Bolívia e Petrobrás retomam negociações / Gasbol

Petrobras retoma hoje negociação com vice-presidente da Bolívia


O presidente da Petrobrasvai hoje cobrar do governo boliviano a retomada das negociações sobre as conseqüências práticas da nacionalização da exploração do petróleo, anunciada em maio. Gabrielli participa do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros brasileiros o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera. Segundo o presidente da Petrobras, os bolivianos suspenderam unilateralmente, em junho, as discussões técnicas.


O Brasil apresentou propostas e espera respostas ” , afirmou. ” Acho possível encontrar uma solução negociada ” .


Depois que o governo boliviano baixou o decreto que nacionaliza os ativos das petroleiras, Petrobras e YPFB, a estatal boliviana que gere os ativos das petroleiras, concordaram com a formação de um grupo técnico, dividido em quatro comissões, para discutir o futuro das áreas de investimento da estatal brasileira naquele país.


Segundo o presidente da Petrobras, apenas a comissão encarregada de discutir o reajuste de preços do gás natural comprado pelo Brasil tem se reunido. Após quatro encontros desta comissão – que terminaram em impasse – os técnicos dos dois países marcaram para o dia 14 de setembro a próxima rodada de negociações.


Três outras comissões, que discutem como a indenização que cabe à Petrobras pelos 51% de participação em duas refinarias nacionalizadas pela Bolívia, tiveram uma única reunião, em La Paz.


De acordo com o decreto boliviano, as petroleiras terão um prazo de 180 dias para se adaptar às novas regras da exploração de petróleo naquele país. Após este prazo, que termina em novembro, os ativos das empresas petroleiras passarão automaticamente para as mãos do Estado.


O ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andres Soliz Rada, acusou recentemente a Petrobras de ser a “responsável” pelo atraso na nacionalização boliviana, já que a empresa brasileira não aceita discutir mudanças na fórmula de cálculo do reajuste do gás vendido ao país. A Bolívia conta com os recursos deste reajuste para colocar em funcionamento da YPFB, estatal criada para gerir as petroleiras nacionalizadas.


(I.Moreira,Valor)


Falta de expansão do Gasbol limitará crescimento do consumo no Sul


O gasoduto Bolívia-Brasil está perto de atingir sua capacidade máxima de transporte de gás natural: 30 milhões de metros cúbicos por dia. O diretor-superintendente da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), Ricardo Salomão, estimou ontem que a plena capacidade de transporte será atingida no fim deste ano. A situação deverá frear o consumo em algumas regiões.


A conjuntura na Bolívia está fazendo com que o sistema chegue à sua capacidade máxima sem que haja novas previsões de investimentos em expansão. Segundo Salomão, ainda não há data para a retomada da execução de projetos.


Para o superintende da TBG, a situação na Bolívia por enquanto não permite uma visibilidade do futuro próximo. Neste momento, há somente idéias de projetos, mas nada está sendo executado. Hoje, explica Salomão, a situação é de um mercado que está demandando gás natural no Brasil. Porém, não há a garantia de suprimento para toda essa demanda, embora já estejam ocorrendo investimentos pesados da Petrobras na Bacia de Campos, Santos e no Espírito Santo para diminuição da dependência do gás da Bolívia.


Salomão acredita, no entanto, que a situação será normalizada porque há negociações em andamento e a conjuntura não só prejudicaria o Brasil, como também na sua visão, seria um grande problema para a Bolívia uma eventual interrupção do fornecimento.


Sem investir em expansão e chegando à capacidade total, a TBG tem focado na manutenção dos dutos e prevenção de acidentes. De acordo com Salomão, os treinamentos e recursos destinados à manutenção serão cada vez maiores por conta da aproximação do limite de capacidade. Ele explica que na região Sul, que depende do gás da Bolívia, os recursos destinados à manutenção neste ano devem somar R$ 15 milhões. No ano passado, eles foram de R$ 12 milhões. Já para 2007, a previsão é aumentá-los para 18 milhões.


A chegada à plena capacidade também está levando a TBG a investir US$ 9 milhões na compra de novos equipamentos. Ao chegar no limite, o sistema necessita que existam máquinas reservas para sua confiabilidade. Há cidades como Corumbá, no Centro-Oeste, por onde também passa o gasoduto, onde os equipamentos existentes já estão operando em plena capacidade.


V.Jurgenfeld, Valor

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