Complementando notícia sobre medidor da AMPLA


Inmetro constata erro em medidor com chip

Laudo atesta que oscilação em novo equipamento aumentou a marcação do consumo de dono de padaria em até 58,9%


Alexandre Caroli e Helvio Lessa, O DIA


Rio – O Laudo 26, deste ano, do Inmetro aponta erro em medidor eletrônico de energia elétrica com chip instalado pela Ampla, em padaria de Saracuruna, em Duque de Caxias. Segundo o documento, foi registrado aumento no consumo 58,9% acima do gasto real do estabelecimento. A diferença máxima permitida é de 2%.


“É grave”, analisou Alex de Almeida Carvalho, chefe-substituto da Divisão de Instrumentos no Âmbito da Eletricidade do Inmetro (Divel). Ele acompanhou a medição por um mês. A Ampla minimizou o problema e garantiu que o caso é pontual no universo de clientes. O Inmetro comunicou o fato à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).


O estudo foi realizado a pedido do dono da padaria, Alex Xander Alves, 34 anos, que não se conformou com o crescimento do valor de suas contas após a instalação dos novos medidores, que ficam em módulos instalados no alto dos postes.


Para fazer a comparação, o instituto e a concessionária colocaram outro medidor na padaria. Os dois equipamentos funcionaram juntos de 5 de maio a 14 de novembro de 2006. Após constatada a diferença de consumo, o módulo com o chip da Ampla foi lacrado e submetido a análise em laboratório.


Técnicos confirmaram que o medidor apresentou defeito após queda de tensão. “O aparelho deveria ser imune à variação, o que é responsabilidade da concessionária”, afirmou Alex.


ANÁLISE DE PROCESSOS


Ele disse que o Inmetro está fazendo “análise crítica” dos processos com pedido de aprovação técnica dos medidores. “Devemos chamar o fabricante para novos testes”. Antes de a Ampla iniciar a instalação dos medidores eletrônicos, em julho de 2005, o Inmetro realizou ensaios em condições normais de fornecimento, e nenhum problema foi detectado.


O comerciante Alex Xander Alves disse que, em novembro de 2006, em consulta ao site da Ampla, verificou que, em 10 dias, tinha consumo equivalente a uma conta de R$ 2.045,06. “O valor projetado indicava a conta de R$ 3.552,13 no fim do mês”, disse Alex Sander, que alega que gastava R$ 600 por mês, em média.


Segundo o comerciante, após os técnicos confirmarem a diferença, a conta com vencimento em dezembro chegou com valor de R$ 985,13. Depois, segundo ele, a cobrança voltou ao normal. Com base no laudo, o comerciante quer pedir na Justiça ressarcimento do valor pago entre maio e novembro. Alex Xander pediu estudo ao Inmetro após a publicação de reportagem em O DIA em 9 de fevereiro de 2006, sobre a insatisfação de clientes. “Li a matéria e peguei os contatos do Inmetro para pedir ajuda”, disse.


ESPECIALISTA: REEMBOLSO É POSSÍVEL


O laudo do Inmetro mostra que, de maio a novembro de 2006, a padaria de Alex Xander consumiu 12.690 kWh, pelo medidor com chip da Ampla. Conforme aparelho colocado pelo instituto, o consumo foi de 7.985 kWh, diferença de 4.705 Kwh (58,9%).

A diretoria de Relações Institucionais e Comunicação da concessionária afirmou que o caso foi pontual no universo do programa de medição eletrônica. Segundo ele, o comerciante tinha ligação irregular antes do chip. Conta foi refaturada, segundo a assessoria.


O advogado especialista em Responsabilidade Civil, Jorge Beja, disse que, se entrar na Justiça, Alex pode ser restituído do que pagou a mais, com juros, e receber indenização por dano moral, que vai de 50 a 100 salários mínimos (até R$ 38 mil).


O presidente da Associação Nacional de Assistência do Consumidor e do Trabalhador, José Roberto de Oliveira, afirmou que o comerciante pode entrar no Juizado Especial Cível solicitando a cobrança pelo sistema anterior.


Informações adicionais


AMPLA é o atual nome da antiga CERJ, após privatização, atuando em 66 municípiosdo Estado do Rio de Janeiro. É controlada peloGRUPO ENDESA, a maior empresa de energia elétrica da Espanha, com participação minoritária da EDP (Portugal).


Poucos dias depois deencerrado o período da revisão tarifária da COELCE (Estado do Ceará)epublicadoo balanço da empresa, apresentando umlucro excepcionalde 298.258 milhões de reais da referente ao exercíciode 2006, o sr.Cristian Fierro, foi deslocado da presidência da COELCE para a assessoria da presidência da AMPLA.


Quanto aos medidores eletrônicos,não se tem notícias no Ceará, de diferenças semelhantes às relatadas na matéria acima.


NoNordeste já existem instalados medidores similares, de fabricação da ITRON, na CELPE, COELCE e CEMAR. Em São Paulo, estão na Eletropaulo. Há tendência para disseminação desses sistemas, pelas suas características de
controle de “furtos de energia”.

Há notícias de que os equipamentos são muito sensíveis à elevação da temperatura. A partir de 65°C já apresentam distorções e acima de 85°C simplesmente podem “enlouquecer”.

No Nordeste estas condições são comumente atingidas. Por isso, os medidores da ITRON estariam sendo instalados com sensor de temperatura, que desliga o display sempre que a mesma atinge 65°C e retorna com 60°C. Caso a temperatura ultrapasse 85°C, o medidor é desligado, se auto-protegendo.


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