União quer mais disputa em leilões do rio Madeira
Daniel Rittner, Valor
| O governo desenha um novo formato para os leilões das usinas hidrelétricas do rio Madeira, previstos para 2007. A idéia desenvolvida pelo Ministério de Minas e Energia é acirrar ao máximo a competição no setor privado e oferecer, ao consórcio que se comprometer com as menores tarifas de geração de energia e vencer as licitações, uma participação estatal para impulsionar a construção das usinas, por meio da |
| O que se busca é uma forma de superar eventuais obstáculos jurídicos para a entrada de subsidiárias da Eletrobrás ou do BNDES-Par no negócio somente depois dos leilões. Ambos possuem o mesmo status legal de empresas privadas no momento de participar de uma licitação. Por isso, o que se estuda é como viabilizar a participação das estatais não apenas em um consórcio específico, como a ensaiada aliança entre |
| Em fase de estudos, esse modelo para os leilões do Madeira tem dois objetivos principais. O primeiro é estimular a competição na busca por tarifas mais baixas e um custo de construção menor. |
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| As duas usinas – que serão licitadas separadamente – podem consumir investimentos de até R$ 20 bilhões, segundo os estudos de viabilidade econômica realizados por Furnas e Odebrecht. Sem dar pistas do novo formato de leilão em análise no governo, o ministro Silas Rondeau deu uma nova estimativa de custos, há duas semanas, na divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ele, a construção do complexo hidrelétrico poderia cair para algo entre R$ 12 bilhões e R$ 18 bilhões, por causa da competição. |
| O segundo objetivo do governo é afastar as críticas de que os leilões serão um jogo de cartas marcadas para entregar a concessão a Furnas e Odebrecht. As duas empresas fizeram em conjunto os estudos de viabilidade e de impacto ambiental das usinas do Madeira. A expectativa do mercado era que elas fossem juntas às licitações, mas isso pode acabar não acontecendo se o governo encontrar uma forma de oferecer apoio de estatais ao investidor privado que garantir os melhores preços nos leilões. |
| A Odebrecht já tem três parceiros prováveis para a disputa: as fabricantes multinacionais de equipamentos |
| Agora, um novo grupo de empresas nacionais e estrangeiras promete esquentar a disputa. O sócio-diretor da |
| O consórcio articulado por Pons tem outro participante de peso: a |
| Pons acrescentou que foram contratadas quatro equipes de engenheiros para “revisar” os estudos de viabilidade conduzidos por Furnas e Odebrecht. As equipes vão atuar nas áreas de engenharia civil, elétrica, mecânica e socioambiental. Uma vez concluída essa avaliação, o consórcio definirá até onde pode baixar as tarifas para ganhar a disputa. Pons só faz uma ressalva: “Se a tarifa resultante da nossa análise for superior ao que o governo está disposto a permitir, aí estamos fora”. |
| A primeira usina que irá a licitação é Santo Antônio, provavelmente em maio ou junho, na expectativa do governo. Ela terá capacidade para gerar 3.150 megawatts (MW). A perspectiva é leiloar Jirau, com potência instalada de 3.300 MW, no fim deste ano ou no início de 2007. O licenciamento ambiental, entretanto, é feito de maneira conjunta. |
| O diretor de licenciamento do Ibama, Luiz Felippe Kunz Jr., afirmou que a autarquia pretende concluir ainda em fevereiro a análise da viabilidade ambiental do empreendimento. Uma reunião com técnicos bolivianos está prevista para ocorrer nos próximos dias, no Rio. A equipe do Ibama, funcionários de Furnas e do Ministério de Minas e Energia vão explicar em detalhes o projeto do complexo hidrelétrico. |
| De acordo com Kunz, se ficar comprovado que as usinas não causam impacto no território boliviano, conforme argumenta o estudo ambiental feito pelo consórcio Furnas-Odebrecht, o Ibama não dependerá de aval da Bolívia para emitir a licença prévia. “Mas ainda não tenho um parecer dos técnicos sobre a viabilidade ambiental”, informou o diretor do Ibama. O governo se comprometeu apenas a informar detalhadamente os bolivianos sobre a análise e o andamento do projeto, por meio do Itamaraty. |
| Organizações não-governamentais do país vizinho pressionam o presidente Evo Morales a tomar uma atitude mais radical em relação ao complexo do Madeira, alegando que os futuros reservatórios terão impactos fluviais transfronteiriços. Originalmente, o projeto do Madeira previa mais uma usina binacional e uma quarta hidrelétrica do lado boliviano – além de um corredor hidroviário no rio amazônico. Com capacidade total para agregar 6.450 MW ao sistema interligado nacional, as usinas de Santo Antônio e Jirau são tidas como fundamentais, pelo governo, para garantir o fornecimento de energia elétrica após 2010 |
