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Eduardo aguarda a volta da autonomia da Chesf
Publicado em 28.05.2010 no Caderno de Economia do JC, Recife
O governador Eduardo Campos afirmou, durante entrevista ao programa de Geraldo Freire, na Rádio Jornal, que existe um prazo para que sejam realizadas as mudanças no estatuto da Chesf
O governador Eduardo Campos (PSB) disse que espera que “a burocracia da Eletrobras e do Ministério de Minas e Energia trate de cumprir o que Lula mandou fazer” para retomar a autonomia da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Ele foi entrevistado pelo radialista Geraldo Freire na Rádio Jornal, ontem pela manhã. O chefe do executivo alegou que é necessário um tempo para que ocorram as mudanças nos estatutos da Chesf.
As mudanças terão que passar pela aprovação do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (Dest), pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pelo próprio Conselho de Administração da Chesf. Depois disso, será marcada uma assembleia dos acionistas para mudar o estatuto. Anteontem, o presidente em exercício da Eletrobras, Ubirajara Meira, afirmou que serão necessárias seis semanas para concluir o trâmite burocrático e aprovar os novos estatutos da estatal.
“So se tomou conhecimento das mudanças quando trocaram os crachás dos funcionários da Chesf. Aí ficamos sabendo que a mudança do estatuto (realizada em 2008) retirou a autonomia da estatal para realizar investimentos”, comentou Eduardo Campos. A troca dos crachás aconteceu no último dia 22 de março, quando alteraram o nome da companhia para Eletrobras-Chesf.
Ainda na entrevista, o governador reagiu quando se comparou o processo de desmonte da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o que está ocorrendo na Chesf. “Fecharam a Sudene e levaram a chave. A Chesf ganhou um pedaço de Belo Monte”. Localizada no Pará, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e a Chesf tem uma participação minoritária (de 20%).
Em ano eleitoral, a oposição se apropriou do discurso em defesa da Chesf e isso fez o governo federal reagir. Aliado do presidente, Eduardo criticou as mudanças que retiraram a autonomia da estatal.
CONCESSÕES
Mais uma vez, Eduardo voltou a defender que o mais importante num debate sobre a Chesf é a renovação da concessão do parque gerador da empresa, que vence em 2015. Com isso, a estatal deixaria de ser dona das próprias hidrelétricas que construiu e elas passariam a serem exploradas via concessão do governo federal.
“Quero um compromisso dos candidatos, da nossa, que é Dilma Rousseff, e da oposição para prorrogar as concessões da Chesf”, comentou, acrescentando que deseja que isso ocorra por um prazo de 30 anos. “Senão, vamos lutar pela autonomia e daqui a pouco a Chesf não tem mais nada”, concluiu.