N O R D E S T E
CONSIDERAÇÕES DO ILUMINA-NE SOBRE COMENTÁRIOS DO ONS AO DOCUMENTO “O APAGÃO DO NORDESTE E SUAS CAUSAS” (*)
No dia 27/04/2011, o ILUMINA-NE divulgou e publicou no seu site o documento intitulado “O APAGÃO DO NORDESTE E SUAS CAUSAS”, referente à perturbação ocorrida no sistema eletro-energético do Nordeste na noite de 03 para 04 de fevereiro próximo passado, com a finalidade de “oferecer à sociedade nordestina e às autoridades um depoimento técnico isento sobre o evento, detalhando como e porque tudo aconteceu”, conforme foi explicitado logo no início do mencionado documento.
No referido depoimento, em nenhum ponto o ILUMINA-NE se referiu de forma negativa ao ONS, nem aos seus técnicos e dirigentes, nem tampouco à participação do Operador no evento em causa. Apenas, já no final do texto, julgou-se necessário registrar surpresa quanto ao posicionamento que o ONS havia assumido no Relatório de Análise de Perturbação sobre este caso específico, posicionamento este que, a nosso ver, não se fazia concorde com a isenção e o equilíbrio que o ONS sempre apresentara em ocasiões similares.
O ONS então discordou de algumas das declarações constantes do documento do ILUMINA-NE e, no dia 10 de maio passado, nos enviou a carta ONS-0397/100/2011 explicitando as posições do Operador quanto ao nosso documento, à qual anexou o texto sob o título Comentários do ONS ao documento “O APAGÃO DO NORDESTE E SUAS CAUSAS” de autoria da seção Nordeste do ILUMINA. Na sua carta, o ONS afirma que o referido anexo contém “todos os Comentários de natureza técnica que o ONS julga pertinente fazer, diretamente no texto do ILUMINA para pronta referência”.
A resposta do ONS (carta e anexo) foi publicada no site do ILUMINA com o devido destaque e sem nenhuma observação de nossa parte, de qualquer espécie.
No entanto, ao nosso julgamento, os Comentários de natureza técnica do ONS continuam eivados de importantes equívocos que precisam ser esclarecidos. Por isso, com o mesmo propósito do depoimento original, na seqüência, o ILUMINA-NE analisará cada um dos Comentários do ONS, transcrevendo-os na íntegra e logo apresentando a nossa visão sobre cada um deles.
1.Comentários do ONS:
É conveniente ressaltar não foi a abertura das interligações com o sistema Norte e com o sistema Sudeste/Centro-Oeste que levou ao conseqüente colapso do sistema Nordeste. O que de fato provocou o colapso do sistema Nordeste foram os seguintes eventos críticos:
1º ) A disponibilização da LT 500 kV 05C3 Luiz Gonzaga/Sobradinho e da barra 500 kV sem a intervenção de uma equipe de manutenção para a identificação correta e clara da anormalidade existente.
2º ) O desligamento automático indevido de 5 unidades geradoras na UHE Xingó, por perda de alimentação de serviços auxiliares, e, após cerca de mais 10 segundos, o desligamento automático indevido das 3 unidades na UHE Paulo Afonso IV, por sobrecorrente nos transformadores de excitação, cerca de 40 segundos após o sistema ter atingido um novo ponto de equilíbrio, em decorrência das atuações dos esquemas de controle de emergência, que isolaram o sistema Nordeste das demais regiões.
Um ponto vital que deve ser ressaltado é que, se não ocorresse o desligamento das máquinas das UHE Xingó e Paulo Afonso IV, a recomposição das cargas desligadas seria feita de forma muito mais rápida, pois o parque gerador e a rede de transmissão estavam praticamente todos em operação. A recomposição do sistema a partir do blecaute total é muito mais complexa, difícil e demorada. Além disso, a recomposição do Sistema Nordeste foi bastante prejudicada pelos problemas verificados nos equipamentos de autorestabelecimento (Black Start) da usina de Xingó.
Considerações do ILUMINA-NE
Aqui, são vários os equívocos do ONS. Em primeiro lugar, o ILUMINA-NE não afirmou que “foi a abertura das interligações… que levou ao conseqüente colapso do sistema Nordeste”, como entendeu o ONS. É evidente que o nosso texto não foi bem compreendido.
Uma leitura atenta notará que a frase “Esta sim foi a grande perturbação cujos efeitos…” não se refere à abertura das interligações, mas sim ao parágrafo que lhe antecede no texto, onde está a expressão “o que teria acontecido após a tentativa frustrada de religamento da primeira linha 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1, que provocou o desligamento automático da segunda linha 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C2 e da Barra B2 da subestação Luiz Gonzaga”. E, portanto, aqui repetimos. Esta sim foi a grande perturbação cujos efeitos provocaram a abertura das interligações e também várias outras conseqüências, as quais, todas juntas, culminaram com conseqüente colapso do sistema Nordeste.
