Contribuição negativa


Termelétricas vão aumentar muito a emissão de CO2



O jornal Valor publicou no dia 6/01 uma matéria na qual faz uma denúncia importante: as emissões brasileiras de CO2 poderão triplicar na próxima década, aumentando o aquecimento global devido ao efeito estufa, para a geração de energia elétrica a partir de usinas termelétricas. Diz a matéria que mesmo com a entrada em operação das usinas hidrelétricas de Belo Monte e do rio Madeira, a participação da fonte hídrica na matriz elétrica nacional cairá dos atuais 86% para 76%, em 2017, segundo o Plano Decenal de Energia (PDE), lançado no final de dezembro/08. Para atender o crescimento esperado da demanda, será preciso acrescentar 81 termelétricas ao SIN, sendo 41 movidas a óleo, < />20 a diesel, 8 a gás natural, 7 a biocombustíveis, 4 a carvão, mais 1 termonuclear, segundo a EPE.


“O Plano está em contradição com as metas internas de redução do desmatamento” diz a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Mas a própria senadora nos dá uma indicação dos responsáveis por essa situação, quando afirma que a área ambiental não pode servir de “bode expiatório” para o aumento das térmicas.


Gostaríamos de saber então quem é neste país que mais se opõe à construção de hidrelétricas, além da área ambiental. O que pretendem os ambientalistas? A solução seria deixar faltar energia elétrica? Certamente essa não é a solução.


Já o diretor-geral da ANEEL, Jerson Kelman, que deixa o cargo em breve, lamenta a perda de qualidade da matriz brasileira, mas afirma que a energia eólica é cara e inconstante e se opõe, com toda razão, à sugestão dos ambientalistas de repotencialização das hidreléticas existentes. Sugere maior investimento na diminuição das perdas elétricas e na eficiência energética, como uma das saídas, mas faz uma outra sugestão que só podemos admitir como “brincadeira”: para chegar à perda zero, poderíamos usar fios elétricos de ouro, que são condutores perfeitos de energia.


Gostaríamos de deixar bem claro que as inconveniências ambientais e sociais por ventura causados por hidrelétricas – que não são aquelas devido às emissões de gases de efeito estufa – podem ser mitigadas e resolvidas na absoluta maioria dos empreedimentosainda disponíveis ao longo do século XXI, com investimentos específicos que, mesmo somados aos investimentos totais nas usinas e na linhas de transmissão, ainda deixarão seus custosem patamares muito inferiores a qualquertermelétrica. Essas, como diretriz para o planejamento estratégico, poderiam ser mantidas em umpatamar de geração necessárioa uma operação otimizada hidro-térmica a médio e longo prazos. Tudo isso num contexto de um país privilegiado no planeta, em termos de insumos hidrícos.


Mas não é só no Brasil que os ambientalistas fazem campanha contra as hidrelétricas. No extremo do continente americano, em Punta Arenas, Chile, colocaram um outdoor: SIN REPRESAS EN PATAGONIA. Como o Chile não tem petróleo e gás, dependendo do gasoduto andino que vem da Argentina, seria bom perguntar aos ambientalistas de lá como pretendem suprir as necessidades mínimas de energia do seu país, sem hidrelétricas.


Fazemos um apelo ao bom senso, de ambos os lados. Vamos produzir a energia elétrica necessária ao nosso desenvolvimento, usando fontes renováveis, causando a menor intervenção possível no meio ambiente. É um desafio que tem solução, mas exige estudos mais profundos e soluções que podem demandar mais tempo e investimentos.


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