Artigo: Olavo Cabral

NÃO ESQUECER O PRINCIPIO DA PRECAUÇÃO

 

 

Recentes alertas tornam-se mais freqüentes sobre o aquecimento global e, especificamente, sobre os degelos dos glaciais na Groelândia, na Antártida e nas cadeias de montanhas como o Himalaia, os Alpes, os Urais, os Andes, etc.

Nenhum dado quantitativo preciso de viés apocalíptico pode ser inferido. Mas, as gamas de valores previstos de temperaturas e fluxos de água doce que contribuíssem para a elevação do nível dos oceanos, provenientes da Groelândia e da Antártida, já nos permitiriam adotar  uma atitude de precaução.

 

Outro dado seria a diminuição das vazões dos rios que dependem, em seu regime hídrico, do degelo periódico de geleiras. Esses rios estão, sobretudo na Ásia, na Europa e na América do Norte. Mas também na América do Sul. No Brasil, ousamos dizer sem buscar dados sobre a contribuição do degelo andino nas vazões do Marañon-Solimões- Amazonas, que estamos majoritariamente salvos nesse aspecto.

 

Salvos se evitássemos que o desmatamento da floresta amazônica jamais alcançasse patamares que levem à inexorável e definitiva savanização e desertificação. Nesse caso as vantagens que anunciaremos abaixo ficariam totalmente prejudicadas. Também ficariam prejudicadas se o aquecimento global viesse a afetar drasticamente o regime hídrico dos nossos rios tropicais.

 

Vamos supor então que o avanço da taxa atual de desmatamento amazônico seja contido. Isso depende de nós. Quanto aos efeitos sobre as demais bacias brasileiras do aquecimento global, vamos adotar algum otimismo. Vamos esperar por bom senso global.

 

Vamos às vantagens brasileiras. O bom uso dessas vantagens ficaria pendente de uma simples decisão estratégica a muito curto prazo. Decisão que seria lembrada com loas e elogios pelas gerações brasileiras no século XXII:

O maior armazenamento plurianual possível, com as devidas compensações e mitigações sociais e ambientais, nos locais ainda disponíveis para geração hidrelétrica, sobretudo  na bacia amazônica.

 

Enquanto isso as sociedades dos países do hemisfério norte, com seus rios com regimes hídricos devastados, não entoariam os mesmos elogios e loas aos seus governantes do século XXI.

 

 

Olavo Cabral Ramos Filho

16 de novembro de 2010

Categoria