COMO ERAM SIMPLES OS NOSSOS ELECTRONS
Como editorial foi publicado nesta página eletrônica em 5/02/2002 um pequeno texto com o título “Como eram simples os meus electrons”. Lamentava a complicada parafernália a que foi transformado o sistema elétrico brasileiro. Obra prima da privataria.
Hoje o “site” transcreve matéria da imprensa com o título “Térmicas para poupar água”. Entremeia declarações do diretor geral do órgão, engenheiro Hermes Chipp sobre novidades metodológicas na programação a curto e médio prazo das fontes de geração hidrelétricas e termelétricas. Aqueles interessados em mais detalhes devem ler a referida matéria, mas, sobretudo consultarem o engenheiro Chipp. É imprudente, sobretudo para aqueles veteranos do setor afastados há longos anos, aventurarem-se a analisar essas novidades metodológicas. O texto jornalístico nos leva até a julgar bastante pertinentes as preocupações precoces com o risco de racionamento futuro, programando-se antecipadamente a elevação da geração da térmica visando uma , digamos, certa otimização hidro-térmica nesse cenário.
De repente lembrei-me de Leon K. Kirchmayer que dedicou a sua vida profissional na General Electric – Schenectady – New York – EUA a desenvolver espetaculares modelos matemáticos para simulação e aplicação em tempo real na área de operação econômica de sistemas elétricos. Seus dois livros clássicos sobre o assunto foram publicados no inicio dos anos sessenta. Acessando o “site” da National Academy of Engineering tomei conhecimento do falecimento de Kirchmayer em dezembro de 1995 com 71 anos. Aprendi também que sua obra é “ainda a base para os métodos contemporâneos de operação de sistemas elétricos” De setembro de 1965 ao fim de abril de 1966 – com 27 anos – fui seu aluno no curso de Engenharia de Sistemas de Potência na General Electric –Schenectady-EUA – o PSEC, sua sigla < />
A grande rede da internet possibilitou interfaces com o além. O jornalista Elio Gaspari tem sido o portador de inúmeras mensagens eletrônicas de ectoplasmas ainda ativos no céu. Estranho que até o momento nenhuma mensagem tenha chegado do inferno. Estaria vazio ? John Cotrim já enviou mensagem para o Ilumina (procure na BUSCA).
Kirchmayer enviou mensagem, pedindo que fosse retransmitida ao O N S:
“Tenho certeza que alguns veteranos do órgão brasileiro de operação do sistema interligado, alguns dos quais me conheceram em vida, refletirão sobre as desnecessárias complicações introduzidas pelos novos modelos institucionais do setor. Enfim, como já disse meu ex aluno no PSEC , meus modelos matemáticos lagrangianos e tensoriais podiam parecer complicados. Mas como eram simples os electrons brasileiros antes do ataque dos ´privateers` “. Como ainda permanecem complicados. Desde 2002 não é concedido o IEEE Leon K. Kirchmayer Prize Award. Gostaria que algum jovem engenheiro brasileiro fosse o próximo ganhador” .
Olavo Cabral Ramos Filho
13/09/2007
Nota: A página do IlUMINA está a disposição para esclarecimentos do O N S a qualquer tempo.