Abrace condena reajuste de 20% no gás natural
Aumento vem acompanhado da elevação do preço da energia e da constituição de um plano de contingência. Associação se reúne com Petrobras em 2 de maio
Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Negócios
A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres condenou, em comunicado, nesta sexta-feira, 13 de abril, o reajuste de 20% no preço do gás natural anunciado pela Petrobras, que entrará em vigor a partir de maio. Para Patricia Arce, diretora-executiva da Abrace, o aumento é despropositado e inaceitável. “Deram incentivo para reversão da matriz energética para o gás e, agora, como não tem gás para entregar, deixam o preço, praticamente, equivalente ao do óleo combustível”, observou.
A executiva disse que a associação se reunirá no próximo dia 2 de maio com a Petrobras para discutir o asssunto. Segundo Marcos Vinicius Gusmão Nascimento, vice-presidente da Abrace, o reajuste vem num momento muito ruim para a área de energia. “A indústria não esperava um aumento dessa magnitude, que apesar de legal, acontece numa hora ruim. O gás não é algo que possa ser substituído de um dia para outro”, analisou.
Nascimento lembrou que o aumento vem acompanhado da sinalização da elevação do preço da energia e da constituição de um plano de contingência, que a príncipio prevê a priorização das térmicas sobre a indústria. Os setores industriais mais afetados pelo reajuste são aqueles intensivos em gás, os que usam o combustível para cogeração, como matéria prima e para geração de calor.
Segundo o comunicado da Abrace, a ausência de “explicações plausíveis que fundamentem a medida da estatal cria um ambiente de incerteza que, baseado na arbitrariedade, deixa atônitos os consumidores industriais, para os quais o gás é um insumo vital para a competitividade de seus negócios”. Apesar de reconhecer o regime de preço livre no mercado de gás, Nascimento ponderou que a Petrobras sempre praticou preços que tornavam atraente o uso do gás em substituição a outros energéticos.
“O setor industrial é mais atingido pela medida porque o peso da molécula e do transporte no preço é maior do que as margens”, observou o executivo. Nascimento atribuiu ao aumento do gás uma perda de competitividade da indústria nacional em relação a concorrência internacional. “Vivemos um cenário de alta do preço da energia e de real valorizado que já comprometiam a indústria, principalmente, a exportadora”, completou.
A Abrace afirmou no comunicado que “um incremento dessa magnitude realizado de maneira abrupta é inaceitável, inviabiliza negócios, impacta negativamente nos investimentos e representa, indubitavelmente, um retrocesso na trajetória nacional em busca do tão almejado crescimento”. Nascimento acrescentou que o reajuste demonstra que a um problema de fornecimento, caracterizado pela escassez de gás para atender o mercado, o que tem levado ao aumento do preço da energia.
“A Abrace tem um excelente relacionamento com a Petrobras. Mas temos a visão de que esse aumento não é fundamentado. A empresa não está sendo condizente com a sua história de ser vetor de desenvolvimento do país”, observou Nascimento.