Projeção preocupante

Distribuidoras sinalizam conservadorismo em projeção de demanda, diz consultor
Projeção de crescimento pode ter sido de apenas 2,5%, estima Erik Rego, da Excelência Energética. Instituto Acende Brasil critica alta contratação térmica


Fábio Couto e Alexandre Canázio, da Agência CanalEnergia, Expansão
13/10/2006


A demanda contratada de 1.104 MW médios no leilão de energia nova, realizado no último dia 10 de outubro, pela internet, pode ser um sinal de conservadorismo das distribuidoras na hora de realizar as projeções para os próximos anos. Na avaliação do consultor da Excelência Energética, Erik Eduardo Rego, o valor sinaliza que as empresas não estão confiantes num crescimento mais acentuado da economia. Segundo ele, a demanda declarada de 1.243 MW médios indica uma projeção de crescimento de cerca de 2,5%.


Rego estima que este percentual de expansão na demanda está relacionado a um crescimento do Produto Interno Bruto de cerca de 1,5%. O valor declarado como demanda representa o crescimento de mercado que as distribuidoras estão projetando para 2011, data de início da entrega da energia negociada na licitação. No entanto, o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, avalia que o montante de pouco mais de 100 MW não contratados não chega a ser problema. O executivo concorda com a afirmação do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, de que essa energia não representaproblema de abastecimento.


Outro ponto observado pelo consultor da Excelência é a baixa atratividade de investidores. Na avaliação de Rego, o preço-teto fixado pelo governo não motivou os empreendedores a participarem do certame. “O preço-teto desmotivou interessados já na fase de publicação do edital”, analisou, acrescentando que o número de projetos habilitados pela EPE (107 empreendimentos) era superior ao total de empresas que apresentaram garantias à Agência Nacional de Energia Elétrica (45 usinas).


“Foram habilitados 9.013 MW médios, mas apenas 3.596 MW médios receberam a pré-qualificação. Isso representa 60% de queda”, destacou. Do mesmo modo, o preço-teto poderia ter permitido a negociação de mais uma outorga, avalia. De acordo com o consultor, o governo poderia incentivar a negociação de Barra do Pomba caso fixasse preço-teto mais elevado, da ordem de R$ 130 por MWh. “Seria melhor do que térmicas”, afirmou.


Já no caso das usinas botox, Rego disse que o leilão apresentou surpresas, como a contratação da energia de São Salvador (TO, 241 MW) e Salto Pilão (SC, 181 MW), usinas que apresentam valores do Uso do Bem Público muito elevado. No entanto, o consultor vê as chances de realizar negócios bem-sucedidos com o ambíente regulado se reduzirem no ano que vem, com os dois leilões programados para o ano que vem, quando deixa de existir, por lei, a figura do botox.


“É questão de custo de oportunidade”, destacou. Casos como Estreito (TO/MA, 1.087 MW) e Foz do Chapecó (SC, 855 MW), que têm UBP considerado razoável, observou, tiveram preço de partida muito baixo e Pai Querê (RS/SC, 292 MW) não ofertou energia na licitação. “O governo pode querer forçar queda nos preços, já que as botox têm medo de virar energia velha. No entanto há o argumento da necessidade de ofertar mais energia”, apontou.


Já Claudio Sales, doInstituto Acende Brasil, criticou a forte presença de empreendimentos térmicos no leilão A-5. Para o executivo, o Brasil não está aproveitando a sua vocação hídrica. “Se as hídricas fossem viabilizadas,o consumidor estaria pagando por uma energia maisbarata”, observou. Entre as novas outorgas, comentou, apenas as hidrelétricas de Mauá e Dardanelos tiveram concessão garantida na licitação. No entanto, o executivo considerou adequados os preços alcançados pelas usinas.


Para os próximos leilões, Claudio Sales pediu mais participação de empreendimentos hídricos e uma participação mais equilibrada das estatais. “Com as taxas de retorno de 8,1%, em alguns casos, dos leilões anteriores, os empreendimentos ficavam economicamente inviáveis. Isso acabou resultando em uma participação de 70% de estatais”.


Rego, da Excelência, destacou, porém que este leilão teve diferenças em relação ao último que ofereceu novas outorgas, em dezembro do ano passado. Na visão do consultor, as estatais tiveram comportamento mais racional neste último leilão A-5. Rego calcula taxa de retorno de 13% para os empreendimentos, que contaram com estatas nos dois consórcios. “O percentual é baixo em relação ao setor privado. Se não é o valor ideal para a iniciativa privada, também não perdeu a racionalidade”, afirmou Rego.

Comentários


Essa projeção do crescimento da economia brasileira é preocupante e contraria os discursos dosdois candidatos à presidência da República.


Por um lado nos traz a esperançade que a oferta de energia elétrica projetada e já contratada nos diversos leilõesrealizados, será suficiente paranão faltar energia elétrica. Por outro, traz uma grande preocupação, ade que o Brasil fique cada vez mais distanciado dos outros países, chamados emergentes, trazendo consigo o desemprego e agravando a situação social.


Vamos aguardar que as empresas distribuidoras tenham sidopessimistas emsuas previsões. Porém, se o crescimento da economia for mais acentuado, começaremos a ter problemas de abastecimento ou então seremos obrigados a gerar energia elétrica emergencial, mais cara.

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