Tudo isto significa que a tentativa frustrada de religamento da linha, provocando o desligamento automático da segunda linha e da Barra B2, foi a ação que verdadeiramente se constituiu como a CAUSA do colapso do sistema Nordeste, isto é, do Apagão.
Por outro lado, a simples disponibilização da linha e da barra não seria, como não foi, capaz de promover colapso de coisa nenhuma. Isto somente aconteceria, como de fato aconteceu, se equivocadamente se ligasse primeiro a linha, como aconteceu. Caso se tivesse energizado primeiro a barra, como deveria ter sido, o apagão não teria acontecido, como foi mostrado no documento do ILUMINA-NE e sobre o que não paira dúvida.
Além disso, afirmar que algo que aconteceu mais de 40 segundos depois do evento inicial da perturbação (a tentativa frustrada de religamento de linha C1) seria causa constitui um claro equívoco. Assim, o desligamento das cinco unidades geradoras de Xingó e das três de Paulo Afonso IV, independentemente das atuações específicas que tenham provocado tais desligamentos, se devidos ou indevidos, não importa, caracterizam-se claramente como conseqüência do fato gerador inicial e nunca como causa.
Note-se que é também equivocado afirmar que o sistema havia “atingido um novo ponto de equilíbrio”, pois este equilíbrio era restrito apenas ao aspecto energético (carga-frequência). No que respeita aos aspectos elétricos, vinculados aos fluxos de reativos e suas conseqüências sobre as tensões nos diversos pontos do sistema, há fortes evidências de que o sistema ainda não havia atingido um ponto de equilíbrio satisfatório. Os geradores, particularmente os de Xingó, estavam submetidos a severas condições de subexcitação, provavelmente fazendo-os operar em situações próximas aos seus limites de estabilidade.
É preciso notar que nestes 40 segundos, equivalentes a 2.400 ciclos, aconteceram incontáveis operações automáticas sobre elementos do sistema que produziram crescente degradação da malha com importantes conseqüências sobre as tensões, como inclusive está registrado no próprio Relatório de Análise do ONS.
Concordamos que se não tivesse ocorrido o desligamento das máquinas das usinas de Xingó e Paulo Afonso IV a recomposição das cargas teria sido facilitada. No entanto, embora possível, nada garante que se os geradores das referidas usinas não tivessem saído de operação naquelas circunstâncias em que saíram a crescente degradação da malha que vinha ocorrendo devido à falta de compensação dos reativos e seus efeitos sobre as tensões não acabassem por conduzir a outros desligamentos também de importância como os de Xingó e PA IV.
2. Comentários do ONS:
O sistema de fato não estava preparado para suportar uma contingência dupla, o que significa a perda concomitante de dois elementos (N-2), mais estava preparado para suportar uma nova contingência simples, após a ocorrência anterior de uma primeira contingência simples (LT 500 kV São João do Piauí/Milagres), ou seja, o critério N-1-1.
Considerações do ILUMINA-NE
Na essência, em outras palavras foi o que dissemos. Note-se que o ONS, preso ao formalismo da linguagem estritamente técnica especializada, parece não se ter apercebido que o ILUMINA-NE, no seu documento, não estava falando para técnicos. Conforme está explícito no documento, falávamos para a sociedade nordestina e para autoridades e, por isto, lá está registrado que “nos esclarecimentos que serão apresentados, na medida do possível, se procurará adaptar, ou ‘traduzir’ a linguagem técnica para permitir ao público não especializado o entendimento das informações pertinentes às questões essências da ocorrência”.
Assim, na simplificação, associamos a falta de um elemento a uma “contingência simples”, de dois elementos a uma “contingência dupla” e assim por diante, aspeando as palavras e sem usar a nomenclatura do “N”, para não ter de esclarecer aos leigos que N-2 não seria exatamente o mesmo que N-1-1. O importante era ressaltar que o sistema estava preparado para operar desfalcado de dois elementos, mas não suportaria a perda de um terceiro, como não suportou, mesmo que não fosse simultaneamente.
3. Comentários do ONS:
Dizer agora o que seria mais conveniente é muito fácil, diante do diagnóstico posterior da falha de componente que ocorreu naquela ocasião. O que é importante dizer agora, retornando ao momento da situação passada, é que a decisão de disponibilizar a LT 500 kV 05C3 Luiz Gonzaga/Sobradinho e/ou a barra 500 kV 05B1só poderia ser tomada após a intervenção de uma equipe de manutenção para a correta identificação do problema. A liberação não poderia ser feita a partir apenas da identificação da sinalização de “atuação de proteção de falha do disjuntor 15C3”, sem levar em consideração que havia a sinalização de relé de bloqueio associado e não havia sinalização de atuação nem de proteção de linha e nem de proteção de barra, pois estes fatos caracterizavam anomalia que impedia o religamento dos componentes desligados. Como não havia sinalização de atuação dessas proteções, apenas o isolamento do disjuntor não eliminaria a possibilidade de existência de falha em algum outro componente da proteção, o que acabou se confirmando. A linha e a barra foram liberadas sem a identificação clara da anormalidade existente, que mantinha uma predisposição permanente de atuação de forma acidental da proteção de Falha dos Disjuntores 15C3 e 15D2.
