Educativo…?

Racionamento de energia teve efeito educativo, diz ex-secretário


Cinco anos depois de restringir o consumo de energia no país em 20%, o racionamento ocorrido entre 2001 e 2002 foi defendido hoje pelo ex-secretário Nacional de Energia, Afonso Henriques, que é professor da Universidade de Itajubá (MG).

Segundo ele, o racionamento teve um efeito educativo para a sociedade, pois fez com que a população aprendesse a racionalizar o consumo de energia, e aproveitou para criticar o governo, que teria deixado de lado políticas de eficiência energética, e estaria apostando em empreendimentos incertos do ponto de vista ambiental para o planejamento da expansão da oferta de energia para os próximos anos.

Afonso Henriques destacou que a ausência de usinas como Angra 3, as hidrelétricas do rio Madeira e Belo Monte poderia comprometer o plano decenal.

A abundância é prejudicial“, disse o ex-secretário, ao comentar que o planejamento deve considerar a limitação de recursos e a necessidade de busca de eficiência. “É preciso reconhecer a carência”, completou.

O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, responsável pelo planejamento do setor, reconheceu que houve um ganho de “eficiência estrutural(?!) após o racionamento, mas afirmou que isso ocorreu a um custo “terrível” para o país, já que se “abortou” o crescimento do país. “Espero que não aconteça nunca mais“, disse, ao comentar que o planejamento atual descarta o risco de colapso no setor até 2010.

Ele destacou que o consumo residencial de energia médio anterior ao racionamento (188 kWh/mês) de energia só voltará a ser alcançado em 2013, segundo projeções do Plano Decenal de Expansão da Oferta de Energia.

O consultor Mário Veiga, que assessorou tanto o governo passado quanto o atual na área de energia, também admitiu os ganhos de eficiência com o racionamento, mas disse que foi uma “maneira cara de se fazer gerenciamento da demanda“.

Ao criticar os elogios de Henriques à restrição do consumo de energia, Veiga comparou o episódio como se fosse ensinar uma criança que não deve colocar o dedo na tomada. O racionamento seria uma medida tão drástica quanto deixá-la aprender com um choque.

Tolmasquim, Henriques e Veiga participaram hoje de um debate no 5º Congresso Nacional de Planejamento Energético, realizado em Brasília.
P.ZIMMERMANN,Folha Online

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