Após leilão EDF decide seu futuro

Futuro da EDF no Brasil deve ser definido no próximo leilão da Aneel



A habilitação da térmica de Paracambi, no leilão de energia marcado para 29 de junho, pode ser um sinal de que a Electricité de France (EDF) vai permanecer no Brasil depois de encerrado o processo de transferência do controle da Light para o consórcio Rio Minas Energia, formado pela Cemig, Andrade Gutierrez, Pactual e JLA. Resta saber se os franceses vão oferecer energia no leilão, o que só se saberá no dia, ou com sorte um pouco antes. Ele pode ser realizado antes do fechamento da transferência do controle e gestão da Light, que deve acontecer no máximo até o dia 15 de julho.

Na avaliação de uma fonte da EDF ouvida, a crise da Bolívia, provável supridora do gás para a unidade, pode ser um obstáculo para os planos da empresa, mas não será decisivo. “O leilão de energia não vai determinar se a EDF continua no Brasil. A Bolívia atrapalhou a pouca chance do projeto ter gás mas, a médio e longo prazos, isso não deve ser levado em conta para definir se ela ficará na geração. Ainda é cedo para dizer.”

Ainda focados na aprovação da venda pelas autoridades na França e no Brasil, os franceses não decidiram sobre sua permanência na geração no Brasil, onde têm a térmica Norte Fluminense. Essa usina tem contrato de fornecimento e participação de 10% da Petrobras, capacidade instalada de 780 MW e custou US$ 500 milhões.

Sem gás natural para Paracambi, a EDF assinou um contrato de fornecimento de gás boliviano com a Total. Mas como precaução, a térmica foi inscrita no leilão como empreendimento movido a gás e bi-combustível.

O suprimento de gás depende da ampliação do gasoduto Bolívia-Brasil, projeto que foi cancelado, e de um gasoduto da Petrobras trazendo gás boliviano que chega a São Paulo e até o Rio. As duas condicionantes não são desprezíveis. Mas há quem defenda, na companhia, que ela não saia agora do país, para não ficar com a pecha, na França, de ter entrado no momento errado e saído antes de obter ganhos significativos no caso de uma explosão de consumo, e preços.

O atual ambiente político na França sugere cautela nas decisões. O mandato do presidente Jacques Chirac se encerra em maio de 2007 e a França, particularmente a empresa Areva, tem interesse no programa nuclear brasileiro, apesar dos sinais pouco claros sobre a disposição de construir a usina nuclear de Angra 3. “A França tem grande experiência na operação de usinas nucleares e isso poderia gerar uma parceria com o governo brasileiro“, pondera a fonte.

Na avaliação da EDF, a crise da Bolívia é momentânea e não vai afetar o suprimento de gás no longo prazo, mesmo no caso de um improvável corte nas vendas, que atualmente são de 25 milhões de metros cúbicos/dia, com possibilidade de chegar a 30 milhões/dia. Mesmo que isso ocorra, os franceses acham que esse problema seria conjuntural, com o suprimento do país sendo atendido em pouco tempo por gás natural liquefeito (GNL) ou gás nacional.
C.Schüffner, Valor

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