Futuro da CELPA definido. Credores aprovam.

31/08/2012

Reunião extraordinária da Aneel deve definir hoje o futuro da Celpa

Publicado no jornal Valor em 31/8
Por Rafael Bitencourt e Cláudia Facchini | De Brasília e São Paulo
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) marcou para hoje uma reunião extraordinária de sua diretoria com o objetivo de analisar a proposta de aquisição do controle societário da Centrais Elétricas do Pará (Celpa), controlada pelo grupo Rede, pela Equatorial Energia. A reunião está marcada para às 14h30.
Com a publicação ontem da Medida Provisória 577, que na pratica impede que as concessionárias de energia elétrica recorram à recuperação judicial, o desfecho do caso Celpa ganha novos contornos, já que a distribuidora paraense é apontada como um mau exemplo no setor. A MP abre espaço para uma intervenção direta do governo em companhias com dificuldades desse porte.
Os credores da distribuidora paraense, que justamente passa por processo de recuperação judicial, aguardam a aprovação da proposta de aquisição apresentada pela Equatorial para realizar uma assembleia em que poderá aprovar a operação. A proposta prevê a compra da concessionária por apenas R$ 1, mas, em compensação, o novo controlador terá de quitar a dívida bilionária da Celpa, que chega a R$ 3,4 bilhões.
Caso da Celpa deveria ter sido analisado na terça-feira, mas a decisão foi adiada pela agência reguladora
A assembleia de credores da distribuidora, que já foi adiada três vezes, continua marcada para amanhã, mas vai depender do resultado da reunião de hoje.
O futuro da Celpa deveria ter sido analisado na terça-feira, mas a decisão foi adiada pela agência reguladora. O relator do processo na Aneel, o diretor Romeu Ruffino, afirmou que não poderia definir uma “meia solução” para a empresa. Ele alegou, na terça-feira, que outros órgãos de governo estavam avaliando a situação da Celpa e sua eventual transferência para a Equatorial Energia, citando a Eletrobras e o Ministério da Fazenda. “Não queremos dar um passo sem sintonia com outros órgãos”, disse Ruffino.
O administrador judicial da recuperação da Celpa, Mauro Santos, reagiu ao cancelamento afirmando que a empresa não tem condições de resistir por muito tempo sem uma solução definitiva. Ele afirmou que a empresa caminharia para a falência.
O balanço do segundo trimestre da companhia foi conhecido ontem, com prejuízo de R$ 116,5 milhões no período. O valor é 202% maior que as perdas registradas em igual período do ano passado, quando a empresa havia apresentado prejuízo de R$ 38,5 milhões.
As informações constam da ata de uma reunião do conselho fiscal da empresa, segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A piora do resultado da Celpa deve-se, segundo o documento, ao custo da energia comprada. No segundo trimestre, esse custo foi de R$ 282,8 milhões, superando o valor registrado em igual período do ano passado, de R$ 204,8 milhões.
A receita líquida de vendas da companhia caiu 6,7% no segundo trimestre, sobre igual trimestre do ano passado, e os custos do serviço de energia elétrica cresceram 34,8%. O resultado bruto da companhia foi 56% menor, totalizando R$ 47,2 milhões no segundo trimestre deste ano.

03/09/2012

Credores da Celpa aprovam plano

Publicado no jornal VALOR em 3/09
Por Mitchel Diniz e Ivo Ribeiro | De São Paulo
Os credores da distribuidora de energia Centrais Elétricas do Pará (Celpa), do grupo Rede Energia, aprovaram em assembleia no sábado, em Belém (PA), o plano de recuperação judicial da empresa. A proposta é adquirir o controle da Celpa pela Equatorial, dona da Cemar, distribuidora maranhense.
A reunião, remarcada por três vezes, começou pela manhã e se estendeu até o fim da tarde. O administrador judicial da Celpa, Mauro Santos, disse que a decisão dá um “respiro” à companhia. “Demos uma blindada na Celpa, mas ainda há um longo caminho pela frente”, afirmou. A dívida beira R$ 3,5 bilhões.
Segundo o administrador, cerca de 300 pessoas, na condição de representantes de mais de 1,5 mil credores, participaram do encontro. Santos disse que representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também estavam presentes à reunião. Ele negou que a agência tenha decidido que a Equatorial não tinha condições de assumir a Celpa. Para ser validado, o plano depende de aprovação da Aneel.
O executivo disse que o pedido de extinção da recuperação judicial da Celpa, feito na sexta-feira pelo governo, com base na Medida Provisória 577, foi indeferido pela juíza Maria Filomena de Almeida Buarque, da 13ª Vara Cível de Belém. No mesmo dia, a Aneel decretou intervenção em oito das nove distribuidoras da Rede Energia devido ao alto endividamento do grupo. A Celpa poderia sofrer a mesma medida, caso a negociação com os credores fosse suspensa.
O plano foi aprovado por unanimidade por credores trabalhistas, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco da Amazônia. Na categoria dos quirografários (credores sem garantias reais), a aprovação foi de 71,35%. Esse grupo inclui bancos públicos e privados, prestadores de serviços e fornecedores.
A recuperação judicial da Celpa, única distribuidora elétrica do Pará, prevê aporte imediato de R$ 350 milhões na empresa. A Equatorial informou que se compromete a investir mais R$ 350 milhões no prazo de dois anos.

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