Portanto, reafirmamos que não havia duas alternativas a escolher. No caso, a decisão mais acertada teria sido o agente proprietário manter ambos os elementos desligados e solicitar a intervenção de suas equipes de manutenção, para que fosse identificada a causa concreta da “atuação da proteção de falha do disjuntor 15C3”. Ressalte-se que, naquele momento, a única e efetiva indicação mostrada pelos instrumentos da subestação era o acionamento dessa proteção de retaguarda, um claro sinal de que havia algum problema na referida proteção, que poderia ter sido acionada tanto pela linha como pela barra.
Enquanto a equipe de manutenção estivesse em ação, o intercâmbio deveria ter sido reduzido e qualquer medida de religamento só deveria ser decidida em função das informações prestadas pela equipe de manutenção que estaria atuando na subestação.
Este é o resultado de uma análise tecnicamente correta considerando todas as informações obtidas posteriormente, que nem sempre se tem no momento presente em que os fatos estão acontecendo. Na ocasião, com a LT 500 kV São João do Piauí/Milagres já fora de operação, após o desligamento automático da LT 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1, juntamente com a barra B1 da subestação de Luiz Gonzaga e o disjuntor de saída dessa linha na subestação Sobradinho, era realmente necessário e urgente recompor o sistema, que embora operando normalmente, estava vulnerável. E a ação realmente efetiva para isto era o restabelecimento da LT 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1.
Considerações do ILUMINA-NE
Equivoca-se mais uma vez o ONS ao afirmar que “dizer agora o que seria mais conveniente é muito fácil”, supondo que a posição do ILUMINA-NE sobre a prioridade pela energização da barra antes da linha foi assumida em função do diagnóstico posterior. Não, a posição do ILUMINA-NE nesta questão é anterior e definitiva, baseada no referencial de que operar uma subestação importante de extra-alta-tensão com uma barra única, à qual estejam diretamente conectados todos os geradores de uma grande usina e várias linhas de transmissão de 500 kV que entram ou saem dessa subestação constitui uma absoluta temeridade.
Em tais condições, uma barra simples eletricamente equivale a um “nó”, ao qual estão ligados todos os elementos sem nenhuma flexibilidade ou segurança operacional, numa situação totalmente diferente das condições que seriam oferecidas pela configuração de barras duplas com disjuntor e meio. Não seria por acaso que o apagão não teria ocorrido se primeiro se tivesse ligado a barra.
Por isso, reafirmamos que havia sim duas alternativas a escolher, ligar primeiro a barra ou a linha. E nestas condições, indubitavelmente a primeira opção seria a energização da Barra B1, restaurando-se assim a configuração plena e segura da subestação. A tentativa de ligação da linha em seguida, mesmo sendo frustrada, não teria provocado o apagão.
Por outro lado, o ILUMINA-NE não concorda com a posição do ONS de que a disponibilização da linha foi um erro e que o certo seria entregá-la à equipe de manutenção para a correta identificação do problema.
Entretanto, para efeito de raciocínio, vamos considerar a argumentação do ONS. Então, neste caso, caberia uma pergunta: quem, em tempo real, o ONS acha que deveria fazer a avaliação técnica sobre as indicações do sistema de proteção e, a partir daí, adotar a decisão que julga correta, isto é, entregar o problema para a manutenção ao invés de tentar recompor o sistema?
Seria por acaso o operador da CHESF? Nesta hipótese, seria justo atribuir a um profissional de nível médio a capacidade e a obrigação de julgar uma situação de certo modo complexa como aquela, ainda mais na condição de pressão do tempo real?
E se o operador da CHESF não fez o que o ONS considera que devia ser feito, por que o operador do ONS também não fez tal julgamento para então recusar a liberação da linha? Tinha poderes institucionais para isto. Não se venha argumentar com a posição também equivocada de que ao ONS não cabe questionar. Isto não seria correto. Ao ONS cabe sempre a responsabilidade de avaliar a correção das ações propostas pelos agentes. É um direito e um dever que lhe assiste.
Portanto, a proposição que o ONS faz a posteriori (entrega da linha à manutenção) é que não seria exeqüível naquele momento e a razão para isto é o próprio ONS quem fornece nestes mesmos Comentários acima.
Com efeito, lá está consignado que “Este é o resultado de uma análise tecnicamente correta considerando todas as informações obtidas posteriormente, (grifo nosso) que nem sempre se tem no momento presente em que os fatos estão acontecendo”.
Ora, se o ONS somente pôde chegar a esta conclusão posteriormente, depois de detalhados estudos de escritório, como se poderia exigir que os operadores adotassem esta decisão na pressão da urgência? Agora, ressaltando a contradição do ONS, é o ILUMINA-NE que se julga no direito de dizer que “falar agora, depois de estudos posteriores, é muito fácil”.
