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Disputa por usina nuclear esquenta
Publicado em 10.07 no Caderno de Economia do Jornal do Commercio, Recife
Rumores sobre a transferência de projeto do Nordeste para o Sul do País movimenta o setor elétrico. Ministério de Minas e Energia diz que ainda não há definição e governo estadual evita especulações
Angela Fernanda Belfort
Esquenta a disputa pela usina nuclear que o governo federal pretende implantar no Nordeste. Em ano eleitoral, técnicos de diferentes empresas do setor elétrico afirmam que a usina nuclear vai ficar no Sul do País. “Não vamos especular e até agora não temos informações sobre isso”, disse o secretário estadual de Recursos Hídricos, João Bosco de Almeida, que acompanha todos os assuntos referentes a energia. O que está em jogo é um investimento inicial estimado entre R$ 7 e R$ 9 bilhões para instalar o empreendimento.
“Estamos trabalhando para que o empreendimento venha para o Nordeste, como está previsto no Plano Nacional de Energia (PNE) 2030”, argumentou o responsável pelo escritório da Eletronuclear no Nordeste, Carlos Mariz. Ele acrescentou que ainda não foi definido o local que vai receber o empreendimento.
Inicialmente, a própria diretoria da Eletronuclear informou, num evento para jornalistas que ocorreu no ano passado, no Rio de Janeiro, que a definição do local ocorreria até o final deste ano. Na época, a previsão era que uma central ficaria no Nordeste e outra no Sudeste.
Na região, os Estados que estão disputando o empreendimento são Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. Os estudos realizados no Nordeste apontam que a central não deve ficar no litoral, mas próximo ao Rio São Francisco. Em ano eleitoral, também entrou na disputa do empreendimento Santa Catarina, terra do atual ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, de acordo com técnicos do setor.
Pernambuco continua interessado no empreendimento e vai lutar para que essa central fique em no Estado, segundo o secretário João Bosco. Na audiência pública que colheu sugestões para o Plano Decenal de 2010 a 2019, o governo estadual fez três pedidos relacionados à energia nuclear: solicitou que a definição sobre o local onde será implantando o empreendimento ocorra no atual PDE, que o governo federal revise as taxas de crescimento do consumo de energia no Nordeste – porque o PDE traz números mais baixos do que os registrados recentemente – e que na definição do local de implantação seja levado em consideração o desenvolvimento regional. O PDE faz projeções dos empreendimentos que devem gerar energia se baseando no crescimento do consumo.
“Defendemos que o desenvolvimento regional não pode ser predominante, porque todos os consumidores pagam pelos custos da energia elétrica. No entanto, quando a economicidade for próxima, o governo federal poderia decidir por instalar num local que contribuísse para o desenvolvimento regional”, comentou Bosco. O governo federal ainda não divulgou quais as sugestões aceitas no PDE 2010-2019.
NUCLEAR
A energia nuclear é apontada por técnicos do setor elétrico como uma das boas opções para geração de energia firme no Nordeste, região que está recebendo vários parques eólicos. “A energia das eólicas não é firme, porque depende do vento. Já a nuclear está sendo considerada uma boa opção para o Nordeste”, defendeu um especialista do setor elétrico e diretor do Instituto Ilumina Nordeste, Antonio Feijó.
A energia nuclear é produzida a partir de umas pastilhas de urânio enriquecidas, material muito radioativo e que pode ser usado, independente de situações externas, como vento, chuvas etc. “O custo da energia nuclear está competitivo, as tecnologias evoluíram e a segurança está sob controle”, concluiu Carlos Mariz.
A assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia informou que não há definição sobre o local no qual será implantada a central nuclear