COMENTÁRIO:
A péssima situação dos reservatórios do Sul do país está sendo destaque na imprensa quase todos os dias. Eles estão com uma acumulação média em torno de 27%. O que é muito baixo para essa época do ano.
Além de suas prórias fontes de energia (usinas do rio Iguaçu, do rio Uruguai e térmicas J. lacerda e Candiota), o sub-sistema do Sul do país conta apenas com uma alimentação em Ivaiporã-PR proveniente da UHE Itaipu e por interligações fracas (em 230 e 138 kV ) no norte do Paraná. Ou seja, é um subsistema altamente dependente de suas próprias fontes.
A politica que ocasionou o desmantelamento do planejamento na expansão, aliada aos entraves ambientais sobre diversas obras que estavam programadas para entrar em operação já eram um prenuncio dessa situação.
O pior disso tudo será ter que ouvir a imprensa colocar a culpa em “São Pedro” e dizer que as usinas hidrelétricas são muito inseguras para abastecer o país.
Mais cedo ou mais tarde, será inevitável que a sociedade brasileira decida qual o preço que ela está disposta a pagar para ter energia em suas casas e nas indústrias que movimentam a econômia brasileira. Se a decisão for por não pagar nada teremos que voltar para as cavernas e sem velas, pois até as velas causam impacto ambiental…..
Notícia:
Seca no Sul
Os três estados do Sul do Brasil sofrem com a seca pelo segundo ano consecutivo. A estiagem começou há seis meses, mudou a paisagem da região e começa a ameaçar o fornecimento de energia elétrica.
Oitenta e cinco municípios do Rio Grande do Sul decretaram situação de emergência por causa da estiagem. A população sofre com o racionamento de água. No campo, há perdas nas lavouras de arroz.
“As barragens estão secas, abaixo da linha da comporta”, afirma um gaúcho.
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No Paraná, 42 municípios também estão em situação de emergência. A estiagem já reduziu a produção de milho e de trigo.
“O agricultor está plantando sem ânimo, sem saber o que vai acontecer com ele”, analisa o produtor rural Julio César Palma.
Uma indústria que fabrica matéria-prima para caixas de papelão deu férias a mais da metade dos funcionários. A produção caiu de 15 para 3 toneladas por dia.
“Isso corta o nosso coração porque é daqui que sobrevivemos”, conta um funcionário.
O Rio Iguaçu, que atravessa quase todo o estado, também está com a vazão mais baixa. Em União da Vitória, os moradores passeiam pelo leito do rio.
“Sempre vimos enchente. Mas seca como essa, nunca tínhamos presenciado”, afirma um morador.
A estiagem também interfere na produção de energia. Com pouca água nos rios, as usinas hidrelétricas produzem menos que o normal e o Sul do país precisa trazer energia no Sudeste.
Em uma usina no oeste do Paraná, nos dias em que o consumo de energia é menor, os técnicos preferem economizar a água do reservatório e as turbinas param de gerar eletricidade.
O nível dos reservatórios nas cinco usinas do Rio Iguaçu baixou 70%. É o mês de junho mais seco dos últimos 70 anos.
“A matéria-prima da usina é a água do rio. Se não há água, não temos como gerar energia”, afirma o engenheiro Edson Marcolin.
Nas Cataratas do Iguaçu – por onde antes corriam 1,5 milhão de litros de água por segundo – agora os turistas vêem poucas quedas em um imenso rochedo.
Bom Dia Brasil– Edição de 20/06/2006