Definido o próximo leilão

Leilão de energia tem 102 usinas habilitadas


O próximo leilão para compra de energia, marcado para 29 de junho, já tem 102 usinas habilitadas, sendo 12 hidrelétricas. O preço máximo de compra, chamado de “preço inicial”, foi estabelecido em R$ 125 por megawatt/hora (MWh) para hidrelétricas e em R$ 140/MWh para termelétricas, o equivalente ao preço da térmica mais cara do leilão.

O analista Eduardo Haiama, do Banco Pactual, considerou “muito boa” a sinalização de preço das hidrelétricas, já que o preço do leilão de dezembro, que não estabelecia preço máximo para termelétricas, foi de R$ 116. Em relatório divulgado em maio, o Pactual avaliava que o preço do leilão seria de R$ 125/MWh a R$ 130MWh que, se confirmados, trariam uma reação positiva do mercado.

Esses valores são apenas uma referência de preço, já que a oferta é maior que a necessidade de compra das distribuidoras, de 4,5% do mercado total brasileiro projetado pelas distribuidoras para 2009 e calculada entre 1.500 MW e 2.000 MW pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.











Juntos, os empreendimentos habilitados têm capacidade instalada de gerar 14.512 MW. Contudo, grande parte dessa energia produzida por usinas em operação já tem contratos de compra. Duas delas, São Salvador e Salto Pilão, têm apenas outorga da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), não estando, contudo, sequer com obras iniciadas. Outras duas, Irapé e Serra do Facão, estão em construção.

Entre as térmicas a gás habilitadas estão Araucária e Eletrobolt (da Petrobras), TermoPernambuco (da Neoenergia) e Juiz de Fora (da Cataguazes Leopoldina). A térmica de Paracambi, um projeto da francesa Electricité de France (EDF), também foi inscrita como empreendimento bi-combustível, podendo gerar energia alimentada por gás ou óleo.

Outros 24 empreendimentos receberam habilitação técnica extraordinária, o que significa que ainda dependem ou de licença prévia, outorga de água, regularização da Aneel ou garantia de acesso à rede de transmissão dada pelo Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS). Para participar do leilão os investidores dessas usinas terão que apresentar documentação até o dia 14 de junho.

Uma surpresa foi a habilitação, ainda que com pendências, de uma térmica com capacidade de gerar 431 megawatts (MW), em Itaguaí, que será construída pela Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA). O empreendimento, que vai produzir energia a partir do gás gerado no processo siderúrgico, é fruto de uma associação da alemã ThyssenKrupp com a Vale do Rio Doce, que tem custo estimado entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões.

O leilão deverá ser realizado em São Paulo. A EPE já marcou para 23 de junho a entrega da documentação para os interessados em habilitar usinas para o leilão seguinte, marcado para o dia 5 de setembro. Já as distribuidoras têm até o dia 7 de julho para informar a quantidade de energia que precisam comprar a partir de 2011.

No meio dos dois, poderá ser leiloada ao menos uma das usinas do Complexo do Rio Madeira, no caso a hidrelétrica de Santo Antônio (3.150 MW), com Jirau (3.300 MW), ficando para depois. Segundo Maurício Tolmasquim, esse leilão depende agora da obtenção de licença ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Ambientais (Ibama). C.Schüffner, Valor

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