Saiu no jornal…


Lula vai escolher substituto de Rondeau ‘com calma’




PMDB e PT já se engalfinham pela pastade Minas e Energia


O cadáver político de Silas Rondeau ainda nem esfriou e as duas maiores legendas do consórcio governista –PMDB e PT—já se engalfinham pelo controle do ministério das Minas e Energia. Alheio ao burburinho que se ouve à sua volta, Lula não tem pressa. Foi o que disse a dois ministros com os quais conversou sobre o tema.


Um dos ministros perguntou ao presidente quem seria o substituto de Rondeau. Lula respondeu que a pasta seria comandada interinamente pelo secretário-executivo Nelson José Hubner Moreira. O ministro perguntou: “Até quando?”. E Lula: “Até quando eu quiser”.



O outro ministro manifestou ao presidente o receio de que a demora possa jogar lenha na fogueira em que ardem as pretensões do PMDB e do PT. E Lula: “Podem brigar o quanto quiserem. Quem nomeia ministros sou eu. E não farei nada às pressas”. Para Lula, a pasta das Minas e Energia “está funcionando bem”. Não haveria, segundo o seu raciocínio, razões para tomar uma decisão que, no calor da azáfama, resulte em arrependimentos posteriores.



Lula avalia que, na prática, a pasta de Minas e Energia está sendo gerida pelo time que convocado por Dilma Rousseff antes da transferência dela para a Casa Civil. Um time comandado por três “craques”: o próprio Hubner Moreira, agora ministro interino; Márcio Zimmermann, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético; e Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética. Ou seja, na prática, Dilma, a menina superpoderosa do PAC, é quem dá as cartas no ministério.



Em almoço que antecedeu às duas reuniões em que Lula acertou com Rondeau a saída dele do governo, os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), reivindicaram do presidente a precedência na indicação do substituto do ministro demissionário, a quem haviam apadrinhado. Os dois generais da tropa do PMDB do Senado acham que arrancaram do presidente um compromisso. Mas deixaram o Planalto com um pé atrás.



A julgar pelo que disse Lula depois, em privado, não foi sem motivo que a pulga aboletou-se no dorso da orelha dos caciques do PMDB. O presidente disse a um auxiliar que, em princípio, o sucessor de Rondeau deve ser um peemedebista. Mas segredou que não se comprometera, em termos taxativos, com Renan e Sarney.



Julgando-se preterido na composição ministerial do segundo reinado, o PT enxergou na saída de Rondeou a oportunidade de acomodar um petista nas Minas e Energia. Tratou de pôr na rua uma trinca de alternativas: Jorge Samek, presidente de Itaipu; Maria das Graças Foster, diretora da Petrobras; e Valter Cardeal, presidente interino da Eletrobrás.



A guerra não-declarada pela vaga de Rondeau inspira-se no peso da cadeira. O ministério de Minas e Energia foi premiado com a gestão de 55% das verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Coisa de R$ 250 bilhões até 2010. Controla, de resto, um cobiçado segundo escalão. Além da Petrobras, inclui todas as estatais do setor elétrico.



Sentindo o cheiro de queimado, o PMDB da Câmara, liderado por Michel Temer (SP), presidente do partido, aliou-se à causa de Renan e Sarney. Há 15 dias, Temer arrancara de Sarney a promessa de empregar na presidência de Furnas, uma das estatais que pendem do organograma das Minas e Energia, o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde. Avalia-se que um petista nas Minas e Energia poderia sentir-se tentado a retirar da empada do PMDB uma azeitona que o partido já está saboreando.



A ausência de pressa de Lula submete o distinto público a um novo e inesperado capítulo de uma novela que já se imagina encerrada. A novela da reforma ministerial.


Escrito por Josias de Souza, FolhaOnline


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