Porém, ainda no final destes mesmos Comentários, o ONS incorre em mais uma contradição que deve aqui ser registrada. Depois de advogar, como foi visto, que o correto seria entregar a linha à manutenção, por um tempo cuja duração não se sabia a priori (na realidade demandou cerca de cinco horas), vem finalmente o ONS defender que, diante da vulnerabilidade em que o sistema se encontrava, com uma única linha entre Sobradinho e Luiz Gonzaga, “era realmente necessário e urgente recompor o sistema… e a ação realmente efetiva para isto era o restabelecimento da LT 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1.”
Então, isto quer dizer que, segundo o ONS, os operadores agiram corretamente não entregando a linha à manutenção num primeiro momento. Depois de isolarem a peça supostamente defeituosa (o disjuntor 15 C3), partiram para a tentativa de recompor o sistema, atendendo ao seu caráter de urgência. Infelizmente, como foi visto, por força das circunstâncias, se confundiram e iniciaram pela tentativa imprópria de ligar a linha.
4. Comentários do ONS:
Reafirmamos que o restabelecimento com sucesso da LT 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1 restauraria de imediato as condições originais de segurança do Sistema Nordeste, pois possibilitaria a operação em carga de dois circuitos entre as importantes usinas de Sobradinho e Luiz Gonzaga.
Na condição de rede alterada após uma perturbação, como era o caso em análise, o sistema estava exposto a um risco iminente de sofrer uma perturbação de grande porte em caso de perda de linhas no sistema de 500 kV, em especial do segundo circuito de 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C2. A perda desta LT 500 kV, mesmo com a SE Luiz Gonzaga na sua configuração original de barra dupla, provocaria o mesmo impacto inicial que o verificado nesta ocorrência.
Para retornar às condições originais de segurança, o procedimento operacional requerido após desligamentos de equipamentos de transmissão consiste em normalizar prioritariamente o equipamento desligado, desde que não haja restrições informadas pelo proprietário da instalação. Cabe reiterar que o religamento de componentes desligados é uma prática internacionalmente adotada, salvo se for identificado algum impedimento.
Considerações do ILUMINA-NE
Esta argumentação do ONS talvez pudesse convencer aos não iniciados em questões desse tipo. No entanto, mais uma vez está equivocada e não resiste a uma observação mais cuidadosa. Com efeito, omite-se o fato de que, no caso, o restabelecimento da linha seria feito sobre a subestação Luiz Gonzaga operando com uma barra simples o que, em si, constitui um risco intrínseco, pois a barra simples, como já foi mencionado, não ofereceria a segurança e a flexibilidade operacional que existia na configuração original, mesmo que a ligação da linha tivesse obtido sucesso. E para provar que esta opção não era a correta, foi exatamente o que ocorreu, o apagão.
Ao contrário, iniciando-se pela energização da barra, não haveria erro. Uma vez a barra recomposta plenamente (isto não levaria mais de um minuto), se poderia tentar fazer a ligação da linha e, na hipótese de sucesso, aí sim, o sistema estaria com a sua condição de operação e segurança restauradas. E se a tentativa não obtivesse sucesso, como efetivamente não obteve, também não teria ocorrido o apagão. Seria repetida a condição anterior, agora com a saída da Barra B2, permanecendo a subestação em operação com a Barra B1 previamente reenergizada.
Neste ponto, consideramos relevante questionar a insistência do ONS em não admitir que havia dois equipamentos de transmissão desligados – a linha e a barra. O ILUMINA-NE não consegue compreender por que esta resistência, tão esdrúxula a ponto de gerar outra contradição. Afinal, a linha devia ser prioritariamente religada ou entregue à manutenção? Diante deste posicionamento, o ILUMINA-NE gostaria de fazer uma colocação para o ONS.
Na hipótese de que, no futuro, uma situação absolutamente similar a esta venha a se repetir, isto é, uma subestação importante de configuração normal em barras duplas e disjuntor e meio, por uma circunstância qualquer fique momentaneamente reduzida a uma barra única e ao mesmo tempo uma de suas linhas esteja desligada, para recomposição qual a opção que o ONS irá adotar? Determinará o religamento em primeiro lugar da linha ou da barra?
5. Comentários do ONS:
Realmente “algo de estranho estaria ocorrendo com aquela proteção que, por isso, foi entregue à manutenção para as devidas verificações”, só que isto deveria ter sido feito antes da decisão de disponibilizar a LT 500 kV 05C3 Luiz Gonzaga/Sobradinho e/ou a barra 500 kV 05B1 para energização, que só poderia ser tomada após a intervenção de uma equipe de manutenção para a correta identificação do problema, o que de fato foi feito cinco horas mais tarde.
