Governo prepara primeiras mudanças na fórmula do PLD para abril

 



Comentário: As fórmulas abaixo, não são de física quântica. Por incrível que pareça, elas definem as “garantias físicas” das usinas hidrálicas e térmicas, que, segundo alguns teóricos, nos permitem ter um mercado igual ao de sistemas de base térmica. Na realidade, as usinas ganham um “certificado” de energia virtual. Nada a ver com a energia real.

A segunda figura é a “coincidência” entre dois números que não precisavam ser iguais:

    • Custo Marginal de Operação (CMO), do Operador Nacional, que, saliente-se, não está “vendendo” nada. Está apenas valorando a água reservada em termos do futuro que ele vê.
  • O Preço de Liquidação de Diferenças (PLD) seria o nosso “spot”. Os agentes que vendem X de energia, mas geram Y, têm que liquidar a diferença X-Y. Num mercado genuíno, esse preço seria formado pela interação entre oferta e demanda. Mas, no bizarro mercado livre brasileiro, PLD = CMO (*)!

Por que motivo? Complexo, mas não impossível de entender: No sistema brasileiro, as garantias físicas e as energias geradas são muito diferentes. Lembrem que, geralmente, cerca de 74% da capacidade instalada (hidráulica) gera por volta de 85% da energia. Assim, cerca de 20% da energia transacionada no nosso spot é liquidada mensalmente, o que, para qualquer mercado de energia é um recorde.

Ora, a notícia abaixo diz que o governo estuda a mudança do PLD. Se o PLD vai mudar incorporandoos custos do acionamento térmico fora da ordem de mérito para “refletir a operação oficial”, como declarou o presidente da Apine, Luiz Fernando Vianna, o CMO, que é um custo da operação, não vai “refletir a operação oficial”? Seria mais uma bizarrice do mercado brasileiro.

Se, ao contrário, o CMO for refletir a operação oficial, então é bom dar uma olhada na fórmula das garantias físicas…..muita coisa pode mudar. (Não precisa entender. Basta perceber que as fórmulas dependem do CMO)

 

 

(*) As pequenas diferenças se devem a preços mínimos e médias mensais obtidas de valores semanais.

 



Governo já passou informações sobre as análises aos agentes, mas ainda não apresentou metodologia

 

Por Fabíola Binas e Wagner Freire – Jornal da Energia – 06/03

 

A mudança na formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) já tem data marcada. O Governo Federal tem pressa e pode colocar a medida em vigor em abril, para testes, e em agosto, de forma definitiva. O indicador, que é valorado atualmente com base em afluências, deverá incorporar também os custos do acionamento térmico fora da ordem de mérito.

 

A medida busca trazer uma solução conjuntural para o acionamento térmico, que deve permanecer até o final do ano, com o objetivo de preservar os reservatórios hidrelétricos para 2014.

 

A área técnica do governo já fez os estudos. Existe a pretensão em alterar a formação de preços do PLD”, contou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), Luiz Fernando Vianna, que participou de uma reunião realizada no Ministério de Minas e Energia (MME), na última segunda-feira, capitaneada pelo secretário-executivo do MME, Márcio Zimmermann.

 

As medidas preocupam os geradores, já que a mudança na valoração do PLD fará com que o indicador do mercado de curto prazo permaneça numa tendência de alta. Portanto, o agente que ficar descoberto e precisar comprar a PLD pode preparar o bolso, pois a conta ficará mais cara. Por outro lado, o custo das térmicas deixarão de ser pagos por meio de encargo (ESS), o que deve beneficiar, em certa medida, os consumidores atendidos pelas distribuidoras.

 

Segundo Vianna, o secretário-executivo do MME já teria passado informações sobre as análises feitas pelos técnicos da pasta. Apesar de estarmos há algumas semanas do início da etapa provisória, prevista para 1º de abril, a nova metodologia ainda não foi revelada aos agentes. Um segundo estágio, deste vez com a aplicação definitiva das mudanças, ocorreria em agosto.

 

“Defendemos que o preço do PLD reflita a operação oficial, mas entendemos que uma mudança de modelo como essa seja feita com cautela”, comentou o executivo, lembrando que as “instabilidades regulatórias” são muito mal recebidas pelos investidores, especialmente pelos estrangeiros, e são danosas para o setor elétrico “como um todo”.

 

Ele lembrou que os agentes fazem suas simulações para o ano todo e uma “mudança das regras no meio do jogo” atrapalhariam o andamento do mercado e poderia configurar como “quebra de contrato”. “Acreditamos que como tudo isso que foi posto pelo MME, como resultado desse estudo da área técnica, por bom senso, deveria ser implantado em 2014. Seria razoável que esse ano fosse um período de teste e adaptação”, finalizou

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