Artigo: OS RESERVATÓRIOS AINDA NÃO ESTÃO SE ENCHENDO

Eng. José Antonio Feijó de Melo  Recife, 28 de janeiro de 2012

        Repercutindo declarações de autoridades do setor elétrico nacional, dentre as quais se inclui a própria Presidente da República, vários jornalistas têm divulgado que os reservatórios do sistema hidrelétrico brasileiro estão se enchendo, afastando assim o risco de desabastecimento. Infelizmente, isto não é verdade.

        Acompanhando de perto o dia-a-dia da operação do Sistema Interligado Nacional, podemos afirmar que infelizmente até agora não há sinal garantido de que os reservatórios estejam em fase de enchimento e que assim esteja afastada a possibilidade de crise de abastecimento. Infelizmente isto ainda não é verdade, conforme abaixo será demonstrado.

        O chamado período úmido das grandes bacias em que estão situados os reservatórios do nosso sistema hidrelétrico basicamente começa no início de novembro e se estende por seis meses, indo até o fim de abril, quando então começa o período seco que vai até o final de outubro, e assim sucessivamente, ano após ano. Claro que pode haver certa variação, com pequenos atrasos ou adiantamentos, mas basicamente os períodos úmidos e secos obedecem esta seqüência bem definida.

        Pois bem, no dia 31 de outubro passado, os reservatórios brasileiros acumulavam os seguintes volumes d’água: Subsistema Sul – 41,5%; Subsistema Sudeste/Centro-Oeste – 37,0%; Subsistema Nordeste – 33,9%; Subsistema Norte – 41,3%.

        Agora, observem-se os armazenamentos registrados até a sexta-feira passada, dia 25 de janeiro: Subsistema Sul – 47,0%; Subsistema SE/CO – 34,4%; Subsistema NE – 30,8%; Subsistema N – 46,3%.

        Note-se que já são decorridos praticamente três meses do atual período úmido, isto é, a metade de todo o período em que os reservatórios deveriam estar reenchendo de fato. E o que mostram os números acima citados?

        Mostram que nestes três meses apenas os reservatórios do Sul e do Norte apresentaram alguma recuperação. Mas estes reservatórios têm pouco peso, pois somam apenas cerca de 10% do total. Enquanto isto, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, que representam cerca de 70% do total, e do Nordeste que valem os 20% restantes não melhoraram nada. Ao contrário, baixaram mais um pouco.

        Comparem-se então estes percentuais de armazenamento com a posição desses mesmos reservatórios no dia 25 de janeiro do ano passado (2012), mostrados a seguir: Subsistema Sul – 61,0%; Subsistema SE/CO – 74,5%; Subsistema NE – 68,6%; Subsistema N – 81,6%.

        As diferenças são muito grandes, sem dúvida. E é por tudo isto que achamos que infelizmente ainda não há garantia de tranqüilidade para o setor elétrico nacional. Os três meses que ainda restam do atual período úmido (fevereiro, março e abril) poderão trazer chuvas fortes e vazões importantes para os grandes rios brasileiros, mas hoje ninguém poderá garantir com segurança que isto acontecerá, como também que não acontecerá, pois a Natureza é imprevisível e caprichosa. O fato é que a cada dia que se passa e as chuvas não aparecem nos grandes volumes que agora já seriam necessários, a probabilidade de crise cresce.

        E se os reservatórios não se recuperarem razoavelmente até o final de abril, a partir de maio começará o novo período seco, de baixas vazões nos rios e aí, mesmo com todas as térmicas literalmente funcionando a todo o vapor, as condições do sistema ficariam bastante delicadas.

        Em tempo: politicamente não sou da oposição e, embora não pertença a nenhum partido político, sou eleitor declarado de Lula e votei na Presidente Dilma.

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