Governo prepara mudança geral para reforçar o poder da Eletrobrás
Plano da Casa Civil é simplificar o organograma da holding, com forte impacto nas subsidiárias
Redação
O nome do novo presidente da Eletrobrás ainda é um enigma, porém uma de suas primeiras missões já está traçada. Caberá ao futuro titular do cargo comandar uma ampla mudança na estrutura da estatal e de suas subsidiárias.
O redesenho, idealizado pela Casa Civil, tem como principais objetivos simplificar o organograma do Sistema Eletrobrás e, sobretudo, fortalecer o poder da holding.
Uma das primeiras medidas será a criação de uma única empresa de energia nuclear, que reunirá a Eletronuclear e a
Indústrias Nucleares Brasileiras (INB). Em um segundo movimento, Furnas deverá incorporar a Eletrosul, concentrando todas as operações de geração e transmissão no Sul, Sudeste e Centro- Oeste.
A pena de Dilma Rousseff fará também um novo tracejado na Chesf. A estatal deverá ser dividida em duas companhias: uma seguirá com as atribuições atuais da empresa; a outra ficará responsável pelo projeto de transposição do Rio São Francisco, que, diga-se de passagem, tem sido motivo de disputas políticas dentro da Chesf.
A reformulação guarda boas novas para a Eletronorte, que sempre foi para o sacrifício por absorver os prejuízos do sistema isolado – no ano passado, as perdas foram de R$ 758 milhões. O governo planeja criar uma empresa específica para a distribuição isolada, que terá recursos do Tesouro Nacional e da própria Eletrobrás. Com isso, a Eletronorte deixará de ser a ovelha negra do rebanho e se concentrará nos investimentos em geração na Região Norte.
Entre uma e outra pincelada, todas as subsidiárias da Eletrobrás terão um traço em comum. Perderão autonomia administrativa e operacional. No futuro modelo, o presidente da Eletrobrás assumirá o comando do Conselho de Administração de todas as controladas. A holding filtrará as decisões sobre investimentos, parcerias e até mesmo expressivas contratações de pessoal.
Uma das principais justificativas do governo para a centralização de poder nas mãos da Eletrobrás será a redução de custos. Entre outras ações, a própria empresa-mãe passará a promover aquisições conjuntas de máquinas e equipamentos para as subsidiárias. Um estudo do Ministério de Minas e Energia projeta que a economia poderá chegar a R$ 1 bilhão.