Considerações do ILUMINA-NE
O ONS insiste em que a linha deveria ser entregue à manutenção, mesmo afirmando nos Comentários anteriores que o religamento da linha era urgente e que a prática normal no setor é que, identificada a razão do desligamento, deve-se remover o elemento defeituoso e religar a linha. Ora, foi exatamente isto o que os operadores fizeram. Isolaram o disjuntor supostamente defeituoso e partiram para recompor o sistema.
Conforme já foi esclarecido em observações acima, é surpreendente, pois, que se venha novamente a insistir que os operadores tivessem a condição de julgar sobre questões técnicas que para o próprio ONS somente se tornaram claras a partir de análise posterior. Para os operadores, a evidência de que havia defeito na cadeia de proteção da linha somente viria a ficar clara depois da tentativa frustrada de sua religação.
Cabe ainda registrar que efetivamente nada havia de errado com a linha, que inclusive já fora energizada a partir de Sobradinho. E a priori não se podia prever que o defeito fosse exatamente numa peça que lá está justamente para evitar que defeitos venham a prejudicar o sistema e seus elementos constituintes. O ONS afirma com razão que religar a linha era urgente. Esperar cerca de cinco horas atenderia esta urgência?
6. Comentários do ONS:
É conveniente ressaltar que neste momento o sistema Nordeste atingiu um novo ponto de equilíbrio, conforme ressaltado no texto acima que “a freqüência já havia sido praticamente restaurada”, em decorrência das atuações corretas dos esquemas de controle de emergência, que isolaram o sistema Nordeste das demais regiões.
Outrossim, não concordamos, tecnicamente, que a frequência caiu “para inaceitáveis 56,4 Hz”. A concepção e revisão do ERAC da região Nordeste adotou a freqüência mínima de 56 Hz de acordo com o os Procedimentos de Rede, conforme subitens 8.8.4.1 e 8.8.4.2 do Submódulo 23.3, com a aprovação de todos os agentes, visando balancear o montante de carga cortada com o desempenho do sistema.
Considerações do ILUMINA-NE
Aqui, o ILUMINA-NE faz questão de enfatizar, mais uma vez, que alcançar o equilíbrio de freqüência não significa que o sistema atingiu o ponto de equilíbrio como um todo. Para isto seria necessário também que se alcançasse equilíbrio nos fluxos de reativos e conseqüentemente uma estabilidade adequada nos níveis de tensão dos diversos barramentos do sistema na região, pois a falta dessa estabilização provocaria, como provocou, o desligamento de outros elementos.
É pacífico que naqueles momentos o sistema não dispunha das compensações reativas desejáveis, resultando em variações extremas de tensões em vários pontos, que chegaram a sobrecarregar até mesmo compensadores (o compensador estático de Fortaleza, por exemplo) que por isso foram desligados automaticamente, agravando ainda mais o desequilíbrio dos reativos. Desse modo, as unidades geradoras do sistema, particularmente as de Xingó, acabaram tendo de absorver esta função sendo, por isso, levadas a uma inadequada condição de operação com muito baixa excitação.
Neste ponto, vale recordar a ocorrência do dia 10/11/2009, quando esta questão das tensões jogou um papel de relevo na extensão das conseqüências da perturbação, particularmente no Estado de São Paulo, onde as tensões caíram a valores muito baixos em vários pontos, inclusive na subestação de Ibiuna, na qual especificamente por esta razão verificou-se o desligamento dos bipolos de HVDC o que, sem sombra de dúvida, ampliou significativamente os efeitos globais daquela ocorrência.
Por outro lado, com certa surpresa constatamos que o ONS não entendeu o que o ILUMINA-NE quis dizer quando afirmou que a freqüência “caiu de 60 Hz para inaceitáveis 56,4 Hz”, pois isto não seria questão de se concordar ou discordar, já que era apenas o registro de um fato. 56,4 Hz eram inaceitáveis porque qualquer freqüência diferente de 60 Hz é inaceitável e, por isso, nestes casos, o Esquema Regional de Alívio de Carga (ERAC), previsto para este fim, atua para restaurar o equilíbrio entre a carga e a capacidade de geração disponível naquelas circunstâncias.
7. Comentários do ONS:
É importante dizer mais uma vez que este foi o segundo “evento crucial” que de fato provocou o colapso do sistema Nordeste, qual seja, o desligamento automático indevido de 5 unidades geradoras na UHE Xingó, por perda de alimentação de serviços auxiliares, e, após cerca de mais 10 segundos, o desligamento automático indevido das 3 unidades na UHE Paulo Afonso IV, por sobrecorrente nos transformadores de excitação. Esses desligamentos das unidades geradoras das UHE Xingó e Paulo Afonso IV ocorreram cerca de 40 segundos após o sistema ter atingido um novo ponto de equilíbrio, em decorrência das atuações dos esquemas de controle de emergência, que isolaram o sistema Nordeste das demais regiões.
