Limites para emissão de gases pelas térmicas gera críticas

NOTA DO ILUMINA

 

A Folha de São Paulo do último sábado, dia 04 do corrente, publicou matéria sob o título “Setor elétrico critica limites para emissão” (transcrita abaixo), onde destaca a posição do Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, organização que representa 18 associações de empresas do setor, o qual acusa o governo de querer “engessar o país” ao impor limites para as emissões de gases poluentes pelas usinas de energia elétrica do Brasil, em especial para as térmicas.

A respeito, o ILUMINA considera muito bem vinda a proposta apresentada pelo citado Fórum quanto à necessidade e conveniência de “uma discussão nacional para saber se o país quer ou não as grandes hidrelétricas” e a apóia integralmente, julgando que esta discussão deve ocorrer o mais rápido possível.

Entretanto, o ILUMINA faz questão de expressar sua discordância quanto às críticas feitas pelo Fórum à imposição de limites para a emissão de gases pelas térmicas movidas a combustíveis fósseis, tendo em vista que esses gases são realmente bastante nocivos ao meio ambiente e que essas térmicas não representam a melhor alternativa para o país, pelas seguintes razões:

1 – Além de poluentes, agravando sobremaneira o problema do aquecimento global, as térmicas a combustíveis fósseis geram energia muito mais cara do que outras alternativas disponíveis;

2 – As necessidades de expansão da capacidade de geração do sistema elétrico nacional podem ser preenchidas pela base hídrica, complementada com vantagem pela energia eólica, que além do grande potencial disponível já provou em recentes leilões que pode oferecer preços bem mais competitivos do que as térmicas;

3 – Do mesmo modo, complementação adicional pode ser obtida por térmicas a biomassa, especialmente do bagaço de cana;

4 – O parque térmico já instalado e em operação no Brasil neste mês de dezembro de 2010 atinge os 28.000 MW, correspondendo a 25% da capacidade total do sistema (cerca de 111.000 MW). Entretanto, a sua maior parte permanece sempre paralisada, ociosa, justamente pelo alto custo do seu MWh gerado. Assim, em condições normais, a geração é sempre feita em sua maior parte pelas hidrelétricas, cabendo às térmicas apenas uma pequena parcela que em geral não chega aos 3.000 MW médios, isto é, algo em torno de 10% de sua capacidade total instalada.

Neste segundo semestre de 2010, quando os reservatórios das hidrelétricas estão apresentando armazenamentos inferiores aos que seriam desejáveis para esta época do ano, tornando necessário recorrer-se a uma complementação, a geração térmica foi de fato  consideravelmente elevada, mas até agora não ultrapassou a marca dos 7.000 MW médios, ou seja apenas cerca de 25 % da sua capacidade instalada.

Assim, poder-se-ia perguntar. Para que mais usinas térmicas poluidoras e de energia cara?

 

Sem dúvida, a hora é das hidrelétricas, com reservatórios, complementadas pela energia eólica e pela biomassa, enquanto a fonte solar não se viabiliza para grandes blocos de energia.

São Paulo, sábado, 04 de dezembro de 2010

 

Setor elétrico critica limites para emissão

Imposição pode engessar a expansão da oferta de energia, dizem representantes do setor

Agnaldo Brito,  de São Paulo

O Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, organização que representa 18 associações, acusa o governo brasileiro de querer “engessar o país” ao impor limites de emissões sobre as fontes de geração de energia no Brasil.


A medida pode, segundo a organização, criar problemas para o crescimento do país.


A decisão, segundo o Fórum, desconsidera a dificuldade para expandir a oferta de energia, seja pelo lento processo de licenciamento, seja pela imposição ambiental de reduzir a capacidade instalada das hidrelétricas.


O setor quer o direito de usar energia térmica, grande emissora de gases, sem limitações. Pelo menos por enquanto.
“Fixar limites agora não é oportuno para o Brasil. É preciso aprofundar os estudos para saber se isso é possível. O Brasil não pode oferecer um limite desses. Isso pode engessar o país”, diz Sílvia Calou, diretora-executiva do Fórum do Meio Ambiente do Setor Elétrico.


A posição foi apresentada na quinta-feira pelo Fórum no Espaço Brasil, em Cancún, México, onde ocorre a COP-16, Conferência do Clima.


Bastaram os rumores na conferência de que o governo brasileiro pode anunciar até o fim do encontro as metas de emissão para cada uma das fontes de geração de energia para que o Fórum deflagrasse um esforço para conter a iniciativa.
A reportagem da Folha tentou ouvir a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), estatal encarregada de discutir os cortes de emissões na área de energia, mas não obteve resposta.

DEBATE
O Fórum de Meio Ambiente disse que concorda com metas, mas acha que o país precisa rediscutir as amarras impostas hoje para a geração de energia.


A principal é a imposição de liberar hidrelétricas com pequenos reservatórios de água, chamadas usinas a fio d’água, como as hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio, no rio Madeira (RO), Belo Monte, no rio Xingu (PA), ou Teles Pires, em Mato Grosso.


Essa imposição reduz o impacto do desmatamento, sobretudo na Amazônia, onde está o novo potencial hidrelétrico brasileiro.


Mas o efeito colateral não é pequeno e resulta em perda de capacidade instalada, adverte o setor.


O Fórum defende uma discussão nacional para saber se o país quer ou não as grandes hidrelétricas.


A Folha já havia antecipado o movimento do setor elétrico para forçar a retomada dessa discussão em 2011.

 

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