Transações suspeitas e o PLD

Alto preço da energia e transações suspeitas reduzem volume de operações no mercado livre ( Jornal da Energia 16/10)





Comentário do ILUMINA: O que precisa ser esclarecido é porque as transações suspeitas ocorrem quando o PLD é alto. Quem garante que negócios semelhantes não ocorrem quando o PLD chega a 10% de um contrato de longo prazo no mercado regulado? O que significa “uma redução nas operações por conta de uma prudência maior do mercado”? Por acaso, quando o PLD é baixo, o mercado é imprudente? O que significa ser imprudente para o sistema e para os outros consumidores?




Comercializadoras entendem momento como delicado e buscam contratos com empresas já conhecidas


Por Natália Bezutti


O alto preço da energia, aliado ao aparecimento de transações suspeitas e ao aumento da inadimplência, têm colocado o mercado livre de energia elétrica em um momento de intranquilidade. Como resultado de toda essa situação, o que os agentes relatam é uma redução dos volumes das operações, chegando a atingir cerca de um terço das transações.


E esse movimento é refletido diretamente na Brix, plataforma de compra e venda de energia. Segundo o CEO da Brix, Marcelo Mello, a plataforma está fazendo cerca de um terço do volume normal por conta de três fatores: receio de crédito, Preço da Liquidação das Diferenças (PLD) alto, e período de menor liquidez. “De fato há um receio grande no mercado de crédito, todos os agentes estão muito incomodados. Eles ficam ansiosos, restringindo as operações com o receio de crédito dos outros. Essa mesma reação ocorreu em março e abril e, por coincidência, o PLD também estava muito alto no período”, explicou o executivo.


Para esta semana, o PLD, divulgado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), válidos de 13 a 19 de outubro, foi fixado em R$ 322,49/MWh para os submercados Sul e Sudeste e R$ 329,04/MWh para Norte e Nordeste, patamares que não eram atingidos desde fevereiro de 2008.


A Safira Energia observou a queda pela metade de suas operações, mas ressalta que uma posição sobre o assunto é pontual, difícil de ser generalizada. Segundo seu diretor, Mikio Kawai, por conta da situação a empresa tomou como providência restringir o horizonte de suas contrapartes.


Sobre uma expectativa de melhora no cenário, Mikio cita dois pontos para mudança. “Vai melhorar quando o preço da energia cair, melhorando o giro. Em segundo lugar, enquanto não houver uma regra para a bilateralização do risco de crédito, jogado para o mecanismo que os agentes credores da CCEE rateiam essa inadimplência, enquanto isso permanecer, a gente dá um passo para trás. Existe uma privatização dos lucros e socialização de perdas”.


Já a Comerc Comercializadora, sentiu uma redução de 40% no volume de suas operações, mas muito mais ligada em função do alto preço da energia do que sobre o temor do mercado. “Isso é um fator conjunto, a inadimplência aparece quando o preço fica mais alto, e esse movimento acontece em conjunto. Em termos de inadimplência o que prejudica é que quando você opera dentro do contexto normal, adimplente, as empresas acabam trazendo um critério de risco de garantias mais intenso, e esse processo fica mais caro. Você tem que se balizar pela inadimplência alheia,”, declarou o seu presidente, Cristopher Vlavianos.


A Trade Energy não dá números, mas também avalia uma redução nas operações por conta de uma prudência maior do mercado, com uma melhor avaliação das contrapartes. Como reflexo das transações suspeitas e do alto preço da energia, seu diretor Luis Gamero declarou que a empresa está buscando fazer negócios com as empresas com quem tradicionalmente já fazia. “Tentamos não inovar muito com as novas empresas, com as que a gente não tenha conhecimento, para que não estejamos envolvido nesse tipo de operação”.


Érico Evaristo, da Bolt Comercializadora, identificou uma redução pequena no volume das operações, mas longe de queda pela metade das transações. “Nós escolhemos com muito cuidado a nossa contraparte, a análise de crédito da Bolt é muito criteriosa, quanto a isso não foi afetada em nada a operação. Obviamente o volume deve ter caído um pouquinho, mas a alta do PLD traz isso, nada que afete”.


Evaristo ressalta a preocupação do mercado em relação às operações duvidosas. “Meu sentimento é análogo do mercado. Nós da Bolt estamos muito preocupados com a inadimplência. Desde o caso da operação da Bertin, se deixou a brecha aberta, e voltou a ocorrer com a Azul”.


Segundo o diretor da comercializadora, medidas simples e eficazes, se implantadas, evitariam que o caso se repetisse. “É só cancelar o registro da que vendeu, ou colocar que a vendedora pague o PLD para a CCEE. Outra alternativa é de que quem comprou dessa empresa duvidosa pague o PLD. Nesse sentido, eu duvido que a compradora faria a operação. E, assim, quando eu escolher meu fornecedor eu vou estar preocupado com o seu risco de crédito”.


Essa alternativa, segundo Evaristo, faria com que a inadimplência de um mau agente não seja repartida entre todos os demais, que nada tiveram com a operação.

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