ONS avalia que situação hidrológica do Sul não afetará suprimento em dias de jogos do Brasil
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Esquema especial leva em conta mudanças do perfil de consumo. Térmicas poderão ser despachadas, caso necessário
F. Couto, Agência CanalEnergia
A situação hidrológica enfrentada atualmente pela região Sul não afetará o suprimento de energia para os consumidores durante os jogos do Brasil na Copa do Mundo. Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico,não há risco de falta de energia mesmo com a elevação do consumo instantâneo previsto para os nove minutos que sucedem o final de cada jogo. “O intervalo de tempo é considerado pequeno“, explicou.
As hidrelétricas do subsistema Sul, cujo nível de armazenamento nos reservatórios é de 31%, serão obrigados a despachar – a geração nesses nove minutos não impactará no volume armazenado -, observou. A região Sul, acrescentou, tem recebido diariamente 4 mil MW dos demais subsistemas, nos quais a situação hidrológica apresenta melhores condições.
Os dados mais recentes do ONS indicam que o submercado Sudeste/Centro-Oeste tem 84% de armazenamento; o Nordeste, 95%; e o Norte, 98%. “Tucuruí, inclusive, está vertendo”, contou.
Térmicas – Contou ainda quea atual hidrologia não está demandando despacho por parte das térmicas a gás. Ele salientou que o custo de geração hídrica – principal critério para o despacho – atualmente é inferior ao verificado pelas térmicas. De acordo ele, Canoas, Ibirité e William Arjona estão despachando, ao todo, cerca de 250 MW para atender a inflexibilidade exigida nos contratos.
Além disso, a Norte Fluminense gera atualmente 350 MW para atender ajuste de carga. OONS pode ordenar o despacho de algumas térmicas, durante os jogos do Brasil na Copa, caso seja necessário.
Esquema especial – O esquema especial elaborado pelo ONS para o período da Copa do Mundo é motivado pela mudança de perfil no consumo do país. Segundo Chipp, nos domingos, com jogos do Brasil, como o da segunda partida da primeira fase (18/06), a curva de demanda é semelhante a de um domingo normal, sem jogos do Brasil. A única diferença nesse dia é que há uma redução de 20% na demanda (8 mil MW) a partir de duas horas antes do ínicio dapartida.
Além disso, há uma previsão de aumento de 5% (1,25 mil MW) no consumo nos nove minutos que se seguem ao final da partida. “O domingo, porém, tem compartamento de carga semelhante à carga leve que se verifica em dias úteis“. Nos dias úteis, o ONS prevê redução de 18% (cerca de 9,5 mil MW) a partir de 1:30 hora antes do ínicio dos jogos. A demanda se mantem reduzida até o intervalo do jogo, observou, quando há uma rampa de carga estimada em 3,5 mil MW (9%).
O consumo tema situação maissevera prevista para os nove minutos após o final de cada partida, com expansão de 18% na carga, cerca de 8 mil MW. Chipp acrescentou que o ONS fará análises complementares caso o Brasil se classifique para as etapas subsequentes, em função, do horário dos jogos. As projeções foram feitas com base nas condições operativas do sistema interligadopara os três jogos da seleção na primeira fase do mundial.
Comentário
Mais uma vantagem das hidrelétricas!
Durante os jogos de Copa do Mundo o sistema elétrico brasileiro, historicamente, verifica fortes variações de consumo em um curtíssimo intervalo de tempo (principalmente no intervalo entre o primeiro e o segundo tempo e em caso de derrota da seleção brasileira). Essas grandes variações começaram a ser estudadas durante a Copa de 1986 (ainda no tempo do GCOI). Essas grandes variações também são observadas no último capítulo de novelas de grande repercussão nacional.
Para os eletricistas de plantão, a freqüência brasileira só é igual a 60 Hz quando, instantaneamente, a potência produzida nos geradores energia é igual à demanda (consumo). Sendo assim, facilmente podemos imaginar o quanto difícil é controlar a freqüência em 60 Hz durante essas grandes variações de demanda (uma grande variação de freqüência pode levar o sistema elétrico a um desligamento em série de diversos geradores, agravando o problema, podendo ter conseqüências desastrosas).
Para resolver esse problema, os engenheiros brasileiros utilizam à velocidade de resposta das usinas hidráulicas do nosso sistema. Toda essa tomada de carga, quase instantânea, é compensada somente pelas hidrelétricas. Para se ter uma idéia uma hidrelétrica pode aumentar 1000 MW em sua geração em alguns segundos (somente o tempo de mecânico de abertura de palhetas), enquanto uma térmica convencional ou uma nuclear demoraria horas ou até mesmo dias.