Leilão mostra disputa interna na Eletrobras


Suez deixa Eletronorte fora de leilão




Josette Goulart, Valor,São Paulo






Antes mesmo do fim da segunda fase do leilão de Teles Pires, que aconteceu na sexta-feira, Furnas já anunciava euforicamente em seu site que era vencedora. A empresa tem apenas 25% da sociedade liderada pelo grupo privado Neoenergia e o anúncio antecipado era apenas uma sequência da disputa interna que travou para a formação de consórcios dentro da Eletrobras. A Eletronorte, que era a subsidiária mais preparada, não teve nem chances no leilão. A GDF Suez, sua parceira na disputa, sequer deu lance.


O grupo francês não quis fazer qualquer comentário sobre o assunto. Mas fontes do governo que participaram do leilão confirmam que a empresa não deu lances. Algumas fontes ligadas ao consórcio informaram inclusive que o veto foi dado pela matriz da Suez, ainda reflexo dos riscos que a empresa corre no projeto de Jirau, no rio Madeira. A concessão da usina foi obtida com um lance agressivo e hoje o projeto precisa ser otimizado para dar retorno aos acionistas.


A agressividade da Suez em Jirau, quando a usina foi arrematada por menos de R$ 72 o MWh e com uma mudança no eixo de construção que acabou por atrasar licenças ambientais, foi muito parecida com a vista agora em Teles Pires. Em Jirau, a construtora Camargo Corrêa deu suporte à Suez. Em Teles Pires, foi a vez da Odebrecht. O lance de R$ 58,36 o MWh foi quase 20% menor do que o segundo lance, dado pelo grupo liderado pela CPFL Energia, que tinha como sócios Cemig, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.


Os executivos da Neoenergia não quiseram dar entrevistas, mas a empresa informou que o lance agressivo foi possível porque estuda o projeto há mais de três anos e considera a usina como o melhor aproveitamento hidrelétrico leiloado nos últimos anos. Além disso, credita parte do preço competitivo ao consórcio construtor formado por Odebrecht, Alstom e Voith. O projeto da Neoenergia prevê que a primeira máquina esteja operando ainda em 2014. O problema é que para conseguir isso, nenhuma licença poderá sofrer atrasos.


A empresa – que agora tem para usar a seu favor, contra o governo, a menor tarifa da história – fez questão de reforçar que é importante que a transmissão esteja pronta para que não se repita o que aconteceu em Dardanelos, usina que não pôde escoar energia por atraso na transmissão.


O preço de R$ 58,36 foi estipulado pela Neoenergia. Furnas, seu principal sócio, trabalhava com R$ 64. Ou seja, a vitória cantada antes do tempo foi mesmo para atingir seus parceiros de Eletrobras. Com Teles Pires e Santo Antônio, a subsidiária passará a ter 11.367 MW. Mesmo assim perde o posto de segunda maior geradora para a Eletronorte, que terá 11.561 MW com Belo Monte.


Das subsidiárias da Eletrobras é a Chesf quem continuará liderando o ranking, com mais de 13 mil MW de capacidade instalada.

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