TERCEIRIZAÇÃO, ruim pra todos
Fernando Siqueira, presidente da AEPET
Cerca de 200 mil profissionais atuam hoje na Petrobrás oriundos de empresas terceirizadas. Recentemente, a presidente Dilma pediu o cancelamento de todos os concursos públicos e também a nomeação de pessoas já aprovadas para serviços públicos Federais. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um corte no R$ 50 bilhões no orçamento Federal de 2011, o equivalente a 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), maior que a soma dos cortes realizados durante os oito anos de governo Lula. Lamentamos que a Petrobrás utilize grupos de empresas prestadoras para suprir seu quadro funcional .
A terceirização é ruim para todos: para o terceirizado porque ele não tem segurança e treinamento adequado. É obrigado a formar uma empresa para reduzir os encargos sociais. Para a Petrobrás, porque ela recebe uma mão de obra mal treinada, insatisfeita, rendendo pouco e o que é pior: é uma fonte de nepotismo e corrupção com nomeação de parentes, amigos e amantes. Há terceirizados fazendo trabalho em atividades fins como projeto, pesquisa, fiscalização de atividades de produção e outras atividades estratégicas. No Cenpes tem terceirizado, não concursado, fazendo atividades de pesquisa, enquanto nossos mestres de PHD´s ficam fiscalizando contratos. Ou seja, a tecnologia não fica na empresa. Havendo maior oportunidade para espionagem industrial. Já fizemos reuniões reclamando disto, mas o chefe do Cenpes é um remanescente da gerência neoliberal do Governo passado.
Os concursados, que chegam a 85.000 e estão no cadastro de reserva vêem os seus concursos perderem a validade enquanto pessoas menos qualificadas estão ocupando as suas vagas. Já fizemos carta ao presidente da Petrobrás denunciando isto, em 2009 e, até hoje não tivemos resposta. Mas a reação está crescendo. No governo FHC, tínhamos 120.000 pessoas terceirizadas. Hoje chegamos próximo a 300.000, com o PT no Governo e comandando o RH. Isto é muito estranho e muito sério.