Carvão avança na matriz energética






Governo gaúcho quer ampliar uso de carvão na geração



Ao mesmo tempo em que o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), faz campanha pela ampliação da presença do carvão mineral na matriz energética brasileira, empresários do setor no Estado reforçam o coro dos investidores descontentes com o preço máximo de R$ 116 por megawatt hora (MWh) estabelecido pelo governo federal para o leilão de energia nova no dia 16 de dezembro. A avaliação é que o valor será insuficiente para remunerar os investimentos em novas usinas térmicas e deve ser revisado pelo Ministério das Minas e Energia (MME).


“O preço precisa ficar acima de R$ 130 (o MWh) para garantir rentabilidade”, disse ontem o diretor superintendente da Copelmi Mineração, Carlos de Faria, que participou de uma visita organizada por Rigotto à mina subterrânea Leão 2, no município de Minas do Leão. A jazida foi arrendada do governo estadual pela Carbonífera Criciúma em 2002 e entrará em operação se a empresa catarinense obtiver, no leilão do dia 16, contratos de fornecimento de energia para concluir a termoelétrica Jacuí I, em Charqueadas, cujas obras estão paradas desde o início dos anos 80.


Junto com a construtora Andrade Gutierrez e a americana MDU Resources, a Copelmi tem um projeto de US$ 830 milhões para a construção da termoelétrica Seival, em Candiota, com potência de 500 MW. Já a usina Jacuí I foi planejada para produzir 350 MW com investimentos de US$ 200 milhões e parceria da alemã CCC Machinery, mas só participará do leilão se a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aceitar o recurso da Eleja, empresa responsável pelo projeto, que atrasou em algumas horas a entrega da documentação necessária, na semana passada.


No total, quatro projetos de usinas térmicas no Rio Grande do Sul poderão disputar o leilão de energia nova. Além de Seival e Jacuí, há a terceira fase da usina Presidente Médici, em Candiota, que pertence à estatal federal CGTEE mas também está com as obras paralisadas há quase 25 anos e poderá receber aportes de US$ 285 milhões da chinesa Citic International para ampliar a potência instalada local de 446 MW para 796 MW. O último é o CTSul, em Cachoeira do Sul, que ainda depende de licenciamento ambiental mas prevê a produção de 650 MW com investimentos de US$ 760 milhões também bancados por capitais chineses.


“Nunca estivemos tão perto de ter mais carvão na matriz energética brasileira”, disse Rigotto.


Segundo ele, a participação atual da matéria-prima na geração de energia no Brasil é de apenas 1,2%, contra cerca de 40% na média mundial. O Rio Grande do Sul detém 89% das reservas nacionais de carvão mineral, que são suficientes para gerar 18,6 mil MW durante cem anos. O restante está em Santa Catarina (10,5%) e no Paraná (0,5%).

(S.Bueno, Valor,RS)

Categoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *