A questão das usinas do Madeira é técnica


Para Dilma, licença de usina é questão técnica



Valor, do Rio





A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem que o governo está buscando uma solução técnica para o problema do licenciamento ambiental das usinas hidrelétricas do rio Madeira, em Rondônia. A ministra disse que não se trata de uma “escolha de Sofia” em alusão à uma eventual opção entre a preservação do meio-ambiente ou o desenvolvimento energético do país. “Isso não tem cabimento.”






As usinas do rio Madeira, Jirau e Santo Antonio, ainda não obtiveram a licença prévia do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), em uma discussão que envolve o depósito de sedimentos na represa e o risco de extinção de várias espécies de peixes. Juntas, as duas usinas teriam custo de implantação de R$ 25,7 bilhões e sua capacidade total de geração seria de 6,48 mil megawatts (MW).






“Para o Madeira estamos procurando uma solução técnica envolvendo a questão dos sedimentos e um entendimento comum para o problema da fauna, que inclui os bagres”, disse Dilma. Segundo ela, o governo tem o entendimento correto da relação entre meio-ambiente e energia.






“Nós precisamos de energia para crescer, mas não podemos repetir erros históricos que resultaram em empreendimentos hidrelétricos desastrosos. É o caso da usina de Balbina, no norte do país”, disse Dilma. Ela afirmou que é preciso buscar projetos que sejam renováveis, caso da hidrelétrica que causa impactos cujos efeitos podem ser minorados. Dilma participou da abertura do Fórum Nacional, no Rio.







Na sessão de debates, o senador Tasso Jereissati (PSDB) disse que não fosse o baixo crescimento da economia e a boa situação dos reservatórios que abastecem as hidrelétricas, o país já estaria vivendo um apagão elétrico. Jereissati disse que se tenta culpar a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pela não aprovação de novos projetos de geração, quando, na verdade, o culpado é o governo. “O problema é de gestão pública, de má qualidade, que levará cada vez mais à perda de eficiência da máquina pública”, disse. (FG).


Comentário


Notamosque a usina de Balbina é sempre a única dada como exemplo de impacto ambiental terrível ocorrido devido a ausência de estudos prévios em tempos passados. Algumas empresas, Furnas por exemplo, têmpatrocinado a elaboração de estudos sobre a emissão gasosa dos reservatórios e outros impactos ambientaisdos seusgrandes reservatórios cheios a partir de 1963. A sociedade precisa ser informada sobre esses estudos. A sociedade precisa ser informada sobre as intervensões mitigadoras de cunho ambiental e social que vem sendo implementadas há décadas nas áreas dos reservatários construídos em épocas em que as agências de meio ambiente não existiam ou não atuavam. (leia em ESTUDOS ESPECIAIS matéria sobre obalanço de carbono nos reservatórios de Furnas)


Se, como diz a ministra Dilma, a questão é técnica, vamos seguir caminhos técnicos – e científicos.Ampliemos os estudos sobre todas as usinas hidrelétricasconstruídas no passado. Só ai Balbina poderia deixar de ser a vítima única e preferencial. Se é que à ela venham mesmo ser adicionadas um número substancial de hidrelétricas com seus mesmos defeitos.


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