teria sido negado mediante a explicação de que o instituto só trabalha com servidores concursados.
O ex-chefe do Departamento de Contratação de Material e Serviço dos Correios Maurício Marinho será convocado para novo depoimento. A PF acredita que Marinho sabe mais do que falou e não teria colaborado para descobrir os responsáveis pela gravação na qual ele aparece recebendo um suposto pagamento de propina de R$ 3.000.
Na gravação, Marinho descreve o que seria um esquema de corrupção nos Correios, patrocinado pelo deputado Jefferson, do qual também participariam Antônio Osório, ex-diretor de Administração da empresa, e Fernando Godoy, seu ex-assessor executivo.
A Polícia Federal pediu à Justiça a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos três. Em depoimento, Marinho disse que as afirmações que fez na gravação foram ”bravatas”.
Comentário
O ILUMINA mantém a sua intransigente defesa da éticanos cargos públicos. Élamentável ver dirigentes de nossas estatais suspeitos de envolvimento com irregularidades e citados nas páginas policiais.
Defendemos a apuração completa dos fatos e a punição para os culpados. Basta de impunidade.