O desligamento das unidades geradoras da UHE Xingó não está associado às condições operacionais do Sistema Nordeste durante a perturbação. O desligamento destas máquinas foi provocado pelo ajuste inadequado do relé de subtensão atualmente utilizado no automatismo de comutação dos serviços auxiliares.
Considerações do ILUMINA-NE
Outra vez, aqui temos uma divergência de fundo com a opinião do ONS e isto por um motivo muito simples, ao alcance da compreensão de qualquer pessoa, mesmo não sendo técnicos.
Como já esclarecido antes, não se pode considerar como CAUSA do apagão algo que aconteceu mais de 40 segundos depois da ocorrência do fato gerador da perturbação, que caracteriza seu instante zero, isto é, 00h21m, o momento da tentativa frustrada de ligação da linha 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1, que além de não obter sucesso provocou o desligamento da segunda linha e da Barra B1 da subestação Luiz Gonzaga.
Assim, independentemente de qual tenha sido o dispositivo que acionou o desligamento dos geradores de Xingó e de Paulo Afonso IV cerca de 40 segundos depois, como aliás de todos os outros desligamentos que ocorreram, tudo isto configura-se como CONSEQUÊNCIA e não como CAUSA. Note-se que somente pelas atuações do ERAC, antes da saída dos geradores de Xingó, mais de 40% das cargas do Nordeste já haviam sido “apagadas”.
Sem dúvida, a saída dos geradores de Xingó deve ter exercido um papel relevante na amplitude da ocorrência, tal como teve a saída dos bipolos de HVDC na perturbação de 10/11/2009, mas, em ambos os casos, foram conseqüências e não causas.
O ILUMINA-NE não discutiu os ajustes dos relés questionados pelo ONS, nem vai discutir. Esta é uma questão que deve ser debatida e equacionada exclusivamente entre o ONS e a CHESF, de forma cooperativa, ponderando-se os verdadeiros aspectos técnicos e, eventualmente, recorrendo-se à colaboração de terceiros, se for julgado necessário para se dirimir dúvidas técnicas.
8. Comentários do ONS:
Para que se tenha um entendimento correto da situação é importante dizer que esta perturbação se iniciou às 00h08min do dia 04/02/2011 com desligamento automático da LT 500 kV Luiz Gonzaga/Sobradinho C1 e do barramento 500 kV 05B1 da SE Luiz Gonzaga e com a abertura de todos os disjuntores conectados a esta barra e do disjuntor 15D2 associado à LT 500 kV Luiz Gonzaga/Sobradinho C1, provocada pela atuação acidental da proteção de falha do disjuntor de 500 kV 15C3.
À 00h09 a Chesf contatou o ONS para disponibilizar a LT 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1 (05C3), após desligamento automático dessa à 00h08. Neste contato, o ONS informou à Chesf que o barramento 500 kV (05B1) encontrava-se também desligado, levando o agente a suspender a disponibilização da referida LT.
À 00h11 a Chesf disponibilizou novamente a LT 500 kV Sobradinho / Luiz Gonzaga C1 (05C3) para energização.
À 00h12 foi determinado pelo ONS o religamento da LT 500 kV Sobradinho / Luiz Gonzaga C1 (05C3), visando resgatar as condições de segurança do sistema Nordeste.
À 00h15 o ONS questionou à Chesf quanto à razão desse tempo decorrido para o fechamento da LT em Sobradinho, tendo sido esclarecido que um operador encontrava-se efetuando comando local para executar o religamento do disjuntor desta linha.
À 00h17 a Chesf disponibilizou o barramento 05B1 da UHE Luiz Gonzaga. Neste momento, o processo de energização da LT 500 kV Sobradinho / Luiz Gonzaga C1 (05C3) se encontrava em andamento, vindo a se concretizar um minuto após, à 00h18, após retirada dos bloqueios à sua energização, efetuada à 00h13.Não havendo qualquer restrição quanto aos aspectos de segurança para energização da LT 500 kV Luiz Gonzaga / Sobradinho C1 (05C3) e considerando que o restabelecimento desta LT restauraria de imediato as condições de segurança do Sistema Nordeste, o ONS autorizou a Chesf a efetuar o fechamento do disjuntor 15D2 de Luiz Gonzaga. As seguintes razões também foram levadas em consideração:
• Não havia informação pela Chesf de qualquer anormalidade quanto ao disjuntor 15D2 da UHE Luiz Gonzaga que havia sido aberto à 00h08;
• Não havia qualquer restrição informada pela Chesf, referente à LT ou ao barramento 05B2 onde a LT seria conectada;
• A LT já estava energizada com sucesso a partir de Sobradinho, indicando não haver defeito permanente;
• O disjuntor 15C3 de conexão da LT ao barramento 05B1 da UHE Luiz Gonzaga, que havia originado os desligamentos à 00h08 por atuação da proteção de falha de disjuntor, já se encontrava isolado pelas seccionadoras e ainda não se sabia o motivo da atuação dessa proteção.
