Petrobras reduz volume de gás boliviano
A Petrobras tirou três termelétricas de operação e reduziu o consumo de suas refinarias no Sudeste para compensar a redução de 5 milhões de metros cúbicos/dia das exportações de gás da Bolívia para o Brasil. Com isso, as importações de gás, que estavam na faixa de “” />
Comentário
A integração energética Regional é importante, mas também precisa ser planejada sob um ponto amplo, não somente técnico, incluindo os aspectos político-estratégicos!!
No momento em que uma linha de transmissão ou um gasoduto ultrapassam os limites da fronteira brasileira, eles deixam de ser um problema da empresa responsável pela interligação (Petrobras, por exemplo) e passam a ser uma questão de Estado.
Esse acidente na Bolívia, agravado pelas manifestações que acarretaram atraso na recuperação dos dutos, deve servir de alerta! Ele, só não foi mais grave, porque nossa matriz energética não tem um grande percentual térmico movida à gás (que estão tentando nos empurrar goela abaixo), e estamos em um período de alta hidraulicidade (reservatórios das usinas hidrelétricas cheios de água). Em caso contrário, as proporções poderiam ter sido desastrosas para o Brasil.
Um problema muito sério pode vir a ocorrer, caso o gás boliviano (quem sabe no futuro o gás venezuelano) venha a abastecer uma fatia significativa de nosso mercado, e por um problema qualquer (manifestação de cocaleiros, etc) a molécula (do gás) não atravesse a fronteira para o lado brasileiro.
Atualmente, aproximadamente 15% da economia brasileira está sendo movida por energia/energéticos provenientes de países vizinhos (lado paraguaio da UHE Itaipu, gás boliviano, etc). Paralelamente, o governo fala em construir um gasoduto de 150 milhões de M3 /dia com a Venezuela (esse gasoduto, poderia alimentar uma termelétrica de aproximadamente 30.000 MW de potência instalada, ou seja, metade da demanda brasileira). Isso está sendo planejado sob um ponto de vista estratégico pelo governo brasileiro?
Outra questão: o Brasil não pode fechar os olhos para potencial hidráulico da região norte e para o domínio da tecnologia nuclear, desenvolvida nas últimas décadas com um alto custo para a sociedade brasileira. Ademais, essas são formas de geração de energia em larga escala (necessária para o atendimento do crescimento do PIB brasileiro).
Contrariamente a diversos outros países no mundo, o Brasil tem o potencial energético necessário para atender sua demanda, podendo assim se valer dos intercâmbios energéticos internacionais visando à modicidade tarifária e a sinergia entre os sistemas. Sem nunca perder de vista que uma integração energética segura só se faz com interdependência entre os países envolvidos.
Enfim, a sociedade brasileira espera ansiosamente, por uma política energética estratégica de ESTADO!