Protesto pára trânsito em frente ao Palácio do Planalto
Gabriela Guerreiro, Folha Online
Um protesto do Greenpeace contra a construção da usina nuclear de Angra 3 parou o trânsito em frente ao Palácio do Planalto, na tarde desta terça-feira.
Um ativista da ONG estacionou um carro em frente à rampa do Palácio, com dois latões que simulavam o lixo radioativo que a usina vai produzir caso seja construída.
Policiais militares retiraram o veículo da frente da rampa e detiveram o ativista, que não teve o nome revelado. No transporte do carro, houve vazamento de gasolina –o que obrigou a polícia a interditar três faixas da pista em frente ao Palácio.
O objetivo do Greenpeace era marcar uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para entregar carta com argumentos contrários à construção. Os ativistas também planejavam entregar para Lula uma “conta” com os gastos para viabilizar o projeto de Angra 3.
“A usina nuclear geraria 1.350 megawwatts de energia. Um parque eólico com os mesmos R$ 7,4 bilhões necessários para construir a usina geraria o dobro do valor de energia. Fizemos esse protesto com um carro antigo para mostrar o quão atrasada é a visão de se construir uma usina nuclear”, explicou o coordenador da campanha de energia nuclear do Greenpeace, Guilherme Leonardi.
O protesto foi motivado pela reunião do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) que discutiria, no Palácio do Planalto, a construção da usina. A reunião foi adiada, mas os ativistas decidiram manter o protesto.
Comentário
Mesmo com os argumentos do Sr. Patrick Moore, fundador do Greenpeace, que se contrapõem aos ativistas atuais do movimento, algumas questões ainda precisam ser respondidasclaramente parasubsidiar os argumentos pró-Angra e outras usinas termonucleares no Brasil.
A primeira é a questão do uso dos resíduos nucleares. No caso brasileiro existe de fato uma definição sobre o que fazer para diminuir os riscos de contaminação?
A segunda é o estabelecimento de um programa de defesa da população numa área de algumas centenas de quilômetros em torno das usinas,em caso de acidente que coloque em risco a pessoa humana e o meio ambiente. ParaAngra, é bom que se diga que essa área abrange a cidade do Rio.
E finalmente, é preciso que se prove que um acidente das proporções de Chernobyl tem chance MÍNIMAde acontecer por aquí.