Grupo Eletrobras disputa mas não arremata nenhuma hidrelétrica no leilão A-5
Estatal participou em consórcio da disputa pelas usinas de Colíder, Ferreira Gomes e Garibaldi
Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia
O Grupo Eletrobrasparticipou em consórcio da disputa das três hidrelétricas ofertadas no leilão A-5, que aconteceu nesta sexta-feira, 30 de julho, em São Paulo, mas não conseguiu levar nenhuma das usinas. As hidrelétricas Colíder, Ferreira Gomes e Garibaldi foram arrematas, respectivamente, pela Copel, Alupar e Triunfo Participações e Investimentos – TPI, pelos preços de R$ 103,40/MWh, R$ 69,78/MWh e R$ 107,98/MWh.Os três empreendimentos somam investimentos de R$ 3,2 bilhões, de acordo com opresidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, Antônio Carlos Fraga Machado.
Na disputa pela UHE Colíder, o grupo Eletrobras formou o Consórcio Teles Pires, do qual participavam Furnas (15%), Eletrobras (15%), Eletronorte (19,9%), Neoenergia (46%) e Construtora Andrade Gutierrez (4,1%). Para a UHE Ferreira Gomes, a Eletronorte (49%) se uniu a Neoenergia (51%) para forma o Consórcio Atlântico Norte. Para a usina de Garibaldi, o Consórcio Araçá foi formado pela Eletrosul (49%) eCopel (51%).
Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Estratégico do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, as empresas privadas foram as grandes vencedoras do leilão. “Somente a Copel levou a usina de Colíder. As outras duas hidrelétricas ficaram com empresas privadas”, comentou. De acordo com ele, isso mostra que o leilão tem como mote a modicidade tarifária e que dessa vez, as empresas privadas apresentaram preços mias competitivos.
Leilão A-5: preço médio de venda de energia fica em R$ 99,48/MWh
Certame vende 327 MW médios e valor total negociado chega a R$ 8,5 bilhões
O leilão A-5, que aconteceu nesta sexta-feira, 30 de julho, teve um preço médio de venda de energia de R$ 99,48/MWh e comercializou 327 MW médios, o que representa um valor total negociado de R$ 8,5 bilhões. A energiaé proveniente das três hidrelétricas leiloadas no certame – Garibaldi (SC, 177,9 MW), Ferreira Gomes (AP, 252 MW)e Colíder (MT, 300 MW)- além de quatro PCHs. A UHE Garibaldi foi arrematadapela Triunfo Participações e Investimentos, por um preço de R$ 107,98/MWh, o que representa um deságio de 18%. A Alupar ficou com Ferreira Gomes, por um preço de R$ 69,78/MWh e deságio de 15,9%; e a Copel arrematou a UHE Colíder, com um preço de R$ 103,40/MWh e deságio de 10,85%.
Os projetos que venderam energia no certame totalizaram potência instalada de 808,9 MW, o que representa uma garantia física de 454,7 MW médios. Como 327 MW médios foram vendidos no leilão, cerca de 127,7 MW médios serão vendidos no mercado livre. “Do ponto de vista do MME, nós estamos muito satisfeitos com o resultado do leilão”, afirmou o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Estratégico do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho. De acordo com ele, esse é um passo importante para o país retomar a hidroeletricidade e atender o crescimento do mercado de energia elétrica. “Esse leilão complementa os leilões anteriores das usinas do Rio Madeira e de Belo Monte”,ressaltou o secretário.
Ele disse que a usina de Ferreira Gomes, que foi disputada por cinco grupos, está no sistema isolado e é importante para a segurança energética da região. “Está em construção a LT Tucuruí-Manaus-Macapá que vai integrar mais ainda a região Norte ao Sistema Interligado Nacional. Com isso, Ferreira Gomes poderá gerar energia para a sua localidade, como também enviar energia ao SIN”, disse. Altino contou ainda que está em fase de estudo uma linha de transmissão de Manus para Boa Vista, completando a interligação da região Norte.
A hidrelétrica de Colíder, segundo Altino, também é importante, porque é a primeira a ser leiloada na bacia do Tapajós. “Essa bacia tem grande potencial hidrelétrico e essa é a primeira usina que está sendo viabilizada”, contou. O presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, Antônio Carlos Fraga Machado, e o diretor de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética, José Carlos de Miranda Farias, também ressaltaram o sucesso do leilão. Segundo Miranda, da EPE, a disputa foi grande pelos empreendimentos, o que resultou em deságios consideráveis. Miranda disse ainda que a demanda das distribuidoras para daqui a cinco anosnão foi totalmente suprida, mas isso deverá ocorrer com o próximo leilão A-5, previsto para acontecer no fim do ano.
Edvaldo Santana, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, destacou que o preço médio ofertado é uma boa notícia em termos de tarifa. “Esse preço ajuda a reduzir tarifas para o consumidor”, lembrou. Eledestacou ainda o fato de nem todas aPCHs inscritas terem vendido energia no certame. Das sete PCHs,quatro venderam energia no leilão. O preço de referência era de R$ 155/MWh e não houve deságios significativos. “Isso significa que elas querem vender a energia para o mercado livre, porque uma vez autorizadas pela Aneel, essas PCHs tem que ser construídas”, frisou Santana.A hidrelétrica de Santo Antônio do Jari não comercializou energia no leilão, mas poderá vender energia para o mercado livre ou retornar no certame previsto para acontecer no fim do ano.