Comentário: O que já se imaginava, já está ocorrendo nos porões do governo. O elefante na loja de louças começa a mostrar que há uma lógica por trás das trapalhadas: Acabar com o que deveria ser um dos orgulhos brasileiros, a Eletrobrás.
Perguntem se os suecos querem acabar com a sua estatal Vatenfall. Perguntem aos canadenses se eles querem destruir a British Columbia Hydro ou a Hydro Quebec. Perguntem aos noruegueses se eles querem estraçalhar a Stattnet. Perguntem aos americanos se eles querem abolir com a Boneville Power Company ou a Tenesse Valley Authority. Perguntem aos franceses se é um bom negócio aniquilar a Electricitè de France.
Dirão alguns que esses países são desenvolvidos e a comparação não procede. Mas, por quais razões não analisamos essa espécie de maldição que parece dizer que somos incapazes de ter empresas estatais, mesmo quando há razões técnicas e estratégicas para isso?
O trabalho de extermínio foi iniciado no governo anterior, onde cargos de diretoria foram distribuídos pela “base aliada”, com a imposição de outros prejuízos (descontratação de 2003). Agora, o governo Dilma completa o trabalho de uso e abuso dessas empresas. O irônico é que, para reduzir os preços dos automóveis, o governo reduz os impostos. Para a energia elétrica, tabela absurda e arbitrariamente a receita da produção do kWh. Fazendo uma analogia, é como se, para reduzir o preço dos carros, tabelasse o preço do aço. Talvez, se o aço fosse estatal, como já foi no passado, essa seria a solução adotada.
Enfrentar as verdadeiras causas da explosão tarifária….nada!
Companhia daria lugar a três holdings do setor elétrico
RAMONA ORDOÑEZ (O Globo – 25/01/13)
RIO – A Eletrobras, holding do setor elétrico, pode desaparecer, assim como todas as suas subsidiárias — Chesf, Eletronorte, Furnas, Eletrosul, Eletronuclear e CGTE —, responsáveis por 35,5% da geração energética do país. Para fazer frente à forte redução em suas receitas, de cerca de 70%, devido à renovação dos contratos de concessão com base na MP 579, começa a ganhar força, dentro do Ministério de Minas e Energia, a ideia de se avaliar os rumos que o grupo terá que tomar.
Uma fonte do setor afirmou ao GLOBO que uma possibilidade é a criação de três holdings para a área elétrica: uma de geração, outra de transmissão e uma terceira de distribuição. Cada uma delas absorveria os ativos das atuais subsidiárias da Eletrobras — os ativos de geração de Furnas, por exemplo, iriam para a holding de geração, e assim sucessivamente
Perdas de R$ 8,7 bilhões
Segundo a Eletrobras, a holding está estudando medidas para reduzir seus custos, que serão comunicadas ao mercado até o fim do primeiro trimestre. A empresa informou ainda que a queda de receita é estimada em R$ 8,7 bilhões anuais, “que serão compensados com a entrada em operação dos novos investimentos, como as usinas do (rio) Madeira, e com as medidas de redução de custo”.
A discussão da criação das holdings não está na pauta da reunião do Conselho de Administração que acontece hoje. Para o encontro do conselho, está prevista a avaliação de propostas de redução de custos para as empresas enquadrarem seu caixa à nova realidade financeira, devido à redução da receita.
Por enquanto, fontes descartam a possibilidade de a Eletrobras vender, por exemplo, suas participações acionárias em seis distribuidoras, principalmente no Norte e no Nordeste. A Eletrobras assumiu ao longo dos últimos anos o controle dessas distribuidoras, que enfrentavam sérios problemas financeiros e de gestão.