É importante que se faça uma descrição desde o instante inicial à 00h08 até o instante crucial à 00h21para que se tenha um conhecimento preciso e detalhado de todos os fatos que envolveram o processo de tomada de decisão desta perturbação.
Portanto, pode-se concluir que se a manobra de energização da LT 500 kV Sobradinho / Luiz Gonzaga C1 (05C3) tivesse sido concluída antes da 00h17, instante em que a Chesf disponibilizou o barramento 05B1 da UHE Luiz Gonzaga para energização, os diálogos reproduzidos abaixo não teriam acontecido. (grifos nossos).
Além do mais, é imprescindível que as conversas havidas entre os operadores de sistemas de quaisquer organizações sejam reproduzidas sem expor os nomes dos profissionais envolvidos, por questões eminentemente éticas, que é uma prática comum e oficial na degravação de diálogos em toda operação do sistema elétrico brasileiro, mesmo quando envolve profissionais de uma mesma empresa.
Horário N. Chamada Interlocutor Transcrição
00:17 COSR-NE ONS, Leonardo.
CROP É do CROP, Roniere.
COSR-NE Oi Roniere.
CROP Leonardo, 0:17 está disponível a 05B1de Luiz Gonzaga
COSR-NE 05B1. 0:17 disponibilizando?
CROP Positivo!
COSR-NE Ok. Se você fechar o 14C3 você vai energizar ela em vazio por Luiz Gonzaga, né?
CROP Não. Mas o 15C3 já está isolado!
COSR-NE Sim. Eu digo 15C4, no caso?
CROP Positivo! Vai energizar a barra. A partir. Ééé.
COSR-NE Pode normalizar a barra e deixar o 15C4 aberto, né?
CROP Pode!
COSR-NE Isso, então está bom. Então pode normalizar a barra então de Luiz Gonzaga, tá?
CROP Ok!
COSR-NE 0:17, e deixando o 15C4 aberto porque a gente vai iniciar a manobra da 05C4 por Sobradinho!
CROP Ok. Mas a 05C4 está energizada, ouviu? A que está fora é a C3!
COSR-NE ah, é. Exatamente é. A C4 está energizada. Ok.
CROP Ok?. Então posso iniciar a normalização da 05B1?
COSR-NE Pode sim!
CROP Ok!
COSR-NE Pode normalizar, até mais!
Horário N. Chamada Interlocutor Transcrição
00:18 COSR-NE ONS, Leonardo!
CROP Leonardo. é do CROP, Rui. 05C3 está energizado em vazio por Sobradinhho.
COSR-NE Ok.
CROP Coloco ela em carga, pelo perminal de Luiz Gonzaga?
COSR-NE 122 kV. E isso aí cara? É Quanto a diferença de tensão. Entre barra e linha? Heim Rui?
CROP Oi?
COSR-NE É Quanto a diferença de tensão. Entre linha e barra?
CROP Deixa eu ver o mínimo. Rapaz, lá não tem muita recomendação não. Pelo que eu estou.
COSR-NE A barra ainda está desenergizada, não é?
CROP Positivo! Se você autorizar a gente pode botar a linha em carga e também normalizar todos os disjuntores da barra.
COSR-NE Ok. Então, Rui, vamos fechar o disjuntor 15D2 lá de Luiz Gonzaga, tá?
CROP Ok, fechar o disjuntor 15D2 de Luiz Gonzaga?
COSR-NE Isso!
CROP Em seguida normalizar a barra. Pode ser?
COSR-NE Em seguida normalizar a barra!
CROP Em seguida normalizar o 05B1 de Luiz Gonzaga?
COSR-NE Isso!
CROP Tranquilo, amigo, tchau!
Considerações do ILUMINA-NE
Não nos parece razoável que agora o ONS venha recorrer a um “se” para tentar justificar uma opinião que a nosso ver é injustificável. Quantos outros “se” poderiam ser considerados para a análise deste caso? Certamente vários. Vamos examinar alguns.
– Se a malfadada cartela não tivesse apresentado defeito, nada teria acontecido.
– Se a linha 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1 tivesse sido ligada antes de 00h17m, como sugere o “se” do ONS, simplesmente o sistema teria caído do mesmo jeito que caiu a partir de 00h21m. Realmente, como diz o ONS, o diálogo citado não teria acontecido, posto que desnecessário, mas, no caso, a única diferença seria que o apagão teria acontecido alguns minutos antes do que de fato aconteceu.
– Se a qualquer momento a Barra B1 tivesse sido energizada em primeiro lugar, simplesmente o apagão não teria acontecido.
– Se, ao invés de ligar a linha ou a barra, os operadores tivessem optado por entregá-las à manutenção? Durante o tempo necessário para as verificações (na realidade foram necessárias cinco horas), segundo o próprio ONS, o sistema estaria operando sob “sério risco” com apenas uma linha entre Sobradinho e Luiz Gonzaga e com barra simples nesta subestação. Talvez durante este tempo não tivesse acontecido nada, mas quem deveria ter tido a capacidade e a responsabilidade de julgamento para adoção desta hipótese?
