O Papel da Eletrobrás-correspondência

Transcrevemos abaixo a correspondência enviada pelo Secretário-Executivo do Ilumina,Olavo Cabral Ramos Filho, ao coordenador do Programa de Planejamento Energético da COPPE, Luiz Pinguelli Rosa.


A entrevista ao Jornal do Commércio nela referida foi publicada pelo Ilumina no dia 20/3 sob otítulo “Pinguelli quer Eletrobrás mais dinâmica”.



Rio de Janeiro, 20 de março de 2007



Prezado Pinguelli,



Poucos minutos depois de ter lido sua mensagem dando ciência do recebimento de minha carta, acessei o site do Ilumina onde já estava transcrita sua entrevista ao Jornal do Commercio.



Mais uma vez transcrevo e comento brevemente alguns trechos de suas respostas:



1 -… um papel à Eletrobrás mais dinâmico, mais autônomo e integradora de suas empresas



Que a Eletrobrás deveria ser mais dinâmica, isso ninguém tem dúvida. Isso é até o óbvio ululante. Que ela deveria ser muito mais autônoma em relação ao poder executivo, isso seria mais do que desejável. Seria a utopia palpável e viável que resumi no texto (agora também no site Ilumina) “Reflexões…”


Não sei se lidamos com conceitos similares. Ser a Eletrobrás “integradora de suas empresas” significar a definição precisa, a priori, da autonomia operacional das mesmas, ai concordaria para começar. Seria um primeiro (note bem: primeiro!) avanço em direção da substituição da hierarquia de poderes pela hierarquia de autonomias. Tenho notado que muitos não entendem ou fingem não entender do que se trata essa substituição. Assumo a repetição ad nauseam. Nelson Rodrigues disse muito bem que no Brasil, coisas ditas uma só vez morrem inéditas.


Contudo, se o seu conceito significar que as empresas regionais seriam absorvidas (ou quase) pela holding, ai seria o desastre nada inédito do hiper centralismo. Se desse certo, seria pertinente sugerir ao governo americano a criação de uma super Agência Federal englobando o Corps of Engineers, a BPA e o TVA…



2 -… um critério técnico na composição nas diretorias do grupo Eletrobrás.



Capacidade ou competência técnica é só um dos itens das diretrizes e critérios que seriam definidos pelos Conselhos (CNPE e Conselhos de Administração ampliados) como proposto nas “Reflexões…” e/ou pela proposta do Clube de Engenharia para o CNPE. Ouso mesmo afirmar que a badalada escolha de profissionais de carreira das empresas não deveria ser uma diretriz congelante. Poderia ser uma prioridade, e só.


“Capacidade técnica” é algo que deveria ser incluído na lista das diretrizes e critérios que chamaríamos OBJETIVOS. Competência já fica no território entre o objetivo e o subjetivo. E nesse caso, com o resto da coleção dos outros SUBJETIVOS, as “notas”ou conceitos só poderiam ser dadas após as entrevistas dos candidatos.


Contam que o Conselheiro Lafaiete Rodrigues Pereira criticado pela demissão precocíssima de um jovem companheiro de partido recém nomeado para a presidência de uma província, teria dito: “incompetência não se prova com fatos” (!?!?). Isso nos obriga a manter a pulga atrás da orelha em relação à eficácia das entrevistas para a detecção de méritos e deméritos subjetivos. Mas, assim mesmo correria o risco de implementar esse sistema como um avanço sobre o que tem sido adotado ao longo da história de nossos órgãos, empresas e entidades públicas.


O sistema proposto nas Reflexões parece muito cansativo. Mas não é! O que exaure o país são o fisiologismo e os acordos ditos parlamentares ou o aparelhamento partidário e sindical das empresas que , caso isso não ocorresse , poderiam vir a ser PÚBLICAS e CIDADÃS.




3 – ( Venda de ações da Eletrobrás ) … não dou grande importância a isso, não vai ser essa questão que vai resolver o problema da empresa.



Falou e disse! Aliás, como sugerido nas “Reflexões”, os membros indicados e/ou eleitos para Conselhos de Administração ampliados e autônomos das empresas não precisariam ser necessariamente possuidores de ações.




4 – ( O Novo Modelo ou Modelo Híbrido )…o Novo Modelo permitiu isso. No fundo, é uma contaminação do modelo, por herança do passado e que o governo resolveu não enfrentar.



Há poucos meses publiquei texto no site Ilumina que mencionou essa contaminação. O Modelo Novo manteve a certeza dos que se auto denominam Agentes ( as Associações de Consumidores, Geradores, etc., o Acende Brasil, etc.) do seu PODER DE INFLUÊNCIA e não do seu até aceitável papel de representantes de setores da sociedade.



5 – Para terminar: Sou muito mais as hidrelétricas amazônicas, com todos os seus investimentos nas necessárias mitigações sociais e ambientais, do que N termelétricas!!!




Abraços



Olavo




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