Arestas no agronegócio do biodiesel

“Entraves” no programa do biodiesel


Falta de sementes de mamona para atender produtores do Nordeste; problemas na distribuição; projetos em andamento que gerarão oferta maior que a demanda prevista para 2008.


Estas são algumas das arestas que o governo federal precisa aparar para que o programa nacional de biodiesel deslanche sem entraves.


De acordo com dados da Embrapa, será necessário cultivar 300 mil hectares de mamona para atender à demanda de biodiesel da Petrobras. A estatal constrói três usinas – em Quixadá (CE), Candeias (BA) e Montes Claros (MG) – que, juntas, processarão 50 mil toneladas de óleo vegetal por ano. Hoje, a oferta de sementes de mamona atende metade dessa demanda. A Embrapa implantará um programa de produção de sementes básicas para estimular o plantio no Nordeste, onde a mamona é carro-chefe do programa.


Na área de distribuição, houve problemas com os prazos de entrega do biodiesel contratado primeiro leilão da Petrobras. As empresas deveriam enviar 20% dos 70 milhões contratados em maio, mas o prazo foi alterado para agosto. Diego Ferrés, sócio-diretor da Granol, observou que as empresas dependiam de autorização da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Mas, durante meses, a agência deixou de conceder autorizações por falta de diretores em seu colegiado. “O Congresso demorou para sabatinar as pessoas que preencheriam os cargos“, disse Ferrés.


Nesta quarta-feira, o presidente Lula participa em Brasília de encontro, promovido pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), para discutir problemas e oportunidades na área de biodiesel. A expectativa é que, durante o encontro, o governo federal anuncie o adiantamento dos prazos para a mistura de biodiesel no diesel.


C.Bouças, Valor

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