Certamente vários outros “se” poderiam ser examinados, mas isto não vem ao caso agora. Seriam todos meramente hipóteses. O fato é que a linha 500 kV Sobradinho/Luiz Gonzaga C1 não foi ligada antes de 00h17m e, assim, o diálogo em questão aconteceu de verdade e agora não pode ser desconsiderado como “se” não tivesse tido necessidade de existir.
E como foi salientado no documento original do ILUMINA-NE, no referido diálogo se observa que os operadores vão iniciar a recomposição pela energização da Barra B1, quando então se confundem e resolvem começar pela linha. É o que está perfeitamente claro.
Por outro lado, o ILUMINA-NE não concorda que a reprodução do diálogo envolveu qualquer tipo de questão ética. Antes de mais nada, não houve citação específica de nomes. Apenas, na gravação autêntica os operadores naturalmente se tratam pelos seus pré-nomes e isto não acarreta qualquer tipo de problema para eles. Além do mais, o que está no diálogo são fatos, é a VERDADE, e quem trabalha com a verdade não pode estar ferindo princípios éticos. E mais, o ILUMINA-NE não afirmou que eles estavam fazendo nada de errado, ao contrário, salientou que eles “fizeram o que devia ser feito”. E efetivamente não os acusou de nada, compreendeu as circunstâncias em que estiveram envolvidos e na verdade os absolveu de qualquer culpa no evento. Portanto, repetimos, não concordamos que isto tenha ferido qualquer princípio ético.
9. Comentários do ONS:
O ONS está bem consciente das suas responsabilidades referentes à segurança, confiabilidade e qualidade da operação do sistema elétrico interligado nacional. Entretanto, lembra que cabe aos agentes proprietários das instalações a responsabilidade da segurança, confiabilidade e integridade das instalações e equipamentos. Estes são os princípios básicos que norteiam a divisão de responsabilidades pela operação da rede básica do SIN.
Conforme claramente estabelecido nos Procedimentos de Rede do ONS, cabe aos agentes proprietários das instalações e dos equipamentos zelar por sua manutenção e assegurar suas condições operativas, reportando aos Centros de Operação do ONS, em tempo real, ou às equipes de programação da operação, de forma antecipada, qualquer restrição operativa existente. Neste sentido, transcrevemos abaixo o item 2.6 da Rotina RO-AO.BR.05 que está inserida nos procedimentos de rede:
“Sempre que ocorrer o desligamento de uma FT (Função de Transmissão-transcrição nossa), independentemente da causa do desligamento, o Agente deve informar ao ONS a disponibilização da FT (exceto nos casos de recomposição fluente e nos casos de existência de autonomia para restabelecimento pelo agente, conforme instruções de operação vigentes), após a conclusão de todas as verificações, manobras e tratativas com equipes e agentes, de sua responsabilidade, relativas à referida FT, que permitirão a reintegração da mesma, possibilitando ao ONS efetuar as ações sistêmicas necessárias. Não são consideradas neste critério as manobras previstas nas instruções de operação do ONS”.
Considerações do ILUMINA-NE
O ILUMINA-NE certamente acredita, como sempre acreditou, que o ONS está bem consciente das suas responsabilidades referentes à segurança, confiabilidade e qualidade da operação do sistema elétrico interligado nacional, sobretudo porque conhecemos a alta competência do seu quadro técnico e dos seus dirigentes.
Mas foi por isso mesmo que no nosso documento de 27/04 fizemos questão de registrar a nossa surpresa quanto ao posicionamento equivocado que vinha sendo assumido pelo Operador Nacional neste caso específico, posicionamento este que, a nosso ver, não estaria de acordo com a tradição de isenção e equilíbrio do ONS.
Na verdade, não só pelas regulamentações vigentes, mas principalmente pela necessidade intrínseca para a boa operação do sistema, entendemos que o Operador Nacional e os Agentes devem trabalhar sempre em regime de colaboração e confiança mútua, compartilhando as ações e assumindo as suas respectivas responsabilidades. Não acreditamos que se possa fazer uma operação adequada em regime de confronto e desconfiança.
Aliás, não seria demais ressaltar que foi um clima de muito bom entendimento entre os operadores que se pôde constatar na gravação do diálogo reproduzida no documento do ILUMINA-NE. Não poderia ser diferente.
Recife, 20 de junho de 2011
ILUMINA-NE
Eng. José Antonio Feijó de Melo / Diretor – original assinado
Eng. João Paulo Maranhão de Aguiar / Diretor – original assinado
Eng. José Araujo Pereira / Diretor – original assinado
(*) Leia também:
Na seção NOTÍCIAS COMENTADAS a carta do ILUMINA ao ONS e
Nesta mesma seção ESTUDOS ESPECIAIS, o artigo original “O apagão do Nordeste e